Calor extremo leva bancos europeus a rever política de trabalho presencial, dizem fontes

JPMorgan, Deutsche Bank e instituições francesas adaptam regras de trabalho diante de ondas de altas temperaturas que expõem os impactos econômicos das mudanças climáticas, segundo pessoas ouvidas pela Bloomberg News

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Bloomberg — O JPMorgan Chase flexibilizou algumas das exigências mais rigorosas do setor financeiro quanto ao retorno ao escritório para seus funcionários em Londres depois que a capital do Reino Unido enfrentou temperaturas recordes.

No mês passado, o banco concluiu que a onda de calor era grave o suficiente para justificar que os funcionários discutissem acordos de trabalho remoto com seus gerentes, segundo uma pessoa a par da situação ouvida pela Bloomberg News. Ela pediu para não ser identificada ao discutir assuntos internos.

Essa abordagem mais flexível surge em um momento em que os londrinos enfrentaram o fechamento de escolas e interrupções no transporte público, após as temperaturas atingirem máximas históricas para o mês de junho.

No entanto, houve uma queda menor do que o esperado no comparecimento ao escritório, que registrou um declínio de apenas 15%, segundo a fonte. O fato de a sede do JPMorgan em Londres possuir ar-condicionado, enquanto a maioria das residências particulares no Reino Unido não possui, provavelmente teve influência, afirmou a fonte.

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Um porta-voz do JPMorgan, que conta com cerca de 13.000 funcionários em Londres, distribuídos entre os escritórios em Canary Wharf e Victoria Embankment, recusou-se a comentar.

O exemplo mostra como o aumento das temperaturas está afetando profissões que normalmente não são associadas às consequências físicas do calor extremo.

Há muito tempo está claro que agricultores, construtores e outros trabalhadores cujas funções exigem que permaneçam ao ar livre precisam de proteções em um mundo cada vez mais quente. Mas, à medida que recordes de calor continuam sendo quebrados, o risco de perturbações econômicas em diversos setores está aumentando, de acordo com um relatório recente do banco holandês ING Group.

Em Londres, uma das principais preocupações dos profissionais de escritório nas últimas semanas tem sido decidir se devem enfrentar viagens de trem que muitas vezes não têm ar-condicionado, mesmo que o destino seja um escritório equipado com ar-condicionado.

A alternativa é tentar trabalhar em uma residência que, muitas vezes, foi projetada para reter o calor, com apartamentos construídos nas últimas duas décadas que, às vezes, chegam a se tornar verdadeiras “armadilhas de calor”.

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“Toda a infraestrutura da cidade precisaria ser modernizada para que as pessoas e as empresas pudessem lidar bem com uma onda de calor”, afirma Frances Brown, líder global do setor de ambientes de trabalho na consultoria de engenharia Cundall.

Enquanto isso, a Uber Boat by Thames Clippers — o principal serviço de ônibus aquático de Londres — informou que o número de passageiros disparou em até 83% na última quinta-feira de junho, em comparação com o mesmo dia duas semanas antes.

Isso coincidiu com uma queda de 11% no número de passageiros que utilizaram as estações próximas aos escritórios do JPMorgan em Canary Wharf, segundo dados da Transport for London.

Nos escritórios do Citigroup em Londres, um porta-voz afirmou que o modelo de trabalho híbrido do banco funcionou bem durante a última onda de calor. O banco não sentiu necessidade de ajustar sua política, mesmo com a elevação das temperaturas, já que os funcionários já tinham liberdade para decidir se trabalhavam de casa ou no escritório, disse a fonte.

Em Paris, onde a temperatura ultrapassou os 40 °C no mês passado, os bancos têm flexibilizado os códigos de vestimenta para garantir que os funcionários não sofram com ternos projetados para um clima diferente.

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Nos escritórios franceses de pelo menos um banco global, os funcionários receberam permissão para comparecer vestindo shorts e camisetas, segundo uma pessoa que trabalha no escritório da empresa em Paris e que pediu para não ser identificada pelo nome.

Além disso, os bancos franceses também responderam às temperaturas recordes flexibilizando as exigências no local de trabalho, principalmente para permitir que os funcionários cuidem de seus filhos, já que as escolas fecham devido ao calor, segundo pessoas a par do assunto ouvidas pela Bloomberg News.

Entre os bancos que estão permitindo maior flexibilidade estão a Société Générale, o BNP Paribas e o Crédit Agricole, afirmaram essas fontes. Em vários casos, os funcionários foram autorizados a levar seus filhos para os escritórios com ar-condicionado, disseram algumas dessas fontes.

Porta-vozes dos bancos se recusaram a comentar.

Enquanto isso, os bancários mais jovens que não têm filhos têm comparecido ao trabalho em maior número para ficar em ambientes com ar-condicionado, segundo pessoas a par do assunto.

Assim como em Londres, um dos principais desafios para os parisienses que se dirigem ao escritório para escapar do calor é a viagem de metrô, que, em sua maior parte, não possui ar-condicionado.

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“É evidente que não estamos preparados para isso”, afirmou Éléonore Caroit, ministra delegada para a Francofonia, Parcerias Internacionais e Cidadãos Franceses no Exterior. “É realmente impressionante ver como as pessoas parecem ainda não ter consciência do quanto isso vai nos afetar.”

Em Frankfurt, por sua vez, os funcionários do Deutsche Bank estão discretamente indignados com a decisão da administração de não incluir um sistema de ar-condicionado de alta potência em uma grande reforma concluída há mais de uma década, segundo funcionários que falaram à Bloomberg News sob condição de anonimato.

No entanto, o Deutsche Bank ampliou as modalidades de trabalho remoto durante a onda de calor para os funcionários em funções que não exigiam presença no escritório, afirmaram eles.

Um porta-voz do Deutsche Bank se recusou a comentar.

Ao contrário de seus colegas de Wall Street, os banqueiros na Europa têm muito menos chances de ter aparelhos de ar-condicionado instalados em casa.

No Reino Unido, por exemplo, a tecnologia existe em apenas cerca de 7% dos lares, enquanto outros 8% possuem aparelhos portáteis mais baratos, que tendem a ser menos eficientes. No estado de Nova York, por sua vez, cerca de 90% dos lares dispõem de algum tipo de ar-condicionado.

Como a Europa é o continente que mais rapidamente está se aquecendo, encontrar maneiras de manter sua população fresca durante os meses mais quentes do ano está se tornando rapidamente uma prioridade política. Até agora, neste verão, recordes de calor já foram quebrados no Reino Unido, na Alemanha, na Espanha e na França. E as temperaturas provavelmente continuarão subindo, de acordo com especialistas em clima.

“As pressões que observamos hoje só tendem a piorar, pois ondas de calor como esta, daqui a dez anos, ultrapassarão os 40 °C”, afirmou Sarah Kapnick, diretora global de consultoria climática do JPMorgan e ex-cientista-chefe da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA. “E isso continuará acontecendo.”

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