Como bolsas de luxo de Hermès, Louis Vuitton e Goyard viraram ativos de investimento

Estudo da McKinsey aponta que o mercado secundário de artigos de luxo crescerá entre duas e três vezes mais rápido que o primário até 2027

Mercado de artigos de segunda mão transformou bolsas em oportunidades de investimento graças à sua capacidade de aumentar seu valor
14 de Janeiro, 2026 | 10:09 AM

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Bloomberg Línea — O boom do mercado de artigos de luxo de segunda mão transformou bolsas em oportunidades de investimento graças à sua capacidade de aumentar seu valor.

É o caso da Birkin, a icônica bolsa da Hermès; uma peça da Goyard ou até mesmo um modelo da The Row, a marca de luxo discreta fundada pelas gêmeas Olsen.

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“Os clientes estão gastando mais em moda de segunda mão em busca de valor, à medida que os preços continuam subindo no mercado primário”, destacou a McKinsey em seu relatório The State of Fashion 2026, onde previu que o mercado secundário crescerá entre duas e três vezes mais rápido que o primário até 2027.

O estudo também destaca que, juntamente com joias e relógios, “as bolsas estão entre os ativos mais populares como peças de investimento”.

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A Hermès lidera essa nova onda: oito de seus modelos registram uma retenção média de valor de 138%, incluindo a Kelly II Mini Bag, com 282%, quase três vezes o seu preço original, de acordo com o Clair Report 2025 da Rebag.

Esse relatório anual mede quanto valor os artigos de luxo mantêm no mercado secundário.

Bolos Birkin

O relatório destaca que, nos últimos dez anos, a bolsa Birkin tem aumentado seu valor de forma constante. Desde 2015, seu preço nas lojas subiu 43%, mas no mercado de revenda chegou a 92%.

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“Essa divergência ressalta a escassez duradoura da Birkin, sua força como ativo colecionável e seu desempenho excepcional no mercado aberto”.

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Outros modelos da marca francesa com alta retenção de valor são a Birkin Sellier, com 182%; a Constance Bag, com 137%; a Kelly regular, com 130%, e a Picotin Lock, de acordo com o relatório.

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A marca Goyard também se destaca como uma das “unicórnios”. Essas bolsas, conhecidas por sua qualidade, estampas e longas listas de espera, aumentaram sua retenção de valor em 28%, atingindo 123%.

O Clair Report atribui esse aumento à demanda por modelos como a Rouette Bag, a Saint Louise Tote e a Plumet Clutch Wallet.

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“O controle meticuloso da Goyard sobre sua distribuição e preços continua elevando sua aura de exclusividade e seu apelo como investimento de longo prazo”, explica o relatório emitido pela principal plataforma de vendas de segunda mão.

Bolsa Goyard

Unicórnio

Em 2006, as gêmeas Mary-Kate e Ashley Olsen lançaram sua marca The Row com a intenção de criar a camiseta branca perfeita.

Vinte anos depois, essa experiência se tornou uma referência em luxo discreto, incluindo bolsas, que pela primeira vez foram classificadas como unicórnios pelo Clair Report, passando de 24% para 97% de retenção de valor.

“A marca tornou-se uma referência de luxo sóbrio com valor de investimento”, indicou o relatório, que identifica modelos de suas bolsas, como a N/S Park Tote, a Margaux Tote e a Halfmoon Shoulder bag entre as mais cobiçadas.

Investimento em nostalgia

Outras marcas como Miu Miu, Chanel e alguns modelos da Gucci, como o Softbit, também estão incluídas no relatório, juntamente com exemplares da Bottega Veneta (Ciao Ciao Top Handle) e Saint Laurent (Icarino).

Até 2026, as peças de investimento serão marcadas pela nostalgia, com relançamentos de arquivo e coleções inspiradas em linhas passadas, como a recente colaboração entre a Louis Vuitton e o artista japonês Takashi Murakami.

De acordo com o relatório, esse fenômeno aumentou as buscas pela LeCity da Balenciaga, pela Phantom da Celine e pela Chloé Paddington, criada durante a era de Phoebe Philo nessa grife francesa.