Bloomberg — Se Flávio Bolsonaro (PL) vencer o segundo turno das eleições em 25 de outubro, dará autonomia à Petrobras (PETR3; PETR4) para reformular seu portfólio e buscará ampliar o investimento privado em setores dominados pela estatal, segundo um dos especialistas da campanha do senador para o setor de energia.
“O que foi discutido da Petrobras é que ela não será privatizada. Ponto”, afirmou Alexandre Chequer, advogado especializado em energia que tem assessorado a campanha de Flávio, em entrevista à Bloomberg News no Rio de Janeiro.
A privatização da empresa chegou a ser considerada durante o governo de Jair Bolsonaro.
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A vitória surpreendente do candidato da oposição no primeiro turno provocou uma alta dos ativos brasileiros diante da expectativa de uma política fiscal mais rígida, que poderia ajudar a reduzir os juros de dois dígitos, além de políticas econômicas mais favoráveis ao mercado.
As ações da Petrobras subiram quase 13% desde o primeiro turno, no início deste mês. O avanço foi quase o dobro do registrado pelo Ibovespa.
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Decisões sobre as operações e o portfólio da Petrobras devem ficar a cargo da direção da empresa, inclusive sobre onde investir e comprar ou vender ativos, segundo Chequer.
Ele ajudou a elaborar a Lei do Petróleo e contratos de exploração e produção no Brasil no fim da década de 1990. Como advogado, assessorou a oferta de ações da Eletrobras em 2022 e representou compradores em algumas vendas de ativos da Petrobras.
Chequer afirmou que a campanha não discutiu a política de preços dos combustíveis da Petrobras, inclusive uma eventual retomada da paridade de importação.
Ele teceu críticas à retomada dos investimentos da Petrobras em fertilizantes no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele avalia que a empresa não tem expertise no setor, sinalizando que expansões nessa área poderão ser reavaliadas.
Embora o programa de governo de Flávio Bolsonaro proponha “a modernização do refino”, a campanha ainda não discutiu mudanças no papel da Petrobras.
Chequer considera que hoje o mercado de refino depende excessivamente de uma única empresa, “um peso” para a estatal. Também não foi batido o martelo sobre uma eventual retomada do programa de venda de ativos adotado no governo de Jair Bolsonaro.
O assessor elogiou os desinvestimentos por fortalecerem produtores independentes e classificou como “puramente ideológica” a decisão da Petrobras de manter ativos como o polo petrolífero terrestre Bahia Terra.
Petrobras e Braskem
A campanha não tratou da Braskem (BRKM5), petroquímica em dificuldades na qual a Petrobras tem uma fatia majoritária. A empresa negocia com credores uma reestruturação da dívida após anos de dificuldades financeiras.
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Quando questionado sobre a pressão dos credores para que a Petrobras injete capital na empresa em dificuldades, Chequer afirmou que acionistas normalmente enfrentam diluição em uma reestruturação de dívida e que o governo deveria concentrar esforços na melhoria do ambiente de negócios de forma mais ampla.
Nos últimos meses Chequer, que se definiu como voluntário da campanha, participou de mais de 50 reuniões com empresas e entidades setoriais, como distribuidoras de combustíveis, “para entender o que o governo pode fazer para aumentar a confiança dos investidores”.
O objetivo de um eventual governo Flávio Bolsonaro seria estimular investimentos e concorrência por meio da redução dos custos regulatórios e da simplificação dos processos, afirmou.
A eliminação do atual imposto de 12% sobre as exportações de petróleo, criado pelo governo Lula em resposta à alta da commodity, está entre as propostas mais concretas para o setor de energia no plano do candidato.
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