Bloomberg Línea — A próxima visita do Papa Leão XIV ao Uruguai, à Argentina e ao Peru, em novembro, volta a colocar em destaque o potencial do turismo religioso, um segmento que, a cada ano, atrai milhões de pessoas na América Latina e no Caribe.
O pontífice, nascido nos Estados Unidos e naturalizado peruano, realizará sua viagem apostólica de 6 a 17 de novembro. Ele permanecerá no Peru de 11 a 17 de novembro e visitará Lima, Chiclayo, Cusco e Pucallpa, que já se preparam para recebê-lo.
Sua visita, em um contexto complexo para o país, marcado pela violência e pela desigualdade, pode se tornar um impulso para fortalecer a fé, a fraternidade e a busca pela paz, conforme declarou o cardeal Carlos Castillo, arcebispo de Lima, em uma entrevista recente à Vatican News.
No âmbito do turismo, a visita do chefe máximo da Igreja Católica poderia atrair até 1,5 milhão de visitantes, entre peruanos e estrangeiros, de acordo com a Câmara Nacional de Turismo do Peru (Canatur).
O fluxo esperado terá impacto sobre hotéis, restaurantes, transporte, comércio e artesanato, mas também levanta a questão de como as cidades podem aproveitar a chegada dos peregrinos para oferecer opções além das atividades religiosas.
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Criando experiências
A visita também mostra a dimensão de um mercado que vai muito além das viagens papais. De acordo com a Rede Mundial de Turismo Religioso (RMTR), cerca de 400 milhões de pessoas viajam anualmente para destinos religiosos, das quais cerca de 80 milhões o fazem na América Latina e no Caribe.
A esse respeito, o diretor da RMTR para as Américas, Adrián Lomello, afirmou na I Jornada Especializada de Turismo Religioso, realizada neste mês em Lima, que a região possui recursos para desenvolver o turismo religioso, mas que ainda é preciso transformá-los em produtos capazes de proporcionar uma experiência completa aos visitantes.
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“Temos recursos, mas um recurso que não se transforma em um produto com uma narrativa, com uma infraestrutura, com uma campanha de divulgação, com comercialização e com atendimento aos visitantes, por si só, não serve para nada”, destacou Lomello, em um vídeo publicado pela Canatur.
O especialista acrescentou que o desenvolvimento do turismo religioso exige a criação de um conjunto de atividades em torno dos locais de culto, para que o visitante possa conhecer, aproveitar e permanecer mais tempo na comunidade.
O Peru é um dos países onde essa discussão já começa a tomar forma. A visita de Leão XIV pode servir para conectar os locais ligados à sua trajetória com outros atrativos culturais, históricos e gastronômicos.
Em Lambayeque, a expectativa em torno da visita a Chiclayo pode se estender a outras atrações da região, como as pirâmides de Túcume, o Museu das Tumbas Reais de Sipán, Pimentel e sua oferta gastronômica. O potencial econômico também está entre os argumentos para desenvolver essa oferta.
Lomello mencionou que o investimento relacionado a grandes eventos religiosos pode ter um efeito multiplicador e que, no caso da visita de Leão XIV, os recursos destinados à sua preparação poderiam gerar um retorno de até seis vezes o valor investido, além do posicionamento internacional do destino, da mobilização dos jovens e do impacto espiritual.
O especialista citou como referência uma visita papal à Espanha em junho passado, onde um investimento conjunto do Estado, do setor privado e da Igreja de cerca de € 25 milhões teria gerado um retorno próximo a € 125 milhões. “Todos ganham dinheiro quando muitas pessoas vêm compartilhar nossas festas espirituais”, acrescentou.
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Principais destinos de turismo religioso na América Latina
A América Latina já conta com destinos que recebem milhões de visitantes por ano. Estes são os dez principais pontos de referência do turismo religioso na região, de acordo com as estimativas compiladas pela RMTR e citadas pela ACI Prensa:
- Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe — México: 20 milhões de visitantes por ano.
- Santuário de Nossa Senhora Aparecida — Brasil: 12 milhões de visitantes.
- Santuário de Nossa Senhora de Luján — Argentina: 10 milhões de visitantes.
- Santuário e Mosteiro de Las Nazarenas — Peru: 5 milhões de visitantes.
- Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Chiquinquirá — Colômbia: 4 milhões de visitantes.
- Basílica de Nossa Senhora do Rosário — Guatemala: 3,5 milhões de visitantes.
- Santuário de Nossa Senhora de El Quinche — Equador: 2,5 milhões de visitantes.
- Basílica de Nossa Senhora de Coromoto — Venezuela: 2 milhões de visitantes.
- Santuário da Virgem de Lo Vásquez — Chile: 1,5 milhão de visitantes.
- Basílica de Nossa Senhora da Altagracia — Higüey, República Dominicana: 1,5 milhão de visitantes.
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