Banco suíço alerta para perda de valor dos créditos de carbono

Para Lombard Odier, novas regras no mercado de carbono colocam em risco créditos de baixa qualidade, que não entregam neutralização

Floresta em Colville, Washington, Estados Unidos
Por Sheryl Tian Tong Lee e Heesu Lee
26 de Outubro, 2023 | 04:51 PM

Bloomberg — Novos padrões para o mercado global de neutralização de carbono ameaçam eliminar muito do valor dos créditos comprados pelos investidores, de acordo com o banco suíço Lombard Odier.

Na tentativa de melhorar a qualidade do mercado de créditos, de US$ 1,3 bilhão, as novas diretrizes do Conselho de Integridade para o Mercado Voluntário de Carbono exigem que os projetos incluam 40 anos de monitoramento e relatório de emissões, a fim de garantir que os créditos continuem a funcionar conforme o projetado.

“Muitas metodologias ou créditos existentes não atendem a esse requisito”, disse Lorenzo Bernasconi, chefe de soluções de carbono na Lombard Odier Investment Managers. Aqueles que não o fizerem “estarão sendo negociados a um preço muito mais baixo, se não forem completamente abandonados.”

Preocupações com créditos de baixa qualidade — que não entregam os benefícios prometidos de remoção ou de evitar emissões de carbono — estão abalando a confiança no mercado.

PUBLICIDADE

Os compradores usaram 11% menos de crédito de carbono este ano até agosto, em comparação com o mesmo período de 2022, segundo a BloombergNEF. O maior negociador de créditos de remoção de carbono do mundo, o Grupo Trafigura, tomou medidas recentes para proteger os clientes de créditos vinculados a um projeto florestal desacreditado.

Lançado em julho, os novos critérios do ICVCM já foram adotados pelo Verra, um dos maiores registros de compensação de carbono, juntando-se ao American Carbon Registry e Climate Action Reserve na imposição do requisito de monitoramento de 40 anos. Se mais registros seguirem o exemplo, isso poderia resultar em ativos legados sendo abandonados, disse Bernasconi.

O Verra disse em um e-mail que “muitos projetos” já atendem ou excedem o novo padrão, acrescentando que os projetos também podem ser atualizados para cumprir. O rival Gold Standard não realizou uma revisão, mas “acreditamos que a maioria de nossos projetos tem um período de crédito de mais de 40 anos”, disse a empresa em um e-mail.

PUBLICIDADE

Estimativas da Trove Research, uma empresa britânica de pesquisa em carbono, sugerem que menos de 20% dos projetos têm uma alta probabilidade de atender às novas diretrizes do ICVCM e aqueles que o fazem comandarão preços mais altos.

LEIA +
Remoção de carbono não é só para empresas. As pessoas também querem

Créditos incompatíveis com as metas globais de emissões líquidas zero, como recuperação de petróleo ou geração de eletricidade a carvão sem abatimento, também podem ser abandonados, disse Bernasconi.

A Lombard Odier, que administra US$ 220 bilhões, lançou sua estratégia Global Carbon Opportunity em novembro passado, investindo principalmente em créditos de conformidade para clientes institucionais.

O banco suíço está monitorando os mercados de conformidade em economias emergentes, incluindo China e Coreia do Sul, disse Bernasconi. Investidores estrangeiros ainda não podem participar, mas ele espera “apreciação significativa de preços” nos próximos três a cinco anos. Para se igualar aos mercados maduros, como a Europa, os preços teriam que aumentar dez vezes.

A Lombard Odier também é otimista em relação à demanda por créditos gerados pela conservação de florestas, disse Bernasconi, em parte porque alguns foram aprovados para uso por companhias aéreas sob o Esquema de Compensação e Redução de Carbono para Aviação Internacional, ou CORSIA.

Veja mais em Bloomberg.com

Leia também:

PUBLICIDADE

País busca R$ 10 bilhões no exterior para financiar terras neste ano

Crescimento da economia verde no Brasil esbarra em incerteza sobre políticas públicas