Após ameaças, Trump adia ataques ao Irã por duas semanas para viabilizar cessar-fogo

Presidente americano recuou de sua ameaça enquanto negociadores avançavam na busca por um acordo de cessar-fogo; mais cedo Trump disse que ‘toda uma civilização morrerá esta noite, para nunca mais voltar'

Donald Trump
Por Kate Sullivan - Eric Martin - Hadriana Lowenkron - Jeff Mason - Tony Capaccio
07 de Abril, 2026 | 09:00 PM

Bloomberg — O presidente Donald Trump adiou por duas semanas a ameaça de atacar infraestrutura civil em todo o Irã, enquanto negociadores avançavam rumo a um acordo de cessar-fogo que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz por Teerã.

Trump publicou nas redes sociais nesta terça-feira (7) que o acordo estará “sujeito à concordância da República Islâmica do Irã com a ABERTURA COMPLETA, IMEDIATA e SEGURA do Estreito de Ormuz”.

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“Concordo em suspender os bombardeios e ataques ao Irã por um período de duas semanas. Este será um cessar-fogo de mão dupla!”, escreveu Trump.


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O acordo em gestação representa um avanço significativo e surge menos de duas horas antes do fim do prazo dado por Trump, às 20h de Nova York, para que o Irã reabrisse o estreito ou enfrentasse uma onda de ataques contra usinas de energia, pontes e outros alvos.

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O petróleo caiu após o anúncio de Trump. O West Texas Intermediate (WTI) recuou até 11%, para abaixo de US$ 101 o barril, depois de subir 0,5% na terça-feira em uma sessão volátil, enquanto o Brent encerrou perto de US$ 109.

Ainda não havia manifestação de autoridades iranianas sobre permitir a passagem segura de navios comerciais pelo estreito até a publicação da reportagem. Os termos de um possível pacto também não foram divulgados. Trump disse apenas que os Estados Unidos receberam uma proposta de 10 pontos do Irã, descrita por ele como “uma base viável para negociação”.

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“Quase todos os pontos de divergência anteriores foram resolvidos entre os Estados Unidos e o Irã, mas o período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e concluído”, afirmou.

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Os comentários de Trump representam um recuo em relação a uma publicação feita mais cedo nesta terça-feira, na qual ele alertou que “toda uma civilização morrerá esta noite, para nunca mais voltar” se o Irã não cedesse às suas ameaças.

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O ultimato e o prazo iminente levaram o Paquistão a uma corrida de última hora para tentar garantir um acordo.

O primeiro-ministro do país, Shehbaz Sharif, havia publicado anteriormente nas redes sociais que as negociações “avançavam de forma constante, firme e vigorosa” e que seu país pediu ao Irã que “reabrisse o Estreito de Ormuz por um período correspondente de duas semanas como gesto de boa vontade”.

Muito ainda permanece incerto sobre o acordo de cessar-fogo ou se ele será mantido. Também não estava claro até que ponto Israel, que tem atacado alvos em todo o Irã em coordenação com os Estados Unidos, cumprirá o entendimento.

A decisão de recuar — ao menos por ora — marca mais um episódio em que o presidente volta atrás em uma ameaça de ampliar a lista de alvos militares no Irã para incluir infraestrutura civil, como usinas de energia e instalações de dessalinização.

Em março, ele deu ao Irã cinco dias para reabrir o estreito ou enfrentar esses ataques, e depois estendeu o prazo por mais 10 dias.

O padrão tornou-se tão conhecido que ganhou até um acrônimo próprio — TACO, sigla em inglês para “Trump Always Chickens Out”.

-- Com a colaboração de Josh Wingrove, Magdalena Del Valle e Jennifer A. Dlouhy.

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