Bloomberg — As importações chinesas de soja do Brasil diminuíram drasticamente, à medida que os preços elevados reduzem as margens de lucro da indústria de esmagamento, aumentando o risco de uma escassez de oferta no maior consumidor mundial caso essa desaceleração persista.
As compras comerciais de soja brasileira caíram para menos de cinco cargas nas últimas duas semanas, ante uma média semanal de cerca de 20 em agosto, segundo traders familiarizados com o assunto ouvidos pela Bloomberg News.
As empresas de processamento estariam perdendo dinheiro ao processar os suprimentos sul-americanos, afirmaram os traders, que pediram para não terem seus nomes divulgados, pois não estavam autorizados a falar com a mídia.
Os compradores também aguardam sinais sobre o comércio bilateral provenientes da cúpula entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping.
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As processadoras privadas na China têm dependido fortemente da soja brasileira desde que as tensões entre as duas maiores economias do mundo se intensificaram na última safra, afirmaram. No entanto, o ritmo atual das compras pode não ser suficiente para atender à demanda.
Os EUA e a China vêm discutindo reduções de tarifas sobre alguns produtos, incluindo produtos agrícolas americanos. Os traders estão atentos para saber se a sobretaxa adicional de 10% sobre a soja dos EUA poderá ser removida em meio às negociações em Washington, tornando os suprimentos mais atraentes para as usinas comerciais na China.
“Em 2025, a China não teve alternativa e continuou comprando do Brasil até o final do ano”, afirmou Raphael Mandarino, diretor-gerente da AgResource Brasil.
Empresas estatais já intensificaram as compras de soja dos EUA, à medida que Pequim se empenha em cumprir sua promessa de adquirir pelo menos 25 milhões de toneladas anualmente até 2028. As vendas ultrapassaram a marca da metade no início deste mês.
Os processadores privados, no entanto, evitaram em grande parte os suprimentos dos EUA devido às altas tarifas, o que os deixou dependentes do Brasil, o maior exportador mundial. Essa opção está se tornando cada vez menos econômica. As usinas de processamento enfrentam prejuízos de cerca de 150 yuans (US$ 22,3) por cada tonelada de soja brasileira com embarque em novembro e de 470 yuans nos embarques de dezembro, de acordo com a consultoria Mysteel.
O Brasil não oferece mais a vantagem de preço que tinha durante as recentes safras dos EUA, escreveram analistas da corretora Stag International em um relatório na terça-feira. A soja com embarque em novembro no porto de Paranaguá foi negociada com um prêmio de US$ 1,35 por bushel em relação aos futuros de Chicago e estava mais cara do que as cargas do Golfo dos EUA.
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A redução da oferta, após o país latino-americano ter vendido grandes quantidades quando os futuros de Chicago dispararam em agosto, também está impulsionando os preços. Mais de 91% da safra anterior já foram vendidos, em comparação com uma média de cinco anos de 88%, segundo a AgRural. Os agricultores estão retendo os estoques restantes na esperança de preços mais altos, afirmou Daniele Siqueira, analista da consultoria.
Enquanto isso, os estoques dos EUA estão aumentando à medida que a última safra entra em andamento. Os estoques do país costumam se tornar cada vez mais dominantes no mercado global no quarto trimestre.
A China e os EUA concordaram em prorrogar sua trégua comercial por dois meses, embora o secretário do Tesouro, Scott Bessent, tenha afirmado não saber “se um acordo mais abrangente poderá ser fechado”.
“O que determinará o prêmio da soja da safra anterior do Brasil não é a demanda chinesa atual”, disse Mandarino. “É o que vier de Washington na quinta e na sexta-feira.”
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