Bloomberg — A União Europeia fará uma auditoria no Brasil no fim de agosto que pode permitir que as exportações brasileiras de carne de frango escapem de um embargo previsto para entrar em vigor em 3 de setembro.
A Comissão Europeia, braço executivo da UE, conduzirá uma auditoria sobre produtos para os quais o Brasil apresentou garantias por escrito de que cumpre as exigências do bloco quanto ao uso de antibióticos na produção animal, afirmou a porta-voz da Comissão, Eva Hrncirova, em comunicado enviado à Bloomberg News.
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Carne bovina e ovos não fazem parte da auditoria porque o Brasil não consegue garantir o cumprimento das regras da UE destinadas a evitar o uso excessivo de antimicrobianos ao longo de toda a vida dos animais, acrescentou Hrncirova. Isso reduz significativamente as chances de as exportações brasileiras de carne bovina escaparem do embargo europeu.
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Se o resultado da auditoria for positivo, a Comissão poderá considerar uma alteração na lista de exportadores autorizados para reincluir o Brasil nas exportações de carne de frango e mel, disse Hrncirova.
A medida, porém, dependerá de uma votação dos Estados-membros da UE. A auditoria resultará em um relatório “nas semanas seguintes”, o que mantém o cronograma apertado, inclusive para os produtos avícolas brasileiros.
Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa os exportadores de frango, afirmou que a auditoria está prevista para 24 de agosto e que existe “de fato a possibilidade” de evitar o embargo da UE.
Ele acrescentou que antimicrobianos não são usados na produção de frango destinada ao mercado europeu.
“A missão tem um escopo específico, que é verificar se a camada adicional de supervisão que a UE pediu ao Brasil para implementar está efetivamente em funcionamento”, afirmou Santin.
“Estamos passando por um ciclo com essa camada adicional. Nossas práticas de produção não mudaram: sempre segregamos a produção e isso continuará.”
A UE deixou o Brasil, pela primeira vez, fora da lista de países autorizados a fornecer produtos de origem animal ao bloco em maio, surpreendendo o país.
Desde então, os dois lados mantêm negociações para tentar evitar uma interrupção total das exportações de produtos que representaram US$ 1,8 bilhão em importações da UE em 2025, segundo dados do Ministério da Agricultura.
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