Flávio Bolsonaro sai fortalecido por onda de direita para enfrentar Lula no 2º turno

Senador terminou o primeiro turno com 2,2 milhões de votos a mais que Lula; PL elegeu 20 senadores, e desde 1989 nenhum candidato que ficou em segundo lugar na primeira etapa conseguiu virar a disputa

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Bloomberg Línea — O senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) numa noite em que candidatos de direita ampliaram espaço no Senado e em governos estaduais importantes.

Com 499.234 das 499.248 seções apuradas, Flávio tinha 47,03% dos votos válidos, ou 56,1 milhões de votos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Lula ficava com 45,16%, ou 53,9 milhões. A diferença entre os dois foi de 2.227.651 votos, cerca de 2,2 milhões.

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O quadro é o inverso do de 2022. Naquele ano, Lula terminou o primeiro turno com 48,43% dos votos válidos, contra 43,20% de Jair Bolsonaro, e venceu a etapa final por 50,90% a 49,10%. Neste domingo (4), Flávio superou a votação do pai no primeiro turno de quatro anos atrás, que foi de 51,1 milhões de votos.

O histórico das eleições pesa a favor do senador. Desde a volta das eleições diretas para presidente, em 1989, nenhum candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar conseguiu a virada. Para Lula, que tem 80 anos e busca o quarto mandato, vencer exigiria um feito inédito.

Resultado acima das pesquisas

As pesquisas da véspera apontavam empate técnico, com Lula numericamente à frente. No Datafolha divulgado no sábado (3), o presidente tinha 45% dos votos válidos e Flávio, 42%. O desempenho do senador e de seus aliados surpreendeu as duas campanhas, segundo a Bloomberg News.

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Em público, o senador declarou o “fim da era do PT” e prometeu uma “campanha limpa” nas próximas três semanas. “Lula está preocupado com o poder, eu estou preocupado com o futuro do Brasil”, disse Flávio a jornalistas. Ele também se apresentou como o único candidato comprometido com o fim da reeleição.

Lula admitiu que esperava encerrar a disputa no domingo. “Confesso que estava convencido que ganharia no primeiro turno, mas já pensei isso outras vezes”, disse em um hotel no centro de São Paulo.

O presidente afirmou que o futuro do país passa pelo investimento em educação e prometeu ampliar a escola em tempo integral.

Senado e estados

O avanço da direita foi além da disputa presidencial. O PL elegeu 20 dos 54 senadores escolhidos neste ano, em 15 unidades da federação. O partido ficou com as duas vagas em disputa no Distrito Federal, em Mato Grosso do Sul, no Rio de Janeiro, em Rondônia e em Santa Catarina. Entre os eleitos estão Michelle Bolsonaro, no DF, e Carlos Bolsonaro, em Santa Catarina.

Com os mandatos que seguem até 2031, o PL pode chegar a 29 cadeiras a partir de fevereiro de 2027 e ter a maior bancada da Casa. O MDB elegeu sete senadores, e o PT, seis, entre eles Rui Costa e Jaques Wagner, na Bahia.

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Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), ex-ministro de Jair Bolsonaro, foi reeleito no primeiro turno com cerca de 62% dos votos válidos.

Os dois candidatos ao Senado de sua coligação, Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), ficaram com as vagas do estado.

O deputado Carlos Zarattini (PT-SP), reeleito no domingo, disse ao jornal O Estado de S. Paulo que o PT não conseguiu conter no Brasil uma onda de direita que atinge toda a América Latina. O ex-deputado José Genoino citou o resultado do Senado como a principal prova desse movimento.

Disputa pelos votos de centro

Cerca de 9,3 milhões de votos válidos foram para os outros dez candidatos. Augusto Cury (Avante) ficou em terceiro, com 2,89%. Renan Santos (Missão) teve 2,24%, e Ronaldo Caiado (PSD), 2,18%. Romeu Zema (Novo) teve 0,27%.

Segundo o Estadão, Cury deve ficar neutro no segundo turno, e Renan Santos pode não apoiar nenhum dos dois. Caiado e Zema devem indicar preferência por Flávio.

Para Lula, uma das alternativas é tentar atrair o eleitor que não foi votar no primeiro turno.

Em uma campanha que foi marcada pelo escândalo do Banco Master, Lula perdeu terreno em setembro nas pesquisas eleitorais, depois da divulgação de mensagens que, segundo a PF, Vorcaro enviou a um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Moraes nega a relação.

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O ministro, indicado pelo STF por Michel Temer, passou a ser associado à Lula por eleitores por sua atuação no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, é investigado pela Polícia Federal por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes tributários nas tratativas com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco. O senador nega irregularidades.

Contas públicas no centro

O mercado financeiro vê Flávio como o candidato mais disposto a fazer um ajuste fiscal. O principal ETF de ações brasileiras negociado em Tóquio chegou a subir mais de 11% na noite de domingo, segundo a Bloomberg News, antes da abertura da B3.

Flávio promete um corte amplo de gastos, mas apresentou poucos detalhes sobre o plano. Lula alternou durante a campanha entre promessas de controlar a dívida e críticas à necessidade de buscar superávits.

Na reta final, o governo elevou o valor mínimo do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691 e anunciou R$ 15 bilhões para a compra de dívidas em atraso de pessoas físicas.

Quem vencer em 25 de outubro vai encontrar contas sob pressão. A dívida bruta deve fechar o ano em 83,1% do PIB, segundo o Goldman Sachs.

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