Bloomberg — O primeiro semestre de 2026 deverá ser “intenso” no mercado de capitais de títulos de dívida e ações no Brasil, impulsionado por uma mudança global na demanda por ativos de mercados emergentes, segundo o CEO do Citi no Brasil.
“O apetite dos investidores estrangeiros pelo Brasil está enorme neste momento”, disse Marcelo Marangon, que está se mudando para Nova York para assumir a posição de co-head global de corporate banking do Citi, em entrevista à Bloomberg News.
Marangon disse que ainda é cedo para prever como será a demanda no segundo semestre do ano, mas afirmou que a eleição presidencial de outubro no Brasil “não é uma preocupação no momento”.
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O fluxo líquido de capital estrangeiro na bolsa do Brasil em janeiro atingiu R$ 26,3 bilhões, mais do que o volume total de todo o ano passado, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.
O Ibovespa subiu mais de 20% este ano, figurando entre os 10 índices de ações com melhor desempenho no mundo.
A subsidiária brasileira do Citi pagou à matriz R$ 5 bilhões em dividendos no ano passado, após o lucro saltar 28% em relação a 2024, atingindo o recorde de R$ 2,9 bilhões, disse ele.
A forte margem financeira de R$ 7,1 bilhões, um aumento de 11%, contribuiu para impulsionar os resultados, enquanto a carteira de crédito caiu 5,4%, para R$ 53 bilhões.
“Tivemos perdas com crédito muito pequenas”, disse Marangon, acrescentando que o Citi continuará “seletivo” na concessão de empréstimos este ano.
Atrasos de pagamento superiores a 90 dias representaram 0,8% da carteira de crédito brasileira da empresa sediada em Nova York, um percentual baixo considerando que a taxa básica de juros do país encerrou 2025 em 15%, o nível mais alto desde 2006.
Os juros elevados criam um ambiente difícil para as empresas pagarem suas dívidas em dia.
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O retorno sobre o patrimônio líquido atingiu 22%, impulsionado pelos fortes resultados do banco de investimento, segundo Marangon, cujo substituto no Brasil será um candidato interno, que deverá ser anunciado no próximo mês.
Este ano, o Citi participou de duas ofertas públicas iniciais de ações de empresas brasileiras nos Estados Unidos, após um hiato de quatro anos para essas transações.
O banco foi um dos coordenadores da oferta pública inicial do PicPay, controlada pela família Batista. Também esteve entre os bancos líderes na estreia do Agibank, que teve seu preço definido na terça-feira (10).
Marangon disse que também espera IPOs no mercado de ações brasileiro ainda este ano.
O banco participou de 27 operações envolvendo títulos locais brasileiros no ano passado, segundo dados compilados pela Bloomberg.
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Com um índice de capital de 13%, tem espaço para fazer mais operações, disse Marangon. Nos mercados globais de títulos, o Citi liderou 23 transações no ano passado para emissores brasileiros.
O total de ativos da unidade brasileira atingiu R$ 193 bilhões, enquanto os depósitos de clientes corporativos aumentaram 15%, para R$ 93 bilhões.
Com 2.200 funcionários, o Citi não possui presença no varejo no Brasil e atende indivíduos de alta renda por meio de seus negócios de gestão de fortunas em Miami, Nova York e Suíça.
O Citi Brasil pretende continuar investindo na digitalização de processos, como operações cambiais e gestão de liquidez, disse Marangon.
“Nossos lucros recorrentes devem permanecer fortes devido a esses tipos de investimentos estratégicos”, afirmou.
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