Bloomberg — Trabalhadores da JBS no Colorado iniciaram uma greve nesta segunda-feira (16) devido a supostas práticas trabalhistas injustas em um dos principais frigoríficos de carne bovina dos EUA, no mais recente risco para o abastecimento de carne do país.
Cerca de 3.800 trabalhadores da unidade em Greeley começaram uma paralisação de duas semanas na manhã de segunda-feira, de acordo com comunicado do sindicato United Food and Commercial Workers Local 7.
Na semana passada, a entidade havia dado aviso prévio de sete dias para a greve após não ter avançado nas negociações de um novo contrato com a maior produtora de carne do mundo.
Leia também: JBS prevê expansão de capacidade em 2027 após reformas e investimentos nos EUA
A greve ocorre em um momento em que a indústria de processamento de carne enfrenta escassez de gado, com o menor rebanho dos EUA em décadas levando os preços da carne bovina nos supermercados a níveis recordes.
Frigoríficos vêm reduzindo operações diante da severa falta de animais, com a Tyson Foods fechando uma unidade de abate de gado em Nebraska e diminuindo atividades em uma instalação no Texas.
A paralisação em um momento em que o volume de abate já está baixo deve elevar os preços da carne bovina, escreveu Chris Lehner, da ADM Investor Services, em nota divulgada na semana passada.
“É provável que compradores de carne tenham aumentado a contratação antecipada de volumes, mas isso também limitará a quantidade de carne disponível no mercado diário”, afirmou.
Ainda assim, o impacto da greve pode ser limitado, já que a JBS afirmou que transferirá temporariamente a produção para outras unidades a fim de evitar interrupções no abastecimento de carne aos consumidores.
Embora um porta-voz da JBS tenha preferido não divulgar a capacidade de processamento da unidade de Greeley, Ben DiConstanzo, analista sênior de pecuária da Walsh Trading, disse que ela pode ser a maior planta de processamento de gado pronto para abate nos EUA.
A instalação mantém parceria com mais de 175 produtores e paga US$ 3,1 bilhões por ano pela compra de animais, segundo o site da JBS.
O sindicato decidiu iniciar a greve após meses de negociações sem acordo.
Em comunicado, afirmou que a JBS se recusou a se reunir com os trabalhadores durante o fim de semana para evitar a paralisação e que a melhor proposta da empresa ainda não acompanha a alta do custo de vida e dos prêmios de seguro.
A JBS disse na semana passada que mantém sua proposta de contrato.
Kim Cordova, presidente do sindicato, afirmou que os trabalhadores estão tomando medidas mesmo com uma parcela significativa dos funcionários nos EUA sob o programa Temporary Protected Status (TPS), o que os deixa vulneráveis a mudanças nas políticas de imigração.
O presidente dos EUA, Donald Trump, tem buscado restringir o programa, que permite que pessoas de países em crise trabalhem temporariamente nos EUA.
Veja mais em bloomberg.com
Leia também
Família Batista reorganiza J&F em plano para melhorar acesso ao mercado de dívida
Na Mantiqueira, galinhas já se alimentam com farelo rastreável por blockchain
Natal da proteína: MBRF acelera sinergias para ampliar ‘market share’ no Brasil
© 2026 Bloomberg L.P.








