1º de maio de 2026: devo trabalhar? Quanto devo receber a mais?

O feriado Dia do Trabalho cai numa sexta-feira em 2026. Saiba o que diz a CLT sobre obrigação de trabalhar no feriado, quanto você tem direito a receber e como funciona a folga compensatória

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Bloomberg Línea — Em 2026, o feriado de 1º de maio cai numa sexta-feira — o que significa uma emenda de fim de semana longa para muitos brasileiros. Mas nem todos podem deixar o trabalho de lado.

A resposta para as dúvidas mais comuns sobre trabalhar no Dia do Trabalho está na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Sou obrigado a trabalhar no dia 1º de maio?

A CLT, em seu artigo 70, veda o trabalho em dias feriados nacionais — e o 1º de maio é feriado nacional desde a era Vargas.

No entanto, a própria legislação prevê exceções. O trabalho em feriados é permitido para atividades que, por sua natureza, não podem parar: saúde, segurança, transporte, alimentação, energia, entre outras consideradas essenciais.

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Além disso, convenções coletivas e acordos entre empregados e empregadores podem autorizar o trabalho em feriados em praticamente qualquer setor.

No setor de comércio, a autorização para funcionamento de estabelecimentos comerciais em feriados depende da legislação municipal.

Se trabalhar no dia 1º de maio, quanto recebo a mais?

De acordo com a CLT, quem trabalha em feriado tem direito a receber o dia em dobro — ou a receber normalmente, desde que o empregador conceda uma folga compensatória em outro dia.

Na prática, existem três cenários possíveis:

  • Trabalhou no feriado, sem folga compensatória → salário do dia + 100% de adicional (pagamento em dobro).
  • Trabalhou no feriado, com folga compensatória concedida pelo empregador → remuneração normal, pois a folga substitui o adicional.
  • Regime 12×36 (como na saúde) → feriados já considerados compensados na remuneração mensal, conforme o Art. 59-A da CLT.

Como calcular o valor do dia trabalhado em feriado?

Divida seu salário mensal por 30 para obter o valor diário. Esse valor é pago em dobro se não houver folga compensatória. Para quem recebe por hora, multiplique o valor-hora pelas horas trabalhadas e some 100% de adicional.

Exemplo: um trabalhador com salário de R$ 3.000 mensais que trabalhar 8 horas no 1º de maio, sem folga compensatória, tem direito a receber R$ 100 extras além do salário normal do dia — totalizando R$ 200 pelo dia de feriado.

Existe diferença por categoria profissional?

A CLT prevê regras específicas para algumas categorias.

Operadores de telefonia, telegrafia e radiocomunicação (Art. 227): o trabalho em feriado é tratado como hora extraordinária, com remuneração definida por acordo individual ou convenção coletiva.

Tripulantes de embarcações (Art. 248): o trabalho em feriado é considerado extraordinário, exceto quando se trata de serviços essenciais de bordo — como vigilância, preparo de alimentação da tripulação ou manobras de porto.

Trabalhadores portuários (Arts. 262 e 291): o trabalho à noite e em feriados é considerado extraordinário e pago com acréscimo de 25% sobre as taxas ou salários da categoria.

E se o regime for 12×36?

Quem trabalha em regime de 12 horas seguidas por 36 horas de descanso — comum na saúde, em segurança e em outros setores — já tem os feriados cobertos pela remuneração mensal.

O artigo 59-A da CLT estabelece que a remuneração do regime 12×36 abrange os pagamentos devidos pelo descanso em feriados, que são considerados compensados.

Posso ser demitido por recusar trabalhar no feriado?

Se a atividade não é essencial e não há acordo coletivo ou convenção autorizando o trabalho em feriados, a recusa é legítima e o empregador não pode puni-lo por isso. Mas se o trabalho em feriados é uma condição prevista em contrato ou convenção coletiva — especialmente em setores essenciais —, a recusa injustificada pode caracterizar infração contratual.

Por que o 1º de maio é o Dia do Trabalho?

A data tem origem num episódio ocorrido em Chicago (EUA) em 1886, durante uma greve de trabalhadores que reivindicavam a redução da jornada diária — que chegava a 14 horas. O confronto ficou conhecido como a Tragédia de Haymarket: uma bomba explodiu durante a manifestação, a polícia abriu fogo contra os manifestantes, e oito trabalhadores foram condenados por conspiração, quatro deles executados.

Em 1889, a Internacional Socialista escolheu o 1º de maio como Dia de Luta da Classe Trabalhadora, em homenagem às vítimas. No Brasil, a data começou a ser comemorada por volta de 1891 e foi apropriada por Getúlio Vargas durante seu governo (1930–1945) para anunciar conquistas trabalhistas — inclusive a própria CLT, sancionada em 1º de maio de 1943.

Nos anos 1970, com o movimento do Novo Sindicalismo no ABC paulista e a liderança emergente de Lula, o caráter de luta da data foi retomado. Hoje, o debate se concentra em temas como o fim da escala 6×1, a redução da jornada semanal e a regulamentação do trabalho em plataformas digitais.

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