Bloomberg — Brasil e Índia selaram um acordo sobre minerais críticos e concordaram em trabalhar em estreita colaboração no processamento, em um movimento que visa garantir o fornecimento de terras raras em um momento de ruptura global.
“O acordo sobre minerais críticos ajudará a moldar uma cadeia de suprimentos nova e resiliente”, disse o primeiro-ministro Narendra Modi, após se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Nova Délhi, no sábado (21).
Lula chegou à Índia na quarta-feira (18) para uma visita de três dias.
O Brasil, que abriga a segunda maior reserva mundial de terras raras, oferece à Índia uma potencial fonte alternativa de suprimento, já que o país busca reduzir a dependência da China e garantir insumos essenciais para eletrônicos, energia limpa e defesa.
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O acordo foi fechado logo depois que a Índia aderiu à iniciativa Pax Silica, liderada pelos EUA, para criar cadeias de suprimentos resilientes em semicondutores, inteligência artificial e minerais essenciais.
O controle de Pequim sobre o fornecimento de minerais essenciais necessários para a fabricação de produtos de alta qualidade e para a defesa é uma preocupação crescente para países de todo o mundo, especialmente para economias em desenvolvimento como a Índia.
O Brasil e a Índia estão fortalecendo a cooperação, em parte para emergir como vozes importantes para o mundo em desenvolvimento e buscar maior influência sobre as tecnologias e cadeias de suprimentos que estão remodelando a ordem global.
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Modi visitou o Brasil em julho, onde os dois concordaram em trabalhar de perto em defesa, energia, segurança alimentar e reduzir “barreiras não tarifárias” para aumentar o comércio, de acordo com uma declaração conjunta na época da visita.
Nova Délhi e Brasília buscaram laços mais estreitos depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, impôs tarifas de 50% a ambos os países. As tarifas indianas foram posteriormente reduzidas para 18% após a assinatura de um acordo comercial no início deste mês.
Agora, esse acordo pode ter sido abalado pela decisão da Suprema Corte dos EUA na sexta-feira (20), que derrubou muitas das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump no ano passado. Após a decisão, Trump impôs uma nova tarifa global de 10% sobre produtos estrangeiros.
A Índia e o Brasil querem entrar no processamento de minerais essenciais em vez de permanecerem como fornecedores de matérias-primas. Atualmente, a China domina tanto a extração quanto o processamento, e países como os EUA tentam garantir fontes e parcerias alternativas.
“Aumentar os investimentos e a cooperação em questões de energia renovável e minerais críticos está no centro de um acordo pioneiro que assinamos hoje”, disse Lula.
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