Bloomberg Línea — O economista e empreendedor Diogo Castelão não sabe fazer uma manobra no skate, mas transformou o esporte no seu principal negócio desde 2017, quando fundou a STU (Skate Total Urbe).
A plataforma representa 60% da receita da Rio de Negócios, holding responsável por organizar a competição e outros ativos do mercado de entretenimento como o Festival Universo Spanta, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro.
“Eu não aprendi nem vou aprender. Mas eu tenho uma informação maravilhosa, que eu falo para todos os skatistas que tentam me sacanear sobre isso. Eu nasci no dia mundial do skate, dia 21 de junho. Sou predestinado. Eu nem preciso andar de skate porque eu já nasci com skate na minha”, brinca o empreendedor.
Na STU, o executivo é sócio de André Barros, pai do skatista Pedro Barros, medalhista de bronze na modalidade skate park na Olimpíada de Tóquio.
Em 2024, a STU faturou R$ 37 milhões e teve lucro de R$ 7 milhões - ele não abre ainda os números nem da divisão nem da Rio de Negócios em 2025.
Segundo cálculos da Bloomberg Línea, diante dos números da STU em 2024 e a projeção anterior de crescimento da 70% da holding, a divisão deve ter encerrado o ano com R$ 63 milhões em receitas; e a Rio de Negócios, acima dos R$ 104 milhões.
A STU nasceu de uma observação de Castelão quando realizava os Jogos de Verão, outra plataforma proprietária da Rio de Negócios.
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Entre 20 modalidades, como voo livre, surf, SUP (stand up paddle), vôlei de praia e bodyboard, o executivo paulista radicado no Rio identificou no skate um potencial de negócios mais amplo.
“O skate me parecia ‘meio virgem’. Fui pesquisar e não tinha ninguém que organizava o skate no Brasil de forma estruturada. Procurei a Confederação Brasileira de Skate e eles não tinham nem escritório na época”, contou Castelão.
De lá para cá, o cenário mudou e o skate tomou outra proporção tanto no Brasil quanto no mundo.
O esporte foi uma das modalidades que estrearam no programa olímpico em Tóquio em 2021, ao lado do surfe, e o Brasil assistiu, encantado, o despontar de uma jovem atleta vitoriosa e carismática, Rayssa Leal - medalha de prata no skate street com apenas 13 anos de idade.
Os olhares devotados para a atleta maranhense, então conhecida como “fadinha”, se refletiram em outros nomes, entre mais experientes e novatos no esporte.
Trata-se de uma dinâmica que evoluiu nos últimos anos, acompanhando um ciclo pós-pandêmico de massiva adoção de práticas esportivas por brasileiros.
Apesar do ciclo de expansão acelerada nos últimos anos, Castelão disse ter certeza de que o esporte está ainda em momento embrionário.
“A trajetória do skate como movimento e esporte está apenas iniciando”, disse o executivo, que prepara novidades com a sua equipe para os próximos dois anos.
Liga profissional de skate
O projeto mais ambicioso é a SB1, uma liga profissional de skate com formato de times franqueados, inspirada na Fórmula 1 e em ligas americanas.
Nascida de conversas entre Castelão e Pedro Barros, a competição começará no segundo semestre de 2026 com oito equipes.
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A SB1 iniciará neste ano com uma “Season Zero”, temporada de ranqueamento que permitirá aos melhores skatistas do mundo se qualificarem para o Draft de 2027, quando as equipes serão formadas oficialmente.
As franquias dos times serão oferecidas idealmente para investidores de oito regiões globais: América Latina, América do Norte, Europa Ocidental, Europa Oriental, Oriente Médio, Ásia, Oceania e África.
“Mais do que franquias, queremos criar marcas de skate. Queremos que cada uma se torne uma Supreme, uma Vans, uma Diamond”, disse Castelão.
O modelo de negócio prevê múltiplas fontes de receita para os franqueados: patrocínios próprios, participação nos direitos de transmissão da liga, licenciamento de produtos, receita de ingressos e ativações ao longo do ano.
No conceito do modelo, skatistas terão salários mensais, algo inédito no esporte, garantidos pelas franquias, o que contribuirá para profissionalizar a atividade.
“Vai mudar muito o game dentro do mercado. Eles vão passar a ter uma carreira e a contar com previsibilidade, até para conversarem com seus próprios patrocinadores pessoais", afirmou.
A lista de projetos da STU inclui ainda um produto que busca aproximar o skate das gerações Y (ou millennials), Z e Alpha a partir da gamificação.
Inspirada na Kings League - projeto de futebol com regras alternativas criado pelo ex-jogador espanhol Gerard Piqué -, a nova competição terá formato diferenciado, com foco no entretenimento e em narrativas para o consumo digital.
“Entendemos que temos um universo enorme de skatistas no Brasil e no mundo que não são competidores olímpicos, mas que, do ponto de vista do entretenimento, podem ser tão bons ou melhores”, disse o empreendedor.
A iniciativa está prevista para o começo de 2026, assim como o STU On The Road, evolução do programa STU On Tour, evento virtual pensado para revelar talentos.
O projeto combinará competições digitais com eventos presenciais em diferentes regiões do Brasil, levando skatistas renomados a locais que não têm acesso a grandes competições.
Franquias de ensino de skate
Hoje, o principal ativo da plataforma é a STU National, circuito nacional que atende 80 skatistas nacionais entre homens e mulheres nas categorias street e park e que acontece, majoritariamente, nas regiões Sul e Sudeste.
A ideia é que o programa STU On the Road possas suprir um pouco dessa lacuna.
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“Nosso objetivo é dar capilaridade para promover e revelar novos talentos locais”, afirmou Castelão.
A STU ainda conta com a versão Pro Tour, que em 2025 teve edições em Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e Varberg, na Suécia.
A estratégia de revelar novos talentos deve ser impulsionada por um novo projeto: a STU Class, inspirada no modelo da NBA School, será um sistema de franquias voltado para o ensino do skate.
A iniciativa contará com um franqueador master que trabalhará com subfranqueados em escolas, clubes, colégios e pistas públicas e privadas por todo o Brasil.
“É um veículo de fomento ao skate nacionalmente”, afirmou Castelão.
“O nosso objetivo maior é que, ao fim do ano, crianças peçam um skate para o Papai Noel. Quanto mais promovermos o aprendizado e a prática, melhor para todos.”
A iniciativa tem como base uma pesquisa encomendada ao IBOPE Repucom em 2023, que identificou 84 milhões de interessados no skate no Brasil e 45 milhões de fãs do esporte. “É um universo enorme e que, na minha opinião, só cresce.”
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