Sobrou carga no carro elétrico? Revender para a rede pode ser a próxima tendência

Duas empresas, a ChargePoint e a Eaton, lançaram um modelo de estação de carregamento pode carregar veículos e extrair energia de suas baterias para enviar de volta à rede, algo que se torna crucial em momento de demanda em alta com IA

A Charge Point aposta que devolver a energia que sobrou em carros elétricos para a rede será uma das próximas tendências do mercado
Por Kyle Stock
29 de Agosto, 2025 | 08:12 AM

Bloomberg — Nos últimos anos, as redes de recarga, as frotas de entrega e os centros de varejo têm se esforçado para adicionar infraestrutura para fornecer energia a carros elétricos. A próxima etapa: ajudar os motoristas a vender o excesso de elétrons de volta à rede.

A ChargePoint Holdings, uma empresa com sede no Vale do Silício que opera cerca de 35.000 portas de carregamento rápido nos Estados Unidos, anunciou na quinta-feira (28) um novo tipo de estação que bombeará energia para os veículos e destes para a rede.

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Trata-se de uma inovação em relação à grande maioria dos carregadores, que simplesmente retiram elétrons da rede.

A ChargePoint disse esperar que o sistema conquiste os negócios de empresas que operam grandes frotas de veículos, oferecendo a oportunidade de vender os elétrons que estão nos carros e caminhões ociosos.

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“Começaremos a ter condições de ir até as frotas elétricas e reduzir o custo diretamente - sem incentivos, sem isenções fiscais, sem subsídios - em comparação com uma frota [movida a gasolina]”, disse o CEO Rick Wilmer.

Há muito tempo, as redes de recarga têm se voltado para atender a frotas corporativas de veículos, como empresas de entrega, de transporte urbano via aplicativo, como a Uber, e empreiteiras da indústria de construção, que normalmente têm uma demanda de energia grande e previsível.

A ChargePoint avalia que a próxima fase da competição de carregamento será ajudar essas empresas a monetizar seus veículos.

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Quando os veículos estão ociosos e têm elétrons extras, podem gerar uma pequena receita ou, pelo menos, ajudar a abastecer os edifícios próximos.

Muitas vezes, essas frotas ficam ociosas no final do dia de trabalho, exatamente quando a demanda de energia atinge o pico na rede típica.

Ao mesmo tempo, há um impulso entre muitas empresas para gerar e armazenar eletricidade no local para se proteger contra interrupções, arbitrar os preços da energia no horário de uso ou sair totalmente da rede.

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Esses locais agora poderão aproveitar os veículos como parte de seu mix de energia, de acordo com a Eaton Corp, uma empresa de gerenciamento de energia que acertou uma parceria com a ChargePoint no novo sistema de carregamento.

As estações, que a ChargePoint batizou de Express Grid, também usarão eletricidade gerada no local, por exemplo, a partir de painéis solares ou turbinas eólicas.

As empresas estão “acrescentando recursos de energia distribuída, como energia solar, armazenamento e eólica”, disse Paul Ryan, vice-presidente e general manager de transição energética da Eaton.

“Agora, os veículos elétricos são ativos de bateria.”

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Desafios ao modelo

Mas nem todas as concessionárias podem ou aceitarão eletricidade de qualquer coisa que não seja uma usina de energia.

Da mesma forma, muitos dos veículos elétricos atuais só podem aceitar elétrons, não alimentá-los no sentido contrário, um processo conhecido como carregamento bidirecional.

Por exemplo, a picape elétrica da Ford Motor, a F-150 Lightning, pode descarregar sua bateria de volta para a rede, mas o crossover elétrico da empresa, o Mustang Mach-E, não tem essa capacidade.

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Mas muitos analistas esperam que o chamado carregamento bidirecional logo se tornará onipresente no mercado de veículos elétricos.

E, com o clima mais volátil e o aumento de data centers que consomem muita energia, as concessionárias dos EUA estão se esforçando para obter eletricidade da maneira que for possível.

Embora a ChargePoint e a Eaton tenham revelado seu novo sistema de carregamento na quinta-feira, ainda não receberam pedidos. As empresas esperam instalar a primeira unidade no próximo ano.

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