Seneca Evercore avalia se tornar banco ao ampliar área de crédito, diz sócio-fundador

Em entrevista à Bloomberg News, Daniel Wainstein afirma que a boutique brasileira de assessoria financeira tem ampliado a equipe e estuda pedir uma licença bancária

Daniel Wainstein, da Seneca Evercores
Por Cristiane Lucchesi - Giovanna Bellotti Azevedo
11 de Março, 2026 | 04:41 PM

Bloomberg — A Seneca Evercore, boutique brasileira de assessoria financeira apoiada pela Evercore, avalia obter uma licença bancária à medida que expande sua equipe e suas operações no país.

“Estamos crescendo muito em crédito, então estamos ampliando nossa plataforma e considerando a possibilidade de nos tornar um banco”, disse Daniel Wainstein, sócio-fundador da empresa, em entrevista à Bloomberg News no novo escritório da companhia em São Paulo, que tem o dobro do tamanho da antiga sede.

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A Seneca Evercore, especializada em assessoria em fusões e aquisições e reestruturação de dívidas, começou a estruturar títulos locais em 2024 para aproveitar o crescimento do mercado de crédito privado impulsionado pelos juros elevados.

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Com cerca de 50 funcionários, a empresa planeja ampliar em aproximadamente 30% a equipe de 14 pessoas responsável pelo relacionamento com clientes na área de mercado de capitais de dívida.

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Neste ano, a companhia liderou duas emissões de títulos imobiliários, conhecidos como CRIs, para a construtora FGR Incorporações, que captou R$ 312 milhões (US$ 60,6 milhões), segundo seu site.

Após atingir o recorde de R$ 513,5 bilhões em 2024, o volume total de emissões de títulos locais no Brasil caiu 4,1% no ano passado, para R$ 492,4 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg.

“Os quatro maiores bancos do Brasil tinham em seus balanços 90% do crédito corporativo local cinco anos atrás e agora têm 50%, enquanto nos Estados Unidos os bancos representam menos de 10% do crédito total”, disse Wainstein.

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“O mercado de capitais é o caminho natural para as empresas brasileiras obterem financiamento.”

A Evercore informou em 2021 que comprou uma participação de 20% na Seneca Evercore após um ano mantendo uma “aliança estratégica” com a empresa.

Wainstein, ex-sócio do Goldman Sachs, manteve a participação majoritária na companhia junto com outros executivos.

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