Bloomberg — No município mato-grossense de Vila Bela da Santíssima Trindade, uma faixa recém-nivelada de terra vermelha avança até a remota fronteira seca do Brasil com a Bolívia. As máquinas pavimentam ali uma rodovia estadual financiada pelo agronegócio.
A estreita estrada de terra que continua do lado boliviano deverá passar por transformação semelhante, à medida que sojicultores e pecuaristas brasileiros encontram novas oportunidades econômicas no país vizinho, atraídos por terras mais baratas e regras mais permissivas para o desmatamento.
Um dos países mais pobres da América Latina, a Bolívia atravessa uma grave crise: a inflação disparou, as receitas do gás natural despencaram, e as reservas de moeda estrangeira estão esgotadas. Em maio, protestos eclodiram em todo o país e se prolongaram por semanas, abalando o governo do presidente Rodrigo Paz.
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O governo Paz aposta na soja e em outras commodities agrícolas para gerar o crescimento de que o país tanto precisa, enquanto produtores brasileiros olham cada vez mais para além de suas fronteiras em busca de oportunidades de investimento.
Muitos já chegaram, junto com grupos de religiosos menonitas vindos do Canadá, México e Paraguai, para estabelecer fazendas no sudeste do país, em uma parte da bacia amazônica conhecida como Chiquitania.
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A abertura de áreas para a pecuária e o cultivo de soja é o principal motor do desmatamento na Amazônia. Onde estradas são pavimentadas, a derrubada da floresta costuma vir em seguida. O Brasil intensificou a fiscalização e, como resultado, a destruição da Amazônia despencou no país. Na Bolívia, porém, o desmate vem avançando rapidamente.
O Brasil, que abriga dois terços da Amazônia, ainda ocupa o primeiro lugar mundial em área de floresta tropical perdida a cada ano, segundo o Global Nature Watch, do World Resources Institute.
No entanto o desmatamento começou a cair no início dos anos 2000 e recuou acentuadamente desde 2023, graças à ofensiva do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O país anunciou em 7 de agosto que se aproxima da sua menor taxa de desmatamento anual em décadas.
A Bolívia, muito menor que o Brasil, registrou em 2025 a segunda maior área de perda de floresta tropical do mundo. Desde 2001, cerca de um sexto de sua cobertura arbórea desapareceu — a maior proporção entre os países amazônicos.
Devastado por incêndios florestais e pela expansão agropecuária, o bosque seco chiquitano, que também alcança o oeste do Mato Grosso, é a maior floresta tropical seca das Américas, conhecida por uma biodiversidade singularmente adaptada.
Ela perdeu uma parcela maior de sua vegetação original do que qualquer outro bioma da bacia amazônica, tornando-se o ecossistema mais ameaçado da região.
O município de San Ignacio de Velasco, no departamento boliviano de Santa Cruz, é o epicentro do problema. Apenas entre 2021 e 2023, perdeu uma área de floresta aproximadamente equivalente à Grande Londres, segundo uma análise de imagens de satélite feita pela revista boliviana Nómadas.
Uma comparação das taxas de desmatamento na Bolívia e no Brasil desde 1987, monitoradas pela rede de pesquisa MapBiomas, mostra que as trajetórias dos dois países estão se afastando de forma acentuada.
À medida que o Brasil endurece o combate à derrubada da floresta, áreas baratas e ainda pouco desenvolvidas do outro lado da fronteira atraem o agronegócio. Mas a perda das florestas bolivianas corrói os avanços de conservação obtidos no Brasil — e coloca em dúvida a estabilidade da Amazônia como ecossistema.
Cientistas advertem de que a Amazônia, fundamental para o clima e a biodiversidade do planeta, poderá começar a se transformar em uma paisagem mais seca, semelhante a uma savana, quando o desmatamento atingir o limiar de 20% a 25%. A região já perdeu 16% de sua vegetação nativa, segundo o MapBiomas. Um estudo concluiu ainda que o desmatamento contribuiu para a redução das chuvas sazonais.
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As mudanças já são perceptíveis no terreno.
“Há cada vez mais picos extremos de temperatura”, disse Jacob Teichroeb, que vive há 18 anos na comunidade menonita de Chihuahua, produtora de soja. “Acredito que isso esteja acontecendo porque mais terras estão sendo abertas e há menos floresta.”
Fernando Romero, que até esta semana era ministro do Planejamento e do Meio Ambiente da Bolívia, afirmou em entrevista à Bloomberg News que o país pode proteger a floresta e, ao mesmo tempo, ampliar o crescimento agrícola.
A resposta, segundo ele, é aumentar a produtividade. A Bolívia tem alguns dos menores rendimentos agrícolas da região, especialmente na soja, cuja produtividade média é de 2,3 toneladas por hectare, ante 3,7 toneladas por hectare no Brasil.
Tecnologias melhores e novos métodos poderiam, por si só, elevar a produção entre 20% e 30%, disse Romero, que anteriormente presidiu a principal associação de produtores de soja do país.
Segundo ele, autoridades elaboram um plano nacional de desenvolvimento com um eixo ambiental e já começaram a trabalhar em políticas de prevenção de incêndios e em novas regras para o financiamento climático.
O governo Paz, porém, que tomou posse em novembro passado, não reafirmou o compromisso da administração anterior de reduzir drasticamente o desmatamento. Em 4 de agosto, anunciou a extinção do Ministério do Planejamento, que supervisionava a política ambiental.
A NDC da Bolívia — sua contribuição nacionalmente determinada para o cumprimento das metas climáticas do Acordo de Paris — está sendo revisada, segundo Romero.
“Não podemos assumir compromissos que não estamos dispostos a cumprir”, afirmou. “Eu não poderia dar agora uma meta de redução de [desmatamento] 80% ou 70%. Isso seria irresponsável.”
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Enquanto o Brasil dispõe de um sistema robusto de monitoramento ambiental, sanções e fiscalização, a Bolívia ainda está “nos primeiros estágios” da construção de suas políticas de conservação, disse Stasiek Czaplicki, economista boliviano e analista ambiental.
O risco, segundo ele, é que uma nova fronteira agrícola seja aberta sem instituições suficientemente fortes para controlá-la.
A Rancho Dorado, uma fazenda na Chiquitania, ocupa uma área pouco menor do que o município de Belo Horizonte, com 30 mil cabeças de gado e 4 mil hectares de soja. Em fevereiro, a propriedade recebeu uma reunião de altos funcionários do governo e líderes empresariais da Bolívia e do Brasil.
O grupo incluía o ministro boliviano da Economia, José Gabriel Espinoza, e o então ministro da Agricultura do Brasil, Carlos Fávaro. Quase todos homens, usando bonés e chapéus de caubói, eles se sentaram ao redor de uma mesa de madeira polida em um varandão. Ao fundo, a carne assava em uma grande churrasqueira.
A discussão se concentrou na nova rodovia entre os dois países, que deverá estimular investimentos.
Eraí Maggi Scheffer, muitas vezes chamado de “o rei da soja” no Brasil, disse aos demais convidados, em português, que havia se reunido anteriormente por duas horas com o presidente Paz, encontro que o deixou “acreditando na nova Bolívia, acreditando no novo governo”.
A família Maggi Scheffer é proprietária do Grupo Bom Futuro, um gigante do agronegócio. A empresa está entre as maiores produtoras de soja do mundo — produto que o Brasil fornece em enormes quantidades à China — e controla vastas extensões de terra.
No ano passado, membros da família adquiriram uma grande área na Bolívia coberta pelo bosque chiquitano. A propriedade, anteriormente pertencente à fabricante de pisos de taco INPA Parket, está localizado a algumas dezenas de quilômetros da Rancho Dorado e tem aproximadamente o mesmo tamanho.
Em um relatório de 2022, o Conselho Boliviano de Certificação Florestal, uma organização sem fins lucrativos, descreveu a área como uma unidade certificada de manejo florestal amplamente preservada.
Uma representante local da INPA, Maria Leocadia Arias, afirmou não ter informações sobre a venda aos Maggi Scheffer e recusou um pedido de entrevista.
Eraí Maggi Scheffer não respondeu a diversos pedidos de entrevista, enviados por meio de sua assessoria de imprensa, sobre os investimentos de sua família na Bolívia, a compra da propriedade e as preocupações de que a expansão do agronegócio brasileiro possa acelerar o desmatamento na Chiquitania.
Fernando Maggi Scheffer, irmão e sócio da Bom Futuro, afirmou em entrevista durante o fórum empresarial Brasil-Bolívia na Fiesp, em São Paulo, que a propriedade não faz parte do Grupo Bom Futuro, mas pertence a holdings familiares. Segundo ele, a área não será inicialmente plantada com soja.
“Você entra como pecuarista. Não tem condições de você chegar e botar lavoura, fica muito caro”, afirmou. “Depois, com a degradação no futuro, você muda para soja.”
É uma sequência conhecida nas fronteiras agrícolas: primeiro o desmatamento e a pecuária; depois, as lavouras.
Do outro lado da fronteira, no Brasil, uma propriedade semelhante enfrentaria restrições rigorosas.
Pela legislação federal, até 80% da vegetação nativa amazônica teria de permanecer em pé. Qualquer supressão exigiria autorização prévia do órgão ambiental estadual, e a propriedade teria de estar inscrita no CAR (Cadastro Ambiental Rural).
O desmatamento ilegal na Amazônia pode resultar em multas de R$ 5.000 por hectare, além da possibilidade de sanções mais severas.
Na Bolívia, terras destinadas ao manejo florestal sustentável não podem ser legalmente abertas para a agricultura. Mas a ABT, autoridade governamental responsável por florestas e terras, pode aprovar uma mudança de uso do solo.
Grandes produtores na Chiquitania geralmente são obrigados a conservar pelo menos 30% da área da propriedade. A fiscalização, porém, é fraca, e a multa por desmatamento é baixa: atualmente, os infratores pagam cerca de R$ 460 por hectare.
As consequências da fiscalização frouxa aparecem nos dados. A Trase, organização sem fins lucrativos que mapeia cadeias de suprimentos agrícolas para expor suas relações com o desmatamento, constatou que a soja boliviana tem uma pegada de desmatamento maior que a brasileira.
Fernando Maggi Scheffer afirmou que a nova estrada é essencial para reduzir os custos logísticos e conectar a região às rotas de exportação. Uma estrada precária e informal já liga San Ignacio à fronteira brasileira, mas, sem um posto alfandegário oficial, ela tem sido usada principalmente para o contrabando de gado.
O trecho de 73 quilômetros do lado brasileiro deverá ser concluído em dois anos. O Ministério da Agricultura do Brasil afirmou que ajudará a coordenar as conversas entre setores públicos e privados e a discutir opções de financiamento, inclusive com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, para prolongar a estrada por mais 130 quilômetros rumo até San Ignacio.
As mudanças preocupam as comunidades indígenas chiquitanas da região, que reúnem mais de 100 mil pessoas. Antonio Chuvé dirige o cabildo indígena chiquitano de San Ignacio, uma instituição que no passado exercia alguma autoridade administrativa e hoje funciona principalmente como organização cultural combinando a devoção católica com a cultura chiquitana.
Segundo ele, o agronegócio trouxe mais empregos, mas também mais ansiedade com o futuro do seu povo, por perda de espaço.
Marcela Chuvé (sem parentesco com Antonio Chuvé) dirige uma organização que representa 63 comunidades chiquitanas. Ela solicitou formalmente à ABT que não alterasse o uso do solo designado para a área anteriormente pertencente à INPA.
Segundo Marcela, a propriedade abrange nascentes d’água que abastecem três territórios indígenas: Monteverde, San Antonio de Lomerío e Sapocó. A abertura da área para pecuária ou agricultura, alertou, seria devastadora para as comunidades localizadas rio abaixo.
“As necessidades de algumas pessoas não podem ser atendidas à custa de outras”, afirmou. “Mato Grosso” — o principal polo do agronegócio brasileiro — “pode ser considerado o melhor modelo do Brasil, ou até do mundo, mas não é um modelo para nós, porque vai nos prejudicar.”
A pressão é visível do alto, em um sobrevoo até o Parque Nacional Noel Kempff Mercado, uma das áreas de conservação mais importantes do leste da Bolívia.
Suas cachoeiras e floresta densa permanecem em grande parte intactas, mas a fronteira agrícola está avançando em direção às suas bordas. O parque há muito enfrenta pesca ilegal, contrabando de madeira e tráfico de drogas. Agora, a expansão do desmatamento representa uma nova ameaça.
“Assim como devemos nos preocupar em proteger Noel Kempff, também precisamos nos preocupar com a área fora do parque”, disse Gregory Thaler, cientista social ambiental da Universidade de Oxford.
Em seu livro de 2024, Saving a Rainforest and Losing the World (salvando uma floresta tropical e perdendo o mundo, em tradução livre), Thaler argumenta que o modelo de conservação do Brasil reduziu o desmatamento dentro do país, mas ajudou a empurrar a expansão agrícola para a Bolívia, onde a regulação é mais fraca.
Se Noel Kempff sobreviver “apenas como uma ilha em um mar de gado e pastagens”, afirmou Thaler, “nada terá sido realmente salvo”.
O plano de Romero de elevar a produtividade agrícola sem ampliar a área ocupada tem como modelo brasileiro o estado de Mato Grosso. Brasil e Bolívia compartilham uma fronteira mais longa do que a existente entre os Estados Unidos e o México, e aproximadamente um quarto dela passa por Mato Grosso, cuja paisagem e condições agrícolas se assemelham muito às de Santa Cruz.
Para muitos formuladores de políticas públicas e produtores bolivianos, o estado brasileiro oferece um poderoso exemplo do que o desenvolvimento liderado pelo agronegócio pode alcançar.
O crescimento de Mato Grosso foi impulsionado não apenas por terras baratas e férteis, mas também por tecnologia, pesquisa e investimentos de capital. Entre 2000 e 2022, a produção agrícola do estado cresceu 7% ao ano, enquanto a produtividade por hectare aumentou 6,4% anualmente, quase o dobro da média brasileira, segundo estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Os resultados econômicos foram expressivos. Em valores corrigidos pela inflação, a economia de Mato Grosso cresceu cerca de 42,5% entre 2015 e 2023, em comparação com 15,9% na Bolívia durante o mesmo período. Em 2023, o Produto Interno Bruto per capita de Mato Grosso era cerca de quatro vezes maior que o da Bolívia.
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Fernando Maggi Scheffer afirmou que sua família vê a Bolívia tanto como oportunidade de negócios quanto como uma chance de reproduzir a transformação que ajudou a promover em Mato Grosso. Ele descreveu a Bolívia de hoje como semelhante ao estado brasileiro de quatro ou cinco décadas atrás.
“É um país que precisa de tecnologia e empregos”, disse Fernando. “É realmente um lugar muito pobre.”
Ele acrescentou que, com a nova rodovia, a Bolívia poderia se conectar à infraestrutura logística já construída para sustentar o crescimento das exportações de Mato Grosso.
Nos últimos meses, Eraí Maggi Scheffer tem atuado não apenas como investidor, mas também como articulador político de uma integração mais profunda entre Santa Cruz e Mato Grosso. Ele levou o recém-eleito governador de Santa Cruz, Juan Pablo Velasco, para visitar o estado brasileiro e se reuniu pela segunda vez, em São Paulo, com o presidente Paz.
No fim de julho, ele e outros investidores brasileiros voaram para San Ignacio de Velasco durante a feira agropecuária anual da cidade. Cerca de 20 jatos particulares lotaram o pequeno aeroporto municipal, indicando as mudanças que podem estar por vir, e Paz assinou um acordo para iniciar o planejamento do trecho boliviano da rodovia.
O exemplo de Mato Grosso sustenta um princípio importante da política brasileira de conservação conhecido como land sparing, ou “poupança de terras”. A ideia é que, diante de restrições rigorosas ao desmatamento, os produtores intensifiquem a produção nas terras já abertas, em vez de derrubar novas áreas de floresta. A produção agrícola aumenta enquanto a floresta remanescente é mantida intacta.
Na visão de Thaler, porém, a fiscalização mais rígida no Brasil ajudou a redirecionar o desmatamento para o outro lado da fronteira, na Bolívia. À medida que os preços da terra subiram no Brasil e a abertura de novas áreas se tornou mais difícil, produtores passaram a buscar lugares mais baratos e com proteções ambientais mais leves. A Bolívia oferecia as duas coisas.
O land sparing acaba deslocando o desmatamento para outros lugares, afirmou Thaler, de modo que os países “trocam conservação local por destruição global”.
Políticos brasileiros rejeitam a ideia de que o país esteja exportando a pressão do desmatamento. Jorge Viana, um dos aliados mais próximos de Lula na Amazônia e ex-governador do Acre, afirmou durante uma visita de Paz a São Paulo, em março, que o Brasil havia reduzido o desmatamento sob Lula e recuperado sua credibilidade internacional.
Questionado se novas estradas e vínculos com o agronegócio poderiam transferir a perda florestal para a Bolívia, respondeu: “Não”.
Ainda assim, reconheceu que “todo projeto de infraestrutura rodoviária na Amazônia exige atenção e cuidado”.
Tasso Azevedo, ex-funcionário do governo federal que ajudou a elaborar a bem-sucedida ofensiva brasileira contra o desmatamento e coordenador do MapBiomas, afirma que o aumento da derrubada na Bolívia é impulsionado menos pelas restrições brasileiras do que pelas próprias condições bolivianas.
Ao mesmo tempo em que os Maggi Scheffer avançaram sobre a Bolívia, “eles continuaram se expandindo no Brasil o tempo todo”, afirmou.
Azevedo comparou o argumento contrário ao land sparing à ideia de que o Brasil não deveria controlar a inflação porque investidores poderiam se mudar para a Argentina.
“Você não pode deixar de fazer uma boa política pública simplesmente porque o capital se move”, afirmou.
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Paz, um conservador apoiado pelo agronegócio, chegou ao poder após duas décadas de governos socialistas e prometeu estimular os investimentos estrangeiros. Em uma declaração conjunta divulgada em março, Paz e Lula estabeleceram uma ampla agenda de cooperação em infraestrutura, energia, mineração, agricultura, segurança e comércio.
O documento não incluiu nenhum compromisso específico de redução do desmatamento. No entanto, celebrou estudos para uma ponte internacional ligando Guayaramerín, no departamento boliviano de Beni, a Guajará-Mirim, em Rondônia, facilitando o acesso a uma vasta e pouco conectada região da Amazônia.
A relação de Lula com a Bolívia reflete um pragmatismo mais amplo. O líder de esquerda buscou manter relações de trabalho com governantes de direita, incluindo Paz e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com quem se reuniu na Casa Branca em maio.
Mas, enquanto concorre à reeleição em novembro, o futuro das políticas de combate ao desmatamento de Lula dentro do Brasil permanece incerto. Seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro, é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, cujo governo enfraqueceu as proteções ambientais e acompanhou uma disparada do desmatamento amazônico, que atingiu o maior nível em 15 anos em 2021.
Para alguns aliados de Bolsonaro, as regras ambientais mais flexíveis da Bolívia não são um alerta, mas um exemplo a ser seguido. O deputado estadual de Mato Grosso Gilberto Cattani (PL) afirmou em abril sentir “uma boa inveja” do país vizinho.
Independentemente do resultado da eleição brasileira, Czaplicki, o economista ambiental, afirma que o governo boliviano precisa elevar as penalidades pelo desmatamento ilegal e fortalecer seu próprio planejamento territorial.
Novas estradas e uma fiscalização frouxa estão transformando o desmatamento em um negócio especulativo, afirmou, no qual a floresta pode ser comprada a baixo custo e derrubada, rapidamente valorizando a terra.
Quando as novas estradas forem abertas, disse ele, “temo o pior para as florestas da Bolívia”.
-- Com a colaboração de Sergio Mendoza.
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