BTG Pactual consolida crédito corporativo como motor de expansão em ano de recordes

Banco liderado por André Esteves e Roberto Sallouti teve ROAE ajustado de 26,9% em 2025, versus 23,1% em 2024, com força de alavancagem operacional; franquia de Corporate Lending & Business Banking elevou receitas em 30%, para R$ 8,4 bi

Pátio Malzoni, onde fica a sede do BTG Pactual e outras companhias como o escritório do Google em São Paulo
09 de Fevereiro, 2026 | 10:19 AM

Bloomberg Línea — Em um ano de ambiente adverso com juros em patamares elevados pelo quarto exercício consecutivo e de maior risco na concessão de crédito corporativo, o BTG Pactual fez de sua franquia de Corporate Lending & Business Banking um de seus destaques - não o único, dado que houve resultado recorde em outras verticais.

O banco liderado por André Esteves e Roberto Sallouti alcançou receitas recordes de R$ 2,239 bilhões no quarto trimestre nessa franquia, resultado que atribuiu “ao crescimento das receitas recorrentes, a spreads competitivos e à gestão de risco disciplinada", segundo resultado divulgado nesta manhã de segunda-feira (9).

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No ano completo de 2025, as receitas dessa franquia também atingiram recorde anual de R$ 8,432 bilhões, com expansão de 29,5% na comparação anual.

“Os resultados foram impulsionados pela expansão contínua da carteira de crédito e por um aumento de 20 bps [pontos base] nos spreads ao longo do ano, refletindo menor custo de captação, originação bem diversificada e forte contribuição da estratégia de Special Situations", destacou o banco no documento com os números.

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Por meio da estratégia de Special Sits, o banco tem buscado identificar arbitragens de crédito em empréstimos e adquirir e capitalizar carteiras de empréstimos inadimplentes e ações judiciais - são arbitragens que podem surgir em vários contextos, que incluem o turnaround de grandes empresas.

Assim como já havia acontecido no exercício de 2024, mas desta vez de forma mais ampla, essa franquia - liderada pelos sócios Rogério Stallone e Gabriel Motomura - se consolidou como a que gerou mais receitas para o BTG, à frente de Sales & Trading (R$ 7,175 bilhões), que fez a fama do banco por muito tempo.

Na mensagem da administração que acompanhou o relatório de resultados, o BTG destacou que a carteira de crédito manteve crescimento considerado robusto, com avanço de 18,3% na base anual, para R$ 262,3 bilhões.

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O desempenho foi “sustentado pelo mix diversificado de produtos, diferentes segmentos de clientes e geografias, além da redução contínua do custo de funding".

Ao tratar de “geografias”, o banco faz referência à expansão dos negócios voltados para empresas em países como o Peru, com outros em vista na América Latina, conforme destacado pelo CEO em entrevista concedida à Bloomberg Línea em outubro passado durante em evento em Bogotá, na Colômbia.

Sallouti destacou a diversificação dos negócios do BTG Pactual como um dos destaques do balanço em post no LinkedIn nesta manhã: “os resultados de 2025 refletem os investimentos que fizemos na última década para entrar em produtos e segmentos de mercado de que não participávamos.”

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É o caso, por exemplo, da área de crédito para pequenas e médias empresas, cuja atuação ganhou peso crescente em particular a partir do começo desta década, junto com a operação de banco digital de varejo para clientes pessoa física.

“Ainda que majoritariamente concentrada em produtos com garantias — como desconto de recebíveis e antecipação de recebíveis de cartão de crédito —, seguimos ampliando nossa oferta de produtos bancários para PMEs, com destaque para o lançamento do BTG Pay e o avanço das soluções de cash management", destacou o banco em seu documento.

Não por acaso, a entrada do banco em adquirência e a oferta de serviços de cash management foram destacados por Sallouti como alguns dos destaques na agenda para 2026 em mensagem transmitida durante a reunião anual com investidores no fim de novembro passado - acompanhada e contada em reportagem da Bloomberg Línea.

Recorde em Investment Banking

No resultado consolidado de todas as franquias, o BTG Pactual apresentou ROAE (Return on Average Equity) ajustado de 26,9% no ano cheio de 2025, acima dos 23,1% no ano de 2024 - o que “demonstra nossa capacidade de gerar retornos sustentáveis e de reforçar a criação de valor de longo prazo para clientes e acionistas”, apontou o banco no relatório com os dados.

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No quarto trimestre, o retorno sobre o patrimônio líquido médio ajustado chegou a 27,6%.

As receitas do banco totalizaram R$ 33,039 bilhões em 2025, com expansão de 32% na base anual, enquanto o lucro líquido ajustado ficou em R$ 16,685 bilhões, com avanço de 35% na mesma comparação. Em ambas as métricas, os números absolutos reportados significaram um recorde na história do banco.

“Mesmo em um ambiente de juros elevados, encerramos o ano com recorde de receitas em todas as linhas de negócio, ao mesmo tempo em que mantivemos forte alavancagem operacional”, destacou o BTG Pactual no documento.

Outra franquia de destaque foi a de Investment Banking (IB), que alcançou receitas igualmente recordes de R$ 2,498 bilhões, com avanço anual de 19%.

A área comandada pelo sócio Guilherme Paes entregou esse resultado com impulso de números recordes em DCM (Debt Capital Markets) e M&A.

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Emissões de dívidas coordenadas pelo banco somaram US$ 14,620 bilhões em 2025, com crescimento de 37,4% na base anual, como reflexo de um mercado que segue aquecido para a captação de empresas.

O desempenho do IB do BTG Pactual aconteceu a despeito, portanto, de uma atividade de ECM (Equity Capital Markets) que mostrou recuperação e crescimento perto de 100% em volume de operações encerradas em 2025 versus 2024, mas que segue muito abaixo do desempenho histórico recente antes do período prolongado de escassez de ofertas de ações no ambiente de juros mais elevados.

Em outra métrica relevante, o banco chegou ao fim de 2025 com R$ 2,482 trilhões em ativos sob gestão (AuM e WuM - Assets under Management e Wealth under Management), depois de captações líquidas (Net New Money) de R$ 354 bilhões no ano passado e de R$ 108 bilhões no quarto trimestre.

Com valorização da ordem de 90% nas units negociadas na B3, em patamar próximo ao seu all-time high, o banco (BPAC11) tinha valor de mercado de R$ 345 bilhões neste começo da semana, antes da abertura da negociação à vista.

-- Em atualização.

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