Bloomberg Línea — A ração de animais é uma das principais fontes para a emissão de carbono na produção de ovos.
Diante desse quadro, grandes produtores têm se preocupado em mitigar esse impacto. É o caso da Mantiqueira, que recém-firmou um acordo de compra de 12 mil toneladas de farelo de soja rastreável e com menor pegada de carbono da Bunge.
Como parte do acordo, fazendas parceiras da Bunge também irão testar o fertilizante orgânico Solobom, feito à base de esterco de galinha poedeira produzido pela Mantiqueira.
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O diretor de Originação da Mantiqueira e de Novos Negócios da Solobom, Leandro Testa, disse à Bloomberg Línea que o volume de farelo comprado inicialmente integrará um projeto piloto, “mas, ao mesmo tempo, já aponta um caminho claro de evolução”, disse.
“Trata-se não apenas uma aposta futura, isso já é pauta presente. A adoção de práticas regenerativas e rastreabilidade influencia diretamente o acesso a mercados mais exigentes”, disse Tesla.
O executivo explicou que o acordo firmado com a Bunge não altera os critérios técnicos e comerciais tradicionais de compra da empresa, mas adiciona uma camada ambiental extra à originação dos insumos usados na alimentação das aves.
A expectativa da companhia é ampliar gradualmente a participação de matérias-primas provenientes de práticas regenerativas à medida que seu negócio cresce.
A Mantiqueira não divulgou uma expectativa de compras de insumos dessa origem para o futuro e disse que não espera um incremento de preços ao consumidor final.
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“O objetivo é que esse avanço ambiental não comprometa o custo final de produção, permitindo que a Mantiqueira continue entregando produtos acessíveis e sustentáveis ao mercado”, disse.
Uso de blockchain
O processo de rastreabilidade é feito por ambas as empresas por meio de uma plataforma em blockchain, que reúne informações desde a fazenda até o destino final do produto.
Segundo informações da Bunge, o farelo de soja fornecido nesse modelo tem pegada de carbono entre 40% e 70% inferior à média brasileira adotada por metodologias de mercado, com indicadores auditados por terceiros e baseados em dados primários coletados diretamente nas fazendas.
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A Mantiqueira, assim como outras empresas, caso da Raiar Orgânicos, tem apostado na produção de ovos com uma pegada mais sustentável, atentas às exigências e às preocupações crescentes de consumidores.
A companhia que conta com a JBS como sócia tem a linha Happy Eggs, de galinhas criadas soltas, em seu portfolio, além da Fazenda da Toca, especializada em ovos orgânicos.
A Raiar Orgânicos, por sua vez, atua com foco exclusivo na produção de ovos orgânicos - e, portanto, de alimentos orgânicos aos animais.
Fertilizante orgânico
Outra parte importante na produção de ovos é a destinação correta dos dejetos das aves. Na Mantiqueira, esse material se torna fertilizante orgânico, produzido em três polos no país: em Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás.
Ao todo, a produção da Solobom, braço da empresa responsável pelo adubo orgânico, produz mais de 100 mil toneladas anuais do material.
Segundo a empresa, o fertilizante já é utilizado em culturas como cana-de-açúcar, café, soja e milho, em diferentes regiões do país.
No início de 2025, a JBS acertou a compra de 50% da Mantiqueira, em uma operação que marcou a entrada da maior processadora de carnes do mundo no segmento de ovos.
O negócio permitiu à Mantiqueira avançar na expansão fora do Brasil. Em novembro de 2025, a empresa anunciou a aquisição da Hickman’s Egg Ranch nos Estados Unidos.
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