Bloomberg — Quando o verde-mar preenche o Drums and Flats, no Brooklyn, o proprietário Jake Trebach sabe que terá de ajudar na cozinha.
Isso porque o restaurante, que oferece pratos caseiros sofisticados, como os enroladinhos de carne wagyu, tornou-se um ponto de encontro para os torcedores do New York Liberty e seus acessórios na cor turquesa.
Antes do Jogo 3 das semifinais da WNBA (a liga feminina de basquete) na semana passada, Trebach assumiu a função de garçom, pois o restaurante — localizado a apenas alguns quarteirões da 5ª Avenida, próximo à sede do Liberty no Barclays Center — estava lotado.
Mas nem sempre foi assim.
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“Quando o Liberty chegou ao Barclays, ninguém aparecia”, disse Trebach entre uma ida e outra à sala de jantar. Atrás dele, um calendário indicava em tinta em negrito os dias em que o Liberty jogava. “Agora, o Liberty é a grande atração, muito mais do que o Nets.”
Naquela noite, o Liberty perdeu para o Atlanta Dream, encerrando sua temporada. Mas o clima em torno da partida é mais um lembrete do boom dos esportes femininos.
O Brooklyn é um exemplo marcante, pois os Nets estrearam no Barclays Center oito anos antes da chegada do Liberty, em 2020, e, ainda assim, a equipe feminina é o maior impulsionador econômico da região, segundo empresários locais.
Uma vantagem para o Liberty é que a equipe vem colecionando vitórias. A equipe enfrentou dificuldades durante suas primeiras temporadas no Brooklyn, mas desde então se tornou uma das principais franquias, e seu título de 2024 rendeu à cidade o primeiro desfile de comemoração de campeonato em doze anos.
Nesta temporada, o clube chegou a uma rodada das finais, que começam com o confronto entre Atlanta e o Golden State Valkyries.
Enquanto isso, o Nets ficou de fora dos playoffs por três temporadas consecutivas e carece de estrelas. Desde que se mudou de Nova Jersey para o Brooklyn, a equipe ficou à sombra do Knicks, que joga no Madison Square Garden, em Manhattan, e agora ainda mais, já que este é o atual campeão da NBA.
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A chegada do Liberty também tem sido uma bênção para o Beer Garage, segundo a proprietária Marina Charny. O pequeno bar esportivo na 5ª Avenida atrai torcedores de outros times locais, como os Yankees, mas um número maior de clientes comparece para torcer pelo Liberty.
“Os negócios melhoraram quando o Liberty começou a jogar; com o Nets, a situação permaneceu praticamente a mesma”, disse Charny. “O Liberty é algo mais recente. Faz parte da WNBA, por isso é um pouco mais singular. O Nets é, essencialmente, apenas mais um time de basquete.”
É raro que uma franquia esportiva fora da NFL e da MLB impulsione os negócios locais, especialmente uma franquia esportiva feminina, segundo Victor Matheson, professor de economia especializado em esportes na Faculdade de Holy Cross. Mas ele espera que o entusiasmo em torno da liga continue a impulsionar as economias locais.
Parte da popularidade do Liberty no Brooklyn decorre do trabalho de aproximação com a comunidade realizado pela equipe e por sua controladora, a Brooklyn Sports & Entertainment, que também é proprietária dos Nets e do Barclays Center.
Empresários locais afirmam que a equipe se empenhou em construir relacionamentos, inclusive oferecendo-se para promovê-los caso atendessem às necessidades de seus torcedores. “O Liberty é muito comunicativo, de uma forma que o Nets não é”, disse Trebach, que também é proprietário do bar ao lado. “O Nets se acha importante por estar na NBA, mas não conseguiu cultivar nem mesmo uma única geração de torcedores nos 15 anos em que joga aqui.”
Os bilionários Joe Tsai e Clara Wu Tsai compraram o Liberty do proprietário do Knicks, James Dolan, em 2019, em um negócio avaliado em cerca de US$ 10 milhões, de acordo com reportagens da época.
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A equipe jogava em uma arena modesta ao norte da cidade e enfrentava dificuldades em quadra. Clara Wu Tsai, que supervisiona a equipe, afirmou ter percebido um ativo subvalorizado que precisava de investimento. Em poucos anos, o Liberty mudou-se para o Barclays e tornou-se uma das franquias de elite da WNBA.
Atualmente, o Liberty esgota regularmente os ingressos para os jogos em casa e atrai uma média de cerca de 16.500 torcedores por partida, um dos maiores índices da liga, de acordo com dados do Sports Business Journal. As vendas de ingressos para a temporada dispararam. A equipe foi avaliada em US$ 600 milhões pela Sportico, e Clara Wu Tsai afirmou que sua meta é que esse valor chegue a US$ 1 bilhão.
É difícil quantificar os números específicos do impulso econômico proporcionado pelo Liberty. No entanto, a Corporação de Desenvolvimento Econômico da Cidade de Nova York estimou que a campanha do Liberty rumo ao título de 2024 gerou cerca de US$ 18 milhões em atividade econômica em toda a cidade, incluindo vendas de ingressos e gastos de visitantes de fora de Nova York.
Michael McMahon, proprietário do pub irlandês McMahon’s Public House, a poucos quarteirões do Barclays Center, afirmou que as vendas aumentam 25% nas noites em que o Liberty joga. Como sinal do crescente interesse, cada vez mais das 15 TVs do bar estão exibindo jogos da WNBA. O Nets atrai grandes multidões ao McMahon’s, mas isso geralmente ocorre quando o adversário é um time popular como o Los Angeles Lakers. O Liberty é, de longe, a maior atração, afirmou ele.
“É ótimo ter o Nets, mas não há ninguém como o Liberty”, disse McMahon.
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