Bloomberg Línea — Os investidores nesta quinta-feira (11) têm novas razões para se preocupar, ao mesmo tempo em que situações que outrora traziam nervosismo agora aliviam os ânimos.
No Brasil, Gabriel Galípolo, indicado para assumir a diretoria de política monetária do Banco Central (BC), afirmou na quarta-feira (10) que não vai para a autarquia com a missão específica de baixar os juros, alvo constante de críticas por parte do presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.
Galípolo disse que tem boa relação com o presidente do BC, Roberto Campos Neto, e que “tem convicção de que toda a diretoria do Banco Central não tem nenhum tipo de satisfação, nem profissional nem pessoal, de ter um juro mais alto”.
Nos Estados Unidos, dados do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) divulgados ontem foram interpretados pelo mercado como um sinal de que o Federal Reserve (Fed) deve pausar o aperto monetário do país após um ano de aumentos das taxas e a recente crise bancária.
Mais cedo nesta quinta, o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) elevou sua taxa básica de juros para o nível mais alto desde 2008, dizendo que novos aumentos podem ser necessários se as pressões inflacionárias persistirem. O banco central do Reino Unido elevou sua taxa básica de juros em um quarto de ponto, como esperado, para 4,5%.
A China divulgou também uma inflação fraca para abril, caindo para uma taxa mínima de dois anos de 0,1% no mês passado, segundo o Departamento Nacional de Estatísticas chinês. Os números foram afetados em parte pela baixa base de comparação do ano passado. Os preços ao produtor caíram 3,6%, em grande parte devido aos custos mais baixos das commodities.
No cenário corporativo, a Disney (DIS) deixou a desejar nos resultados trimestrais segundo analistas, com as ações caindo nas negociações de pré-mercado depois de ter registrado uma queda no número de assinantes de seu serviço de streaming e ter previsto uma perda ainda maior neste trimestre.
O segmento direto ao consumidor da Disney, que inclui o principal serviço de streaming Disney+, sofreu uma perda de US$ 659 milhões no segundo trimestre fiscal que acabou de terminar, disse a empresa. Isso foi significativamente menor do que os US$ 850,3 milhões projetados pelos analistas e menos da metade do que era apenas dois trimestres atrás.
No Brasil, o mercado fica de olho na divulgação do resultado financeiro do primeiro trimestre da Petrobras (PETR3; PETR4) - que será divulgado após o fechamento do mercado hoje -, o primeiro sob o governo Lula.
Confira a seguir cinco destaques desta quinta-feira (11):
1. É hora de o Fed parar?
Sinais de moderação nas pressões de preços em abril darão às autoridades do Federal Reserve espaço para interromper sua agressiva campanha de aperto no próximo mês, embora a inflação ainda esteja muito alta para que os formuladores de políticas considerem cortar as taxas de juros. É o que aponta a visão que tomou conta do mercado no dia de ontem depois da divulgação do CPI.
O índice de preços ao consumidor subiu 4,9% em relação ao ano anterior, a primeira leitura abaixo de 5% em dois anos, mostrou um relatório do Bureau of Labor Statistics. Excluindo alimentos e energia, o chamado núcleo do índice de preços ao consumidor também esfriou ligeiramente, para 5,5%.
Mas talvez o mais importante para o Fed seja o fato de o relatório ter mostrado um aumento menor em alguns custos importantes de serviços, já que as passagens aéreas e os custos de hotéis diminuíram.
2. Petrobras no radar
De acordo com analistas ouvidos pela Bloomberg Línea, a estatal deve reportar uma queda do lucro líquido no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, impactada por preços menores de petróleo e pelo começo da taxa de exportação sobre óleo cru imposta pelo governo Lula, segundo estimativas de bancos de investimentos e corretoras.
O resultado líquido da petroleira deve alcançar entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões de janeiro a março, de acordo com sete casas consultadas pela Bloomberg Línea, ante R$ 44,7 bilhões no mesmo intervalo de 2022. O consenso Bloomberg prevê lucro líquido de R$ 30,6 bilhões para a companhia.
3. Mercados
Os futuros de ações dos Estados Unidos as ações europeias subiram, à medida que mais investidores disseram que o Federal Reserve provavelmente interromperá os aumentos das taxas de juros com base nos dados que apontam a inflação esfriando na maior economia do mundo.
Os contratos do S&P 500 e do Nasdaq 100 avançaram cerca de 0,3%. Nas negociações de pré-mercado dos EUA, a Disney caiu após prever uma perda maior para seu serviço de streaming neste trimestre.
4. Manchetes
Estadão: Waack: Lula subestima o tamanho das resistências que enfrenta e superestima as próprias virtudes
Folha de S. Paulo: Dino ganha protagonismo e gera incômodo no governo por estilo centralizador
O Globo: Derrame recorde: após derrota na Câmara, governo distribui R$ 700 milhões em um dia
Valor Econômico: Mais de R$ 120 bilhões evaporam de fundos de crédito privado
5. Agenda
Na zona do euro, acontece hoje, às 9h, no horário de Brasília, o pronunciamento de Isabel Schnabel, do Banco Central Europeu (BCE). Às 14h30, acontece o discurso de Luis de Guindos, também do BCE.
Nos Estados Unidos, às 9h30 são divulgados o núcleo do IPP, o IPP mensal e os pedidos iniciais por seguro-desemprego. Às 11h15, Christopher J. Waller, do Fed, discursa.
-- Com informações da Bloomberg News.
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