Bloomberg Línea — O resultado do primeiro turno levou a Eurasia a revisar sua leitura sobre a disputa presidencial e sobre o cenário do Brasil no curto prazo.
A consultoria de risco político elevou de 45% para 70% a probabilidade de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Flávio terminou a votação de domingo (4) com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença foi de 1,87 ponto percentual, ou cerca de 2,2 milhões de votos. Antes da eleição, a Eurasia previa uma vantagem de 1 a 2 pontos para Lula.
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O relatório é assinado por Christopher Garman, diretor-gerente para as Américas, Silvio Cascione, diretor para o Brasil, e Raul Folino, pesquisador para o Brasil.
Segundo o documento, divulgado a clientes ainda no domingo, a divisão das preferências dos eleitores dos demais candidatos indica vantagem de 3 a 4 pontos para Flávio no segundo turno. Esses candidatos somaram 7,8% dos votos.
A Eurasia pondera que Flávio está exposto a ataques do PT no tema da corrupção. Também lembra que o partido tem histórico de recuperação em segundos turnos. Em 2014, Dilma Rousseff aparecia nas pesquisas quatro pontos atrás de Aécio Neves na primeira semana antes da segunda etapa e venceu a eleição.
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Com a vitória de Flávio mais provável, a consultoria elevou de neutra para positiva a perspectiva de curto prazo do Brasil. A avaliação se apoia na chance maior de uma reforma fiscal em 2027 e na composição do novo Congresso, com uma Câmara mais próxima da centro-direita e um Senado mais conservador.
Segundo a Eurasia, assessores de Flávio defendem priorizar uma reforma que abra espaço para cortes de juros pelo Banco Central. A consultoria não considera crível a promessa de cortar até R$ 200 bilhões em gastos. Avalia, porém, que uma mudança constitucional nas regras de crescimento das despesas obrigatórias seria suficiente para gerar superávits primários nos próximos quatro anos.
A Eurasia afirma que a reforma fiscal também se tornou mais provável em um eventual novo mandato de Lula. A consultoria cita sinais do Palácio do Planalto de que o presidente admite a necessidade de ajustes na política fiscal. O vice-presidente Geraldo Alckmin aparece como opção para o Ministério da Fazenda.
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