Bloomberg — Grandes áreas de escritórios em Londres foram vendidas a incorporadoras de hotéis, que buscam aproveitar a forte queda nos valores dos imóveis e a retomada da demanda por viagens após a pandemia.
Desde 2019, quase 370 mil metros quadrados de escritórios na capital britânica foram vendidos a investidores que pretendem convertê-los — área suficiente para encher oito vezes o arranha-céu Gherkin, segundo dados compilados pela CoStar Group.
A maior parte desse volume — 251 mil metros quadrados — foi negociada nos últimos dois anos.
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A disparada da inflação e a alta dos juros após a pandemia desorganizaram o mercado de escritórios da cidade e derrubaram os valores. Ao mesmo tempo, o retorno da demanda por viagens depois dos lockdowns ajudou a sustentar o apetite dos investidores por hotéis.
As diárias, que mudam diariamente — ao contrário dos contratos de locação de longo prazo típicos dos escritórios — também permitem que os donos de hotéis repassem custos mais altos de forma imediata.
“Sem dúvida é uma tendência que se consolidou ao longo dos últimos 24 meses”, disse Felix Rabeneck, diretor de investimentos no centro de Londres da corretora Savills Plc. “As pessoas começaram a pensar em usos alternativos nos quais os valores possam ser maiores.”

A mudança na demanda por escritórios após a pandemia e regras ambientais cada vez mais rígidas tornaram obsoletas grandes áreas de escritórios em localizações periféricas, que passaram a ter dificuldade para encontrar inquilinos.
Diante de um cenário de demanda incerta e custos de construção em alta, incorporadoras de escritórios mostraram cautela em comprometer o capital necessário para modernizá-los, enquanto aguardavam maior clareza sobre o impacto de longo prazo do aumento do trabalho remoto.
Isso abriu caminho para uma série de conversões em hotéis nos limites do histórico distrito financeiro de Londres.
A Dominus Real Estate e a Cheyne Capital Management concluíram no mês passado a aquisição do Ibex House, em Aldgate, um bairro na borda leste da City of London. O empreendimento busca autorização de planejamento para converter o edifício de escritórios em estilo art déco em um hotel com 382 quartos.
Ao sul da City, a Whitbread comprou o Dorset House, na Stamford Street, um escritório que planeja transformar em um hotel Premier Inn com 400 quartos.
“A City of London registrou o maior volume de área negociada para conversões — mais de 1,3 milhão de pés quadrados entre 2019 e 2025”, disse Cristina Balekjian, diretora de análises de hotelaria no Reino Unido da CoStar Group.
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A onda de conversões provocou resistência em algumas áreas, incluindo Westminster, onde parlamentares buscam proteger escritórios que geram receitas fiscais relevantes por meio do regime britânico de impostos empresariais.
“Eles têm um mercado de escritórios um pouco mais forte, mas também uma visão de planejamento mais firme de que não querem perder mais áreas de escritórios para hotéis”, afirmou Rabeneck.
Ainda assim, a empresa imobiliária homônima do bilionário Surinder Arora avança com planos para converter um escritório no distrito de Victoria, em Londres, que adquiriu da Land Securities.
O Arora Group quer transformar o prédio, que anteriormente abrigava o Ministério da Justiça do Reino Unido, em um hotel ou em apartamentos para locação de curto prazo, disse Arora em entrevista à Bloomberg News.
A redução da oferta e o baixo volume de novos projetos agora ajudam a pressionar os aluguéis de escritórios para cima, já que empresas em busca de espaços novos e de alta qualidade encontram poucas opções.
Isso pode sinalizar o fim das conversões de escritórios em hotéis, pois incorporadoras que procuram o uso mais lucrativo para os imóveis esperam que aluguéis mais altos elevem as avaliações.
“Provavelmente veremos o pêndulo voltar para o outro lado”, disse Rabeneck, da Savills. “Os valores dos escritórios começam a se recuperar e, com isso, a viabilidade de conversões para hotéis tende a ficar mais marginal.”
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