Bloomberg — O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou que o país vai votar contra o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. “A França decidiu votar contra a assinatura do acordo”, publicou em uma rede social.
O anúncio foi feito enquanto produtores rurais franceses levavam dezenas de tratores até a Torre Eiffel e outros pontos turísticos de Paris para pressionar o governo a não apoiar o acordo de livre comércio da UE com países sul-americanos.
A decisão ocorre na véspera de uma reunião crucial em Bruxelas, na qual os embaixadores da UE poderão aprovar o acordo com os países do Mercosul. Os sindicatos agrícolas afirmam que o tratado os colocaria em concorrência desleal.
Segundo Macron, a França é favorável ao comércio internacional, “mas o acordo UE-Mercosul é de outra época, negociado depois de muito tempo e sobre bases antigas demais”, disse o presidente.
“Se a diversificação comercial é necessária, o ganho econômico do acordo será limitado para o crescimento francês e europeu (+0,05% sobre o PIB em um horizonte de 2040). Isso não justifica expor as fileiras agrícolas sensíveis e essenciais a nossa soberania alimentar.”
A França provavelmente estará entre uma minoria de países que se opõem ao acordo há muito adiado, destacando a relativa fraqueza de Macron no cenário europeu.
Ursula von der Leyen, chefe do braço executivo da União Europeia, esperava assinar o acordo, que vem sendo elaborado há 25 anos, em uma cúpula em dezembro. Mas a oposição da França, da Itália e da Polônia atrasou a assinatura, que agora pode acontecer na próxima semana.
Embora a França, juntamente com um grupo de países menores, continue se opondo, eles não têm a maioria necessária para bloquear a proposta, uma vez que a Itália agora está pronta para apoiá-la.
O acordo só precisa do apoio de uma maioria qualificada dos 27 Estados-membros da UE para ser aprovado.
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“Estamos protestando há dois anos”, disse à BFMTV Hubert Ellie, presidente da Coordenação Rural da região de Charente-Maritime. “Houve anúncios, promessas foram feitas, mas não houve ações concretas. Sem isso, nossas fazendas vão morrer.”
Caso haja acordo, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar o tratado já na próxima semana.
Os protestos com tratores se somam à crescente turbulência política na França, após repetidas quedas de governo desde as eleições legislativas antecipadas de 2024.
Depois de não conseguir aprovar um projeto de lei de orçamento completo em dezembro, o governo minoritário de Sebastien Lecornu caminha para mais um confronto com os parlamentares nas próximas semanas devido aos planos para conter o déficit.
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Os agricultores vêm se dirigindo à capital há vários dias, atendendo a um chamado por mobilização do sindicato Coordination Rurale. Lecornu recebeu os líderes dos maiores sindicatos agrícolas no início desta semana e deve fazer alguns anúncios nos próximos dias.
Na manhã desta quinta-feira (8), dezenas de tratores estavam estacionados ao redor do Arco do Triunfo, no topo da avenida Champs-Élysées, e em outras áreas da capital e arredores. Forças policiais foram vistas posicionadas ao redor dos manifestantes.
Nesta quinta-feira, a porta-voz do governo, Maud Bregeon, disse para a rádio France Info que a manifestação com tratores em Paris era ilegal.
Cabe ao presidente Emmanuel Macron e Lecornu decidirem como a França votará sobre o Mercosul, mas, até o anúncio desta quinta, as condições do país ainda não haviam sido atendidas, acrescentou Bregeon.
“Não somos contra acordos comerciais por princípio”, disse Bregeon. “Estamos simplesmente dizendo que os acordos comerciais devem ser justos e igualitários, e o Mercosul não é justo nem igualitário.”
Nas últimas semanas, agricultores na França também têm bloqueado estradas em protesto contra o abate de gado, medida adotada como parte de medidas rigorosas para combater doenças que afetam animais.
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