Bloomberg Línea — Um incidente na mina de Fábrica, operada pela Vale em Ouro Preto (Minas Gerais), atingiu instalações da CSN Mineração na madrugada deste domingo (25), data que marca exatos sete anos da tragédia de Brumadinho, que deixou 272 mortos.
Um dique de contenção cedeu na unidade da Vale. Em nota oficial, a mineradora disse que houve um “extravasamento de água com sedimentos de uma cava” (escavação para extração de minério), e que “o fluxo alcançou algumas áreas de uma empresa na região”, sem nomeá-la nem detalhar se houve rompimento de estrutura.
A Vale (VALE3) informou que pessoas e comunidades da região não foram afetadas e que comunicou o incidente aos órgãos competentes.
A companhia reforçou que o episódio “não tem qualquer relação com as barragens”, que seguem estáveis e monitoradas 24 horas por dia.
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As causas do extravasamento estão sendo investigadas.
A CSN Mineração não havia se pronunciado até a noite de domingo sobre a extensão dos danos nas instalações atingidas pelo incidente.
Segundo a prefeitura de Congonhas, também em Minas Gerais, chuvas intensas no sábado (24) elevaram o volume de água pluvial para além da capacidade de retenção da estrutura.
O incidente provocou o alagamento de escritórios, oficinas mecânicas e almoxarifado da CSN Mineração, e a água atingiu 1,5 metro de altura, conforme informações do portal G1. Cerca de 200 trabalhadores foram evacuados e as operações na área foram paralisadas. Não houve vítimas ou feridos.
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Precedentes na região
A coincidência da data remete ao maior desastre da mineração brasileira.
Em 25 de janeiro de 2019, a barragem de rejeitos da Mina Córrego do Feijão se rompeu em Brumadinho, resultando em 270 mortes, ou 272 contando as vítimas que estavam grávidas.
A maioria das vítimas eram trabalhadores da própria Vale ou de empresas terceirizadas. Três corpos permanecem desaparecidos após sete anos de buscas, segundo informações da Agência Brasil.
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Dr acordo com um relatório técnico da ANM (Agência Nacional de Mineração), divulgado pela Agência Brasil, a tragédia de Brumadinho poderia ter sido evitada.
Isso porque a Vale teria detectado a presença de sedimentos em drenos de controle de água em junho de 2018, sete meses antes do colapso, mas não comunicou a anomalia ao órgão regulador.
“Se a ANM tivesse sido informada corretamente, poderia ter tomado medidas cautelares e cobrado ações emergenciais da empresa”, afirmou a agência.
O histórico de incidentes da Vale em Minas Gerais inclui ainda o rompimento da barragem de Fundão em Mariana, em novembro de 2015, operada pela Samarco, joint venture da Vale com a BHP Billiton.
O desastre deixou 19 mortos e provocou devastação ambiental ao longo de 600 quilômetros da bacia do Rio Doce até o litoral do Espírito Santo.
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