Bessent reitera política de ‘dólar forte’ um dia depois de Trump mostrar indiferença

Secretário do Tesouro dos EUA desencadeou um movimento de recuperação do valor da moeda americana nesta quarta-feira (28): ‘se tivermos políticas sólidas, o dinheiro fluirá para cá’

Donald Trump e Scott Bessent: declarações nesta semana de janeiro de 2026 que moveram o preço do dólar no mundo
Por Daniel Flatley - Anya Andrianova - George Lei
28 de Janeiro, 2026 | 04:54 PM

Bloomberg — O secretário do Tesouro, Scott Bessent, defendeu uma política de dólar forte nesta quarta-feira (28), em apoio ao dólar um dia após os comentários do presidente Donald Trump terem feito a moeda norte-americana despencar.

“Os EUA sempre têm uma política de dólar forte”, disse Bessent em uma entrevista à CNBC.

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“Mas uma política de dólar forte significa estabelecer os fundamentos corretos”, disse ele. “Se tivermos políticas sólidas, o dinheiro fluirá para cá.”

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Bessent também disse que os EUA “absolutamente não” estão intervindo no mercado de câmbio para vender o dólar em relação ao iene. Questionado sobre a possibilidade de os EUA tomarem tal medida, ele disse que “não comentamos nada além de dizer que temos uma política de dólar forte”.

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Seus comentários provocaram uma ampla recuperação do dólar no início do dia nesta quarta-feira.

A moeda havia caído 1,1% no dia anterior, depois que Trump disse que estava confortável com a queda da moeda. Questionado sobre se estava preocupado com o movimento, Trump disse a jornalistas: “‘Não, acho que está ótimo”.

“Bessent parece estar tentando acalmar os nervos desgastados do mercado”, disse Sonja Marten, chefe de câmbio e política monetária do DZ Bank.

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“Embora os EUA possam receber bem um dólar mais suave em geral, uma rápida desvalorização da moeda claramente também não é de seu interesse.”

As especulações de que os EUA poderiam se juntar ao governo do Japão na venda do dólar em relação ao iene aumentaram na sexta-feira passada (23), após as chamadas verificações de taxas no par de moedas pelo Federal Reserve Bank de Nova York - que atua como agente do Tesouro.

 Iene cai de valor depois de comentários de Scott Bessent sobre a queda do dólar nesta quarta (28)

A moeda japonesa está em queda desde outubro, tendo chegado no início deste mês perto de seu nível mais fraco em relação ao dólar desde 1986.

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A queda veio junto com preocupações dos investidores sobre a adoção de estímulos fiscais em larga escala pela primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, apesar do elevado ônus da dívida de seu país.

As autoridades japonesas têm alertado repetidamente que estão preparadas para tomar medidas para lidar com a queda do iene.

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“Continuaremos a tomar as respostas apropriadas em relação aos movimentos da moeda e, ao mesmo tempo, coordenaremos estreitamente com as autoridades dos EUA, conforme necessário”, disse o ministro das Finanças, Satsuki Katayama, a repórteres na terça-feira.

Pat Locke, estrategista de câmbio do JPMorgan Chase, disse que “os comentários de Bessent sobre a não-intervenção não eliminam a possibilidade de novas declarações ou mesmo de intervenção para conter o movimento do iene.

Mas ele reiterou “a posição central de que estabelecer os fundamentos corretos é fundamental para o câmbio no longo prazo - não apenas para os EUA, mas também para o Japão em geral”.

Bessent também disse na quarta que a redução do déficit comercial dos EUA deve levar automaticamente a uma maior força do dólar ao longo do tempo.

“Acredito que, com o presidente Trump, com o One Big Beautiful Bill, com nossas políticas regulatórias, estamos fazendo deste o melhor lugar para vir construir seus negócios, ter segurança tributária, segurança regulatória, segurança energética”, disse Bessent.

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