Número de novos unicórnios no mundo despencou de 621 em 2021 para 95 em 2023 (Foto: Krisztian Bocsi/Bloomberg)
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Bloomberg Opinion — Já se passou uma década desde que o termo “unicórnio” foi criado pela investidora de venture capital do Vale do Silício, Aileen Lee, para descrever startups que atingiram valuation de US$ 1 bilhão.

O nome logo tornou-se cobiçado. No entanto, atualmente, os unicórnios não são tão raros. Após atingir um pico nos dias de glória de 2021, o número de startups unicórnios criadas globalmente está agora em declínio. Passou de 621 em 2021 para 95 em 2023, segundo a empresa de inteligência de mercado CB Insights, graças em parte às taxas de juros mais altas e ao maior escrutínio dos investidores.

De certa forma, essa foi uma correção saudável. No entanto, como a ascensão da inteligência artificial (IA) generativa ameaça criar um novo rebuliço no mercado, os investidores devem manter seu foco em startups com fundamentos sólidos, bem como em promessas de longo prazo. Eis um novo nome para as empresas que se encaixam nesse perfil: puro-sangue.

Essas são empresas que geram pelo menos US$ 100 milhões em receita anualmente, de acordo com Saul Klein, fundador da LocalGlobe, empresa de venture capital de Londres, que vem pressionando por uma mudança nos termos no mundo dos investimentos. Startups com US$ 25 milhões ou menos em faturamento anual são chamadas de colts, ou “potros”, acrescenta.

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Ele não é o primeiro a tentar direcionar a conversa para um investimento mais racional com uma metáfora relacionada a uma criatura. Outros propuseram dragões ou centauros, embora Klein queira evitar animais míticos. “Não se trata apenas de esperança e promessa, mas de esperança e promessa vezes fundamentos”, diz ele.

As últimas décadas mostraram que a nova tecnologia pode remodelar os setores e apresentar um crescimento exponencial, por isso o capital de risco se tornou uma das classes de ativos com melhor desempenho na última década, de acordo com o Morgan Stanley.

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Mas o rótulo de “unicórnio” fugiu do controle, e as startups por vezes recorreram a medidas desesperadas para alcançar o cobiçado status o mais rápido possível.

Algumas se envolveram em várias rodadas de captação em períodos curtos para atingir o limite mágico de US$ 1 bilhão, ao passo que outras se voltaram para tendências como blockchain ou IA para capitalizar o hype do mercado.

A WeWork ficou famosa por divulgar metas de crescimento irrealistas à medida que seu valuation ultrapassava em mais de dez vezes os níveis de um unicórnio.

A Europa é um bom lugar para mudar o foco para a receita, graças às suas exigências de transparência. As startups da região ainda estão atrasadas em relação ao Vale do Silício em sua capacidade de captar financiamentos mais altos e em estágios posteriores, o que dificulta o aumento de escala para se tornar a próxima Microsoft (MSFT) ou Alphabet (GOOGL).

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Mas as empresas locais de venture capital já priorizam modelos de negócios sustentáveis em vez de métricas de valuation, em parte porque podem ver os números com mais clareza.

Ao contrário de suas contrapartes nos Estados Unidos, as startups europeias estão sujeitas a regulamentações mais rigorosas que exigem divulgações financeiras.

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Embora seja quase impossível descobrir os números da receita de empresas norte-americanas como a Scale.ai, de São Francisco (que acabou de levantar US$ 1 bilhão em um valuation de US$ 14 bilhões) ou a Anthropic (que se diz valer entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões), é possível obtê-los facilmente para qualquer empresa privada com pelo menos dois sócios no Reino Unido, uma vez que todas as empresas registradas devem apresentar demonstrações financeiras anuais à Companies House, o órgão de registro do governo.

Até agora, os investidores institucionais europeus levaram essa abordagem longe demais e evitaram investir seu dinheiro em novas tecnologias muito promissoras.

Quando o laboratório de IA DeepMind decolou, seus fundadores tiveram dificuldades para encontrar apoiadores que investissem mais de 30.000 libras esterlinas (US$ 38.000) na empresa e, em vez disso, tiveram que ir até o Vale do Silício para pedir os milhões de que precisavam a pessoas como Peter Thiel e Elon Musk. Por fim, o Google comprou a DeepMind por US$ 650 milhões.

Outro obstáculo foi fato de os investidores europeus serem persuadidos a cumprir seu dever patriótico ao “apoiar” ecossistemas locais de tecnologia. Um exemplo é o presidente francês Emmanuel Macron, cuja meta é criar 25 unicórnios até 2025. Os investidores se perguntaram – com razão – “para quê?”, diz Klein. “Esses projetos científicos são as economias para a aposentadoria das pessoas. Não somos instituições de caridade”.

Para mudar a maré, pode ser útil para os investidores institucionais verem o grande número de startups “puro-sangue” em todo o país e na região europeia como um todo.

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Os investidores britânicos, por exemplo, estão prontos para fazer apostas maiores agora que seus provedores de pensão nacionais – que administram ativos no valor de cerca de US$ 3 trilhões – se comprometeram a destinar 5% de seus fundos padrão para “ações não listadas” até 2030, dando um impulso ao setor de tecnologia do país.

Seria vantajoso prestar atenção nas 118 startups do Reino Unido que geram mais de US$ 100 milhões em receita, de acordo com a empresa de inteligência de mercado Dealroom.io.

As próprias startups também devem resistir à inveja do status de unicórnio. No longo prazo, o sucesso pode se tornar tão mítico quanto o nome.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e de seus proprietários.

Parmy Olson é colunista da Bloomberg Opinion e escreve sobre tecnologia. Já escreveu para o Wall Street Journal e a Forbes e é autora de “We Are Anonymous.”

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