Democratas ameaçam paralisar governo após nova morte por agentes de imigração de Trump

Líder democrata no Senado, Chuck Schumer, prometeu bloquear um grande pacote de gastos a menos que os republicanos retirem o financiamento do Departamento de Segurança Interna; agentes federais atiraram e mataram enfermeiro americano no sábado

Residents next to a sign and cross near the scene of a shooting by a federal law enforcement agent in Minneapolis, Minnesota, US, on Saturday, Jan. 24, 2026. A Border Patrol agent shot and killed a man believed to be a US citizen in Minneapolis on Saturday, the latest violent incident by law enforcement that has sparked widespread protests and condemnations by state and local officials. Photographer: Jaida Grey Eagle/Bloomberg
Por Steven T. Dennis - Erik Wasson
25 de Janeiro, 2026 | 05:10 PM

Bloomberg — O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, prometeu bloquear um pacote de gastos massivos na semana que começa, a menos que os republicanos retirem a destinação de recursos para o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), o que amplia drasticamente o risco de uma paralisação parcial do governo dos Estados Unidos de Donald Trump.

O anúncio de Schumer foi feito no sábado (24), no mesmo dia em que um agente da Patrulha de Fronteira atirou e matou um enfermeiro americano de uma unidade de terapia intensiva em Minneapolis, no estado de Minnesota, durante protestos contra a repressão à imigração naquele estado.

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O homem foi identificado pelas autoridades estaduais e locais como Alex Pretti.

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A oposição democrata ao pacote de financiamento pode afetar não apenas a Segurança Interna mas também os departamentos de Defesa, Trabalho, Educação, Estado, Tesouro e Saúde e Serviços Humanos.

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Os efeitos seriam generalizados, incluindo a possibilidade de atrasar o próximo relatório do Bureau of Labor Statistics (BLS).

No caso de uma paralisação, muitos trabalhadores essenciais - incluindo os militares e os agentes da Administração de Segurança dos Transportes - podem ter que trabalhar sem remuneração.

Mas os funcionários do Departamento de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) e da Patrulha de Fronteira provavelmente seriam pagos por meio de funding adicional da lei tributária do presidente Donald Trump assinada no ano passado.

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A Câmara aprovou o projeto de lei na quinta-feira (22) e deixou Washington até depois do prazo final de 30 de janeiro para a paralisação.

Qualquer mudança nessa legislação, incluindo a retirada do financiamento da Homeland, exigiria que a Câmara voltasse e votasse o novo projeto.

Com a Casa Branca chamando Pretti de “terrorista doméstico” e acusando-o de impedir o trabalho da Patrulha de Fronteira, apesar das evidências em vídeo em contrário, os líderes republicanos do Senado estarão sob enorme pressão para proteger o financiamento do DHS.

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O gabinete do líder da maioria no Senado, John Thune, não respondeu a um pedido de comentário no sábado.

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A legislação de gastos precisa dos votos de pelo menos sete democratas para ser aprovada no Senado.

Vários moderados do partido anunciaram rapidamente no sábado que se oporiam ao projeto. Mais tarde, Schumer disse que o partido não daria seus votos à medida, da forma como está redigida atualmente.

A presença de agentes federais em Minnesota já havia levado à morte a tiros de pelo menos uma outra americana, Renee Good, que foi baleada e morta por um agente do ICE quando ele a deteve por bloquear parcialmente uma rua com seu carro, alegando que ela tentou atropelá-lo, embora as imagens não endossem essa tese.

Os agentes federais usaram gás lacrimogêneo e outras técnicas violentas de controle de multidões para reprimir os protestos de moradores do estado nos últimos dias, mas suas ações só deixaram os moradores mais irritados.

Moradores do estado de Minnesota são reprimidos por agentes federais (Foto: Jack Califano/Bloomberg)

“O que está acontecendo em Minnesota é terrível - e inaceitável em qualquer cidade americana”, disse Schumer.

“Os democratas buscaram reformas de bom senso no projeto de lei de gastos do Departamento de Segurança Interna, mas, devido à recusa dos republicanos em enfrentar o presidente Trump, o projeto de lei do DHS é lamentavelmente inadequado para conter os abusos do ICE.”

Forçar uma paralisação coloca em risco as vitórias democratas obtidas a duras penas no acordo de gastos, incluindo a reversão de muitos cortes de Trump em pesquisas médicas, ajuda externa, subsídios para educação e transporte de massa.

No entanto a situação em Minnesota, com milhares de agentes federais enviados para o estado e duas pessoas mortas até aqui, alienou os principais senadores democratas, inclusive alguns que deram votos importantes para acabar com a paralisação do governo.

Catherine Cortez Masto e Jacky Rosen, de Nevada, que votaram a favor do fim da última paralisação, disseram em declarações no sábado que se oporiam ao financiamento da Segurança Interna sem mudanças.

Rosen insistiu que se oporá ao financiamento “até que tenhamos barreiras para reduzir esses abusos de poder e garantir mais responsabilidade e transparência”.

O senador democrata Richard Blumenthal disse que a resistência aos abusos de agentes de imigração não se trata de uma questão de seu partido.

“Trata-se do nosso país e do nosso Congresso, e do que precisamos fazer para impor algumas salvaguardas a uma agência fora de controle que está imbuída de uma cultura de ilegalidade e parece estar cometendo assassinatos em Minneapolis”, disse Blumenthal.

O Senado, um órgão legislativo lento, já enfrenta possíveis atrasos devido à previsão de uma tempestade de neve de rara ocorrência neste fim de semana.

A ausência planejada da Câmara na próxima semana complicaria ainda mais a situação antes do prazo final de financiamento de 30 de janeiro.

Todos os democratas da Câmara, com exceção de sete, votaram contra o projeto de lei do DHS na Câmara, sendo que muitos membros do partido buscavam requisitos de câmeras corporais e outras restrições às batidas dos agentes do ICE e da Patrulha de Fronteira.

Possíveis dissidências entre republicanos

Há também o cenário de dissidências na própria base republicana.

Uma porta-voz da senadora Susan Collins, do Maine, confirmou uma reportagem do New York Times que citava a senadora republicana dizendo que ela está analisando “todas as opções” para avançar, incluindo a possível divisão da parte de segurança interna do pacote.

Outro republicano do Senado, Bill Cassidy, da Louisiana, também rompeu radicalmente com a mensagem da Casa Branca e exigiu “uma investigação federal e estadual conjunta e completa”.

Cassidy chamou os eventos em Minneapolis de “incrivelmente perturbadores” e disse que a credibilidade do ICE e da Segurança Nacional está em jogo.

“Podemos confiar a verdade ao povo americano”, disse Cassidy.

Patty Murray, membro do painel de gastos dos principais democratas do Senado, disse que não apoiará o projeto de lei do DHS em sua forma atual e que ele “precisa ser separado do pacote de financiamento maior”.

“Os agentes federais não podem assassinar pessoas em plena luz do dia e não sofrerem nenhuma consequência”, disse Murray em um post no X. “Continuarei lutando para controlar o DHS e o ICE.”

-- Com a colaboração de Jamie Tarabay.

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