Como o Peru superou a Argentina em exportações apesar da retomada com Milei

Exportações peruanas cresceram 21% em 2025 e superaram as da Argentina, mesmo após o afrouxamento de controles sob Javier Milei; alta do cobre e do ouro, investimentos recordes em mineração e ganhos logísticos contribuíram com resultado

Exportaciones de Perú
09 de Fevereiro, 2026 | 11:45 AM

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Bloomberg Línea — O Peru tem ganho relevância no mapa das exportações da América Latina, impulsionado pela mineração de cobre e ouro.

Uma combinação de fatores globais que beneficiaram os principais metais de exportação do Peru, somada ao investimento em mineração, que permite maior capacidade instalada e custos mais baixos, contribuiu para impulsionar as exportações do país andino.

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O ministro de Energia e Minas do Peru, Luis Bravo, projetou que os investimentos em mineração podem atingir um recorde de US$ 7 bilhões em 2026 com a execução de oito grandes projetos, especialmente no corredor minerador do sul e nas regiões de Arequipa, Cusco e La Libertad.

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A agência Andina informou que, em novembro de 2025, o Peru havia viabilizado investimentos em mineração por mais de US$ 5,133 bilhões.

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O Peru posicionou-se como o quarto maior exportador da América Latina em 2025, com vendas ao exterior no valor de US$ 90,082 bilhões, um crescimento de 21% em relação a 2024, de acordo com dados da Associação de Exportadores do Peru (ADEX).

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) afirma que as exportações aceleraram seu ritmo de crescimento em relação a 2024 (quando avançaram mais de 15%).

“A expansão respondeu tanto ao aumento dos volumes (12,2%) quanto dos preços de exportação”, explicou o BID no relatório Estimativas das tendências comerciais da América Latina e do Caribe.

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A mineração foi justamente o principal motor das exportações do Peru em 2025, concentrando 66% das vendas externas, disse à Bloomberg Línea Carlos Casas, diretor do Centro de Estudos sobre Mineração e Sustentabilidade da Universidade do Pacífico naquele país.

O cobre e o ouro contribuem juntos com 53% do total exportado e cresceram 20% e 47% ao ano, respectivamente.

Ambos os produtos se beneficiaram da alta dos metais em um contexto de maior incerteza global.

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Durante 2025, o preço do cobre aumentou 44%, enquanto o do ouro subiu 65%.

“Os preços elevados também incentivaram um aumento do investimento mineiro em expansão e exploração, permitindo maiores volumes de produção e, consequentemente, maiores remessas para o exterior”, disse Ricardo Ávila, gerente de Estudos Econômicos do Scotiabank no Peru, à Bloomberg Línea .

Em novembro de 2025, o investimento em mineração cresceu mais de 20% ao ano, impulsionado justamente por esses dois componentes.

No caso do ouro, o impulso veio principalmente da busca por ativos refúgio.

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No caso do cobre, a demanda foi favorecida tanto pelos temores associados à guerra comercial quanto por suas aplicações industriais.

Carlos Casas afirma que o aumento do valor das exportações foi influenciado principalmente pelo preço do ouro.

Entretanto, os volumes exportados de ouro (por via formal) continuam semelhantes aos dos anos anteriores.

No caso do cobre, Carlos Casas destaca o início da produção de novos projetos como Quellaveco, considerado um dos depósitos de metal vermelho mais importantes do mundo.

“O setor agroexportador também contribuiu em menor medida, mas os motores que impulsionam as exportações peruanas são o cobre e o ouro”, observou Carlos Casas.

No que diz respeito à agricultura, o BID destaca as exportações de produtos agrícolas como mirtilos, cacau e abacate no ano passado.

No que diz respeito às exportações não tradicionais, Ricardo Ávila destacou o forte crescimento das remessas de pota, que aumentaram 305% ao ano, em linha com a boa disponibilidade do recurso.

Também se destacaram as exportações de mirtilo (13%) e uva (14%), refletindo um bom desempenho do setor agroexportador diante das boas condições climáticas durante o ano.

Megaporto Chancay

Outro fator importante para o Peru foi o início das operações do megaporto de Chancay, construído pela estatal chinesa Cosco com um investimento estimado em US$ 1,3 bilhão.

Em seu primeiro ano de operação, comemorado em novembro do ano passado, o porto movimentou 270.000 contêineres, de acordo com dados da Cosco.

O porto, localizado 70 quilômetros ao norte de Lima, recebeu um total de 289 embarcações em seu primeiro ano.

Este porto é um enclave estratégico entre a Ásia e o Pacífico na América do Sul.

Justamente, a China é atualmente o principal parceiro comercial do Peru, que faz parte da Aliança do Pacífico junto com o México, o Chile e a Colômbia.

No ano passado, a China concentrou 36,2% do total exportado e registrou um crescimento como destino superior a 30%, de acordo com dados oficiais do governo peruano.

O Peru é o quarto maior exportador da América Latina

O Ministério do Comércio Exterior e Turismo (Mincetur) destacou que as exportações peruanas de bens atingiram em 2025 um novo recorde pelo quinto ano consecutivo.

“Mesmo em cenários complexos, o país avança com uma política comercial sólida, orientada para gerar emprego, impulsionar a economia e atrair investimentos”, afirmou a ministra do Comércio Exterior e Turismo do Peru, Teresa Mera.

Somente em dezembro de 2025, as exportações totalizaram US$ 9,351 bilhões, o que representou um valor mensal histórico e um aumento de 36,9% em relação ao mesmo mês de 2024.

Com esse nível de exportações, o Peru ficou atrás apenas do México, Brasil e Chile entre os países mais fortes nessa área na América Latina.

De acordo com dados da Associação de Exportadores (ADEX), o Peru ultrapassou a Colômbia em 2016 e a Argentina em 2025, que encerrou o ano com vendas externas de cerca de US$ 87 bilhões.

O país andino superou a terceira maior economia da América Latina em vendas de produtos e serviços ao exterior apesar da retomada do setor privado no governo de Javier Milei, que retirou muitas das travas que existiam para as exportações.

No ano passado, a Colômbia encerrou com exportações no valor de US$ 50.199,9 milhões, o que representou um avanço de 1,3% em relação a 2024, de acordo com dados oficiais.

O Chile, o rival mais direto do Peru, totalizou exportações recordes de mais de US$ 107 bilhões, um aumento de 7,9% em relação a 2024.