Novas tarifas dos EUA: Goldman Sachs vê impacto econômico 'limitado’ para o Brasil

Banco estima que novos pacotes de tarifas incidem sobre um quarto das exportações aos EUA ou aproximadamente 0,3% do PIB brasileiro; taxa efetiva sobre produtos do Brasil sobe a 16,8%, atrás apenas da China

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Bloomberg Línea — O impacto econômico das novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve ser “limitado”, segundo relatório do Goldman Sachs assinado pelo economista Alberto Ramos e divulgado nesta sexta-feira (24).

O banco estima que a tarifa de 25%, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, incide sobre cerca de um quarto das importações dos Estados Unidos provenientes do Brasil, o equivalente a US$ 10,2 bilhões, ou 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

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Considerando esse pacote em conjunto com tarifas anteriores impostas pelo governo Trump sobre setores como metais e veículos e peças, o Goldman Sachs projeta a taxa tarifária efetiva geral dos Estados Unidos sobre as importações do Brasil em 16,8%.

Segundo o banco, esse patamar é o segundo mais alto entre os parceiros comerciais dos Estados Unidos, atrás apenas da China.

O cálculo do banco incorpora a tarifa de 12,5% relacionada a alegações de trabalho forçado, também baseada na Seção 301, que substitui a tarifa de 10% da Seção 122, expirada em 24 de julho.

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O Goldman Sachs não projeta retaliação do Brasil antes da eleição presidencial de outubro. Uma eventual resposta após o pleito, segundo o banco, tenderia a ser “moderada e limitada”, de acordo com texto assinado pelo diretor de pesquisa macroeconômica para América Latina.

Enquanto isso, o banco espera que o governo brasileiro ofereça linhas de crédito aos setores e indústrias exportadoras mais afetados pelas tarifas.

De acordo com dados de 2025 usados pelo Goldman Sachs, as exportações do Brasil aos Estados Unidos equivalem a 1,7% do PIB brasileiro, o segundo menor percentual entre os países latino-americanos analisados pelo banco, à frente apenas da Argentina (1,3%).

O México lidera o grupo, com exportações aos EUA equivalentes a 29,0% do PIB, seguido por Equador (7,2%), Chile (5,3%), Colômbia (3,9%) e Peru (3,2%). A média do conjunto de sete países da América Latina considerados pelo banco é de 10,5% do PIB.

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Apesar do peso menor das exportações aos EUA em relação ao PIB, o Brasil apresenta a maior taxa tarifária efetiva entre os países latino-americanos analisados pelo Goldman Sachs: 16,8%.

Em comparação, a taxa efetiva do México é de 7,2%, a do Peru é de 8,5%, a do Chile e da Colômbia é de 6,1% cada, a da Argentina é de 7,1% e a do Equador é de 4,4%. A média do grupo de sete países é de 7,3%.

Tarifas ‘em camadas’

A tarifa de 25% entrou em vigor em 22 de julho, após um ano de investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).

O órgão concluiu que práticas brasileiras relacionadas a comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais concedidas a países como México e Índia, fiscalização anticorrupção, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal prejudicam trabalhadores e empresas americanas.

Café, suco de laranja, carne bovina, terras raras, metais selecionados, fertilizantes, produtos farmacêuticos e peças de aeronaves ficaram fora da lista de produtos taxados.

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Em relatório de 16 de julho, o Goldman Sachs havia calculado que essas exceções cobrem US$ 2,1 bilhões adicionais em importações dos Estados Unidos vindas do Brasil, reduzindo para 26% a parcela das importações brasileiras sujeita à tarifa de 25%, ante 31% previstos na versão preliminar de junho.

Essa mesma tarifa de 25% substitui a alíquota de 50% imposta pelo governo Trump sobre uma ampla gama de produtos brasileiros no ano passado, composta por uma tarifa recíproca de 10% e uma tarifa adicional de 40%. Essas tarifas, baseadas na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), foram derrubadas pela Suprema Corte dos EUA em fevereiro.

Após a entrada em vigor da tarifa de 25%, os Estados Unidos anunciaram um segundo pacote decorrente de investigação sobre a falha de cerca de 60 economias em impedir o trabalho forçado em cadeias de suprimentos.

O Brasil foi incluído no grupo de países taxados em 12,5%, junto com dezenas de outras economias, enquanto cerca de dez parceiros comerciais dos Estados Unidos considerados como tendo adotado proibições ao trabalho forçado ficaram sujeitos a uma taxa de 10%.

Essa tarifa entrou em vigor nesta sexta (24), mesma data em que expirou a tarifa global de 10% da Seção 122 imposta pelos Estados Unidos após a Suprema Corte derrubar o tarifaço anterior de Donald Trump contra o Brasil.

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