Com R$ 1 trilhão sob gestão, Itaú Private vê tamanho como vantagem competitiva

Maior banco do Brasil atingiu marca dois anos antes do esperado com estratégia que concilia vantagens de sua escala, como tecnologia e experiências globais, com expansão regional, contam os diretores Paola Sarkis e Alex Ferreira à Bloomberg Línea

Complexo que recebe o Miami Open, cujo patrocinador principal é o Itaú (Foto: Divulgação)
29 de Janeiro, 2026 | 05:34 AM

Bloomberg Línea — No mercado de private banking, o atendimento personalizado é considerado um atributo fundamental. Não à toa, a proximidade com o cliente é associada como vantagem competitiva de gestoras boutiques, family offices e escritórios de consultoria, ou seja, casas de tamanho menor.

Isso não significa, no entanto, que grandes players não possam conciliar os dois mundos e fazer valer o seu tamanho como diferencial. É o que defende o Itaú Private Banking, em que o segmento de grandes fortunas atingiu R$ 1 trilhão em ativos sob gestão no fim de 2025, dois anos antes do planejado.

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Segundo os executivos Paola Sarkis, diretora comercial do Itaú Private, e Alex Ferreira, diretor regional do banco, a marca é um indicativo de que a escala pode ser um ativo, e não um obstáculo, para conquistar e fidelizar os clientes.

“O tamanho que temos atualmente nos proporciona investir em inovação, em tecnologia e em experiências que só algo nessa dimensão seria capaz de fazer”, afirmou Sarkis, citando eventos internacionais como o Miami Open e a Art Basel, ambos patrocinados pelo banco.

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“Tentamos sofisticar ainda mais territórios como arte, música e esportes para famílias que já são muito sofisticadas. O objetivo é proporcionar experiências que eles não podem comprar”, completou.

O novo cliente do private

A conquista da marca do R$ 1 trilhão antes do planejado veio ancorada por uma estratégia para conquistar o “novo cliente” potencial do private banking, um perfil que envolve principalmente novas gerações – tanto herdeiros de grandes fortunas quanto indivíduos que enriqueceram com seu trabalho.

O Itaú Private reduziu a faixa mínima de patrimônio de R$ 15 milhões para R$ 10 milhões. A mudança foi provocada por estudos conduzidos com consultoria externa ao longo de 2024, que identificaram uma expressiva transferência de recursos prevista para os próximos anos.

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Antes da mudança, o banco tinha uma faixa de entrada superior à da concorrência. Com o ajuste, passou a competir por um público que já tinha acesso a serviços de private no que Ferreira classifica como “nova concorrência”: gestoras menores e escritórios autônomos de investimentos.

Segundo o executivo, esses players mais recentes cresceram principalmente no interior do país, região que o Itaú Private passou a buscar privilegiar nos últimos dois anos em sua estratégia de expansão.

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Nos últimos três anos, o banco expandiu sua presença física de sete para 13 escritórios regionais ao incluir as cidades de Bauru (São Paulo), Fortaleza (Ceará), Goiânia (Goiás), Brasília, Salvador (Bahia) e Blumenau (Santa Catarina).

O movimento trouxe resultados acima da média do próprio Itaú. Enquanto o market share consolidado do banco no segmento private cresceu de 29% para 31%, nas regionais o avanço foi maior, de 21% para aproximadamente 27%.

“Nesse caso, ter mais proximidade e entender a realidade regional, no mesmo ambiente em que está o cliente mas também a empresa do cliente, é algo que tem trazido frutos ao longo do tempo”, explicou Ferreira.

A estratégia de expansão regional conta ainda com um foco em nichos temáticos, sendo o agronegócio o principal deles.

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Há dois anos, o banco abriu um escritório especializado em Goiânia, capital da região de maior representação do agro brasileiro, o Centro-Oeste. Hoje, o setor representa cerca de 9% da carteira do private.

“Nós enxergávamos o nicho sendo muitíssimo bem atendido no âmbito do negócio pelo Itaú BBA, mas havia a necessidade de um olhar complementar e patrimonial que abarcasse negócios, investimentos e família”, afirmou.

Além do agro, o banco tem apostado em outros nichos temáticos como os setores de tecnologia, entretenimento e esportes.

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