Aperto no campo: agricultores dos EUA sofrem com a alta dos preços de fertilizantes

Tarifas sobre produto importado e escassez levaram os preços ao maior níveis desde 2016 em relação a uma cesta de futuros de grãos; grupos fazem pressão sobre Trump para reduzir tarifas

Fertilizer
Por Gerson Freitas Jr.
28 de Agosto, 2025 | 04:59 PM

Bloomberg — Os preços dos fertilizantes subiram, corroendo os lucros dos agricultores americanos e aumentando a pressão sobre o governo Trump para que reduza as tarifas sobre os principais nutrientes agrícolas.

A escassez de suprimentos e as preocupações com as tarifas elevaram os custos dos produtos à base de potássio, nitrogênio e fosfato, no momento em que os agricultores têm ganhado menos com suas colheitas.

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Recentemente, um benchmark norte-americano de preços de fertilizantes atingiu o nível mais alto desde pelo menos 2016 em relação a uma cesta de futuros de grãos e sementes oleaginosas - superando até mesmo as altas observadas na época da invasão da Ucrânia pela Rússia.

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Os Estados Unidos obtêm a grande maioria de seu potássio - usado na produção de milho e soja, as duas maiores culturas do país - do Canadá, cujos suprimentos são, em sua maior parte, isentos de tarifas nos termos do acordo de livre comércio entre os EUA, o México e o Canadá, o USMCA.

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As taxas ainda se aplicam a remessas gerais de fertilizantes de outros produtores, incluindo Catar e Arábia Saudita.

“A incerteza tarifária certamente foi um fator que elevou os preços dos fertilizantes, mesmo com as isenções concedidas para a maioria dos fertilizantes”, disse Daniel Cole, analista da Bloomberg Intelligence, por e-mail.

Embora outras questões - incluindo a decisão da China de restringir algumas exportações e as recentes interrupções de produção no Oriente Médio - também tenham alimentado a alta, o setor de fertilizantes “tem estado em grande parte confuso desde a aplicação das tarifas”.

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O aperto destaca a pressão financeira sobre os agricultores - muitos dos quais permanecem fiéis apoiadores de Trump - à medida que enfrentam a queda nos preços das safras e as contínuas interrupções no comércio.

Embora o governo tenha apoiado firmemente os agricultores em questões importantes, como as cotas de mistura de biocombustíveis, ele ainda não abordou as preocupações crescentes em relação à acessibilidade econômica.

Cortar as tarifas de importação de fertilizantes ofereceria “o alívio mais rápido para os agricultores”, disse o senador republicano Chuck Grassley, de Iowa, em um post no X no início desta semana.

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Em outra postagem, ele disse que os preços do milho caíram bem abaixo dos custos de produção enquanto os agricultores se preparam para colher uma safra recorde.

As tarifas restringiram os embarques de fosfato e potássio para os Estados Unidos, e espera-se que “permaneçam baixos” por causa das tarifas, disse a produtora Mosaic no início deste mês.

O governo Trump tomou medidas para apoiar o aumento da produção doméstica de minerais, incluindo o potássio.

O Serviço Geológico dos EUA propôs esta semana incluir o potássio em uma lista de minerais críticos - mais um passo para abrir caminho para um apoio político mais amplo.

O Fertilizer Institute, uma associação do setor, também tem pressionado para que o potássio seja designado como um mineral crítico, a fim de obter uma melhor justificativa para isenções tarifárias.

Na terça-feira (26), o governador de Illinois, JB Pritzker, disse que um projeto para produzir um ingrediente-chave para fertilizantes nitrogenados, há muito tempo adiado, tem avançado depois de chegar a um acordo de crédito fiscal com o Departamento de Comércio do estado.

A instalação de US$ 2 bilhões, que será construída pela Cronus Chemicals, está em obras há quase uma década.

Enquanto isso, a CF Industries Holdings se uniu à Jera, a maior concessionária de energia do Japão, e à empresa comercial Mitsui para construir a maior fábrica de amônia de baixo carbono do mundo.

A instalação na Louisiana, que deverá iniciar a produção comercial em 2029, terá uma capacidade anual de aproximadamente 1,4 milhão de toneladas métricas.

-- Com a colaboração de Ilena Peng e Erin Ailworth.

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