Bloomberg Línea — O preço médio da gasolina é de cerca de US$ 1,28 por litro globalmente, com uma diferença acentuada entre os países da América Latina, de acordo com dados atualizados da Global Petrol Prices, uma entidade que monitora o custo dos combustíveis em diferentes países do mundo.
Na América Latina, a Venezuela continua sendo, no início de janeiro de 2026, o país com a gasolina mais barata, com um preço oficial de US$ 0,035 por litro, devido ao alto valor dos subsídios.
Depois da Venezuela, seguem-se países como o Equador (US$ 0,721), Guiana (US$ 0,814), Panamá (US$ 0,833) e Paraguai (US$ 0,880).
Em contrapartida, os países com os preços mais altos da região entre as grandes economias são o Uruguai (US$ 1.998), o México (US$ 1.427) e o Chile (US$ 1.362), de acordo com os valores coletados pela Global Petrol Prices.
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Sobre os fatores que influenciarão o custo da gasolina em 2026 na América Latina, o analista financeiro Gregorio Gandini disse à Bloomberg Línea que “o preço do petróleo será um fator determinante, assim como a possibilidade de a Venezuela aumentar seu nível de produção”.
A isso se soma o efeito de um aumento da oferta por parte da OPEP, que poderia pressionar os preços internacionais para baixo. Além disso, “a capacidade de refino de cada país é fundamental para definir o preço final da gasolina”, observou Gandini.
Pressões
As pressões inflacionárias na América Latina movem-se num ambiente de grande incerteza, devido a choques externos, tensões geopolíticas e vulnerabilidades fiscais.
Enquanto isso, os países da região enfrentam riscos associados ao tipo de câmbio, aos preços da energia e às mudanças na política comercial dos Estados Unidos.
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As perspectivas para o preço dos combustíveis, intimamente ligadas ao valor do barril de petróleo, apontam para um cenário moderado, marcado por um acúmulo de estoques e um crescimento sólido da oferta global de petróleo bruto.
No início deste mês, a OPEP+ reafirmou seu plano de manter estável o fluxo de petróleo, pelo menos até abril, em meio às tensões que se abrem após as ações militares dos EUA na Venezuela.
Os principais membros, liderados pela Arábia Saudita e pela Rússia, ratificaram mais uma vez a decisão tomada pela primeira vez em novembro de suspender a sequência de aumentos rápidos do ano passado.
“A demanda internacional por energia, embora em crescimento, também é atenuada pelos esforços globais de diversificação da matriz energética”, disse a este meio José Gabriel Castillo, professor da ESPOL e ex-vice-ministro da Economia do Equador.
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Impacto tributário
No caso do Brasil, maior economia do continente, os preços da gasolina ao longo de 2026 podem ser influenciados por uma série de variáveis tributárias.
“O cenário aponta para uma tendência de aumento gradual dos preços, especialmente a partir de janeiro, com o ajuste do ICMS que entrará em vigor”, disse Renato Mascarenhas, diretor de Rede de Abastecimento da empresa de soluções de mobilidade Edenred Movilidad, a este meio de comunicação.
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Ele explicou que a tarifa sobre a gasolina passa de R$ 1,47 (US$ 0,27) para R$ 1,57 por litro (US$ 0,29%), um aumento de 6,8%, que tende a ser incorporado ao nível de preços aplicado nos postos de combustível.
“Esse efeito tributário, somado a fatores como o câmbio e o mercado internacional do petróleo, pode manter as pressões inflacionárias no setor de combustíveis ao longo do ano”, afirma Mascarenhas.









