Bloomberg — O Mubadala Capital passou a adotar uma postura mais agressiva em fusões e aquisições, buscando avançar sobre transações complexas evitadas pelos gigantes do private equity e participar de aquisições bilionárias que muitos outros fundos soberanos costumam deixar de lado.
O braço de gestão de ativos alternativos do fundo soberano Mubadala Investment concordou neste mês em comprar a empresa americana de mídia out-of-home Clear Channel e se comprometeu a aportar US$ 3 bilhões em novo capital próprio no negócio.
Segundo Oscar Fahlgren, diretor de investimentos (CIO) do Mubadala Capital, esse é o tipo que transação que a gestora continuará buscando.
“Estamos em busca de grandes negócios complexos, nos quais possamos destravar essa complexidade e gerar alfa [ganhos acima da média] para nossos investidores”, disse Fahlgren, em entrevista à Bloomberg News.
“O acordo com a Clear Channel é um bom exemplo disso e, daqui para frente, vocês continuarão a nos ver analisando situações semelhantes.”
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A operação avalia a Clear Channel em US$ 6,2 bilhões, incluindo dívidas. A empresa possui um portfólio de ativos atrativos, mas vinha sendo afetada por elevados níveis de endividamento — mais de US$ 5 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Para o Mubadala Capital, a aquisição exemplifica um estilo de atuação que o diferencia tanto da controladora quanto da Abu Dhabi Investment Authority, que administra cerca de US$ 1 trilhão.

Enquanto esses fundos normalmente participam como investidores minoritários, a Mubadala Capital adotou uma abordagem distinta.
No fim de 2024, a gestora realizou uma de suas maiores apostas ao adquirir a CI Financial, em uma das maiores operações de fechamento de capital já feitas por uma entidade de Abu Dhabi no setor financeiro. O movimento ocorreu poucos meses após a conclusão da compra do Fortress Investment Group.
“Para a maioria dos grandes fundos de buyout hoje, a complexidade nas transações não é o cenário ideal”, afirmou Fahlgren. “Nós abraçamos a complexidade e mergulhamos fundo nessas situações para criar valor de longo prazo. Isso nos diferencia dos demais.”
US$ 430 bilhões em ativos
O Mubadala Capital administra, assessora e supervisiona mais de US$ 430 bilhões em ativos. A gestora é liderada por Hani Barhoush, ex-banqueiro do Merrill Lynch, que comanda o fundo desde sua criação e também chefia a plataforma de crédito e special situations da Mubadala Investment.
No total, a gestora conta com mais de 200 profissionais distribuídos por escritórios em Abu Dhabi, Nova York, Londres, São Francisco e Rio de Janeiro.
No Brasil, a gestora tem uma participação majoritária na Zamp, operadora brasileira das redes Burger King, Popeyes, Subway e Starbucks, é controladora da Acelen, empresa de energia que opera a Refinaria de Mataripe na Bahia, e tem uma participação relevante na Atvos, que atua no setor de açúcar e etanol. O Mubadala também controla a Clariens Educação, que opera faculdades de medicina, segundo informações de seu site.
Fundada em 2011, o Mubadala Capital integra um conjunto de entidades de Abu Dhabi que, juntas, supervisionam cerca de US$ 2 trilhões em ativos — um ecossistema que passou por mudanças significativas recentemente.
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A L’imad Holding Co. — presidida pelo príncipe herdeiro do emirado, Sheikh Khaled bin Mohammed — incorporou o fundo soberano ADQ no mês passado. Já a maior empresa listada de Abu Dhabi, a International Holding Co., criou recentemente uma nova holding de serviços financeiros responsável por cerca de 870 bilhões de dirhams (US$ 237 bilhões) em ativos.
Ao longo dos anos, o Mubadala Capital tomou uma série de iniciativas para se diferenciar do fundo soberano do emirado, seu controlador.
A gestora foi pioneira na captação e administração de capital externo de investidores institucionais globais — estratégia posteriormente adotada por outros fundos de Abu Dhabi. Também vendeu participações minoritárias em sua própria estrutura a investidores externos em duas ocasiões, algo incomum entre investidores soberanos.
O acordo mais recente ocorreu no ano passado, quando a TWG — firma de investimentos liderada por Mark Walter, fundador da Guggenheim Partners, e pelo investidor Thomas Tull — adquiriu uma participação na gestora. Ambos são parceiros da Mubadala Capital na operação com a Clear Channel.
“De certa forma, gostamos de nos enxergar como generalistas especializados”, disse Fahlgren. “Não buscamos processos competitivos de leilão e não acreditamos que comprar ativos de outros fundos de buyout no mercado vá gerar valor no longo prazo.”
“Estamos procurando oportunidades em áreas onde outros não atuam com tanta frequência”, acrescentou.
-- Com informações adicionais da Bloomberg Línea sobre as participações da gestora no Brasil.
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