Enquanto aguardam o PIB dos EUA, investidores se animam com resultados da Meta

No entanto, operadores também monitoram as dificuldades do First Republic Bank e seus possíveis reflexos no setor bancário

Por

Barcelona, Espanha — Os mercados se movem orientados pela expectativa em relação ao PIB dos Estados Unidos no primeiro trimestre, que amplia o peso da agenda já carregada de balanços. Notícias do setor bancário também geram incertezas, enquanto o balanço positivo da Meta divide a atenção hoje com os números da Amazon, Mastercard e Deutsche Bank.

Leia também o Breakfast, a newsletter matinal da Bloomberg Línea: IA para decifrar as mensagens do Fed

Os futuros de índices dos Estados Unidos mostravam ganhos impulsionados pelo resultado da Meta (META), cujas ações subiram 11% na pré-abertura de mercado. O sinal é positivo também na maioria das bolsas europeias, com valorização de empresas do setor de farmacêuticas, embora as ações do Deutsche Bank tenham recuado depois de receitas decepcionantes.

Entre as bolsas asiáticas, o sinal foi positivo, com a perspectiva da Samsung de superar os desafio de demanda por chips até o final deste ano.

No mercado de dívida, o prêmio do título norte-americano para 10 anos subia ligeiramente para 3,468% às 6h28 (horário de Brasília). O dólar e a libra se depreciavam ante outras divisas, enquanto o euro se apreciava. A cotação do ouro e o contrato de petróleo WTI avançavam e bitcoin subia mais de 2%.

→ O que move os mercados hoje

🧨 Batata quente. O futuro do First Republic Bank (FRC) virou um problema que está sendo empurrado simultaneamente entre o governo dos EUA e bancos rivais do setor, cada um evitando assumir perdas e esperando que o outro salve a instituição. As ações do banco caíram 30% ontem, depois de um tombo de 49% na terça-feira, enquanto se discutia no Federal Deposit Insurance Corp (FDIC) se era o caso de reduzir a avaliação privada do banco, o que restringiria o acesso às linhas emergenciais do Fed.

📱 Prejuízo em chips. A Samsung encerrou o primeiro trimestre com lucro líquido de US$ 1,05 bilhão, abaixo da previsão, e com um prejuízo recorde de US$ 3,4 bilhões em sua divisão de chips de memória, em meio a uma crise de demanda no setor que a empresa espera superar ainda neste ano.

Alívio jurídico? A Apple (AAPL) poderia ter que pagar até US$ 1,85 bilhão, menos do que se previa (US$ 3,1 bilhões), caso seja considerada responsável por ganho ilegal no uso da tecnologia de oximetria de pulso em seu Apple Watch, que a empresa médica Masimo Corp alega ter desenvolvido. O júri ficará a cargo da decisão, o que poderia ser benéfico para a empresa.

🤖 IA em tudo. O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, disse que a empresa está bem posicionada na atual corrida de Inteligência Artificial e que a IA generativa deve impactar todos os aplicativos e serviços da empresa dona do Facebook, Instagram e WhatsApp. “Uma posição financeira mais forte nos permitirá enfrentar um ambiente volátil enquanto permanecemos focados em nossas prioridades de longo prazo.

🇨🇳 Indústria patina. A indústria chinesa reportou nova queda no lucro no primeiro trimestre. A retomada da atividade no país ainda não foi capaz de compensar uma nova queda de preços e os ganhos do setor caíram 21,4% em relação ao primeiro trimestre de 2022.

🧪 Ganho acima. A farmacêutica francesa Sanofi obteve lucro de €2,16 por ação, indo além da projeção do mercado, de €2, com ajuda da expansão das vendas do medicamento Dupixent, que trata vários problemas, incluindo asma. As vendas totais da empresa no período somaram €10,2 bilhões, com alta de 5,7%.

🏦 Lucro menor. O lucro do Deutsche Bank caiu 26%, para €206 milhões no período entre janeiro e março. A receita foi 12% menor e somou €610 milhões, devido ao recuo das transações. Ainda assim, a divisão de gestão de ativos conseguiu captar €5,7 bilhões no período, superando a previsão de €4,6 bilhões para o período, e o volume de ativos sob gestão aumentou em €19 bilhões, para €841 bilhões.

🌾 Ajuda chinesa. A Syngenta fechou o primeiro trimestre com ganho líquido de US$1,9 bilhão, um aumento de 1% sobre o mesmo período de 2022, favorecida por vendas 26% maiores na China, que somaram US$3 bilhões. A gigante agroquímica suíça ainda espera fazer o que seria o maior IPO do mundo neste ano (US$9,4 bilhões), embora as negociações para a listagem na bolsa de Xangai tenham sido suspensas no mês passado.

🇺🇸 Ganhando tempo. A aceleração das receitas com arrecadação de impostos nos Estados Unidos pode livrar o país de entrar em inadimplência em junho, como previsto, segundo o Goldman Sachs. O aumento do pagamento de impostos verificado na terça-feira foi de 14% em relação a 2022, variação que, se for mantida nos próximos dias, pode permitir que o governo continue com seus pagamentos até o final de julho sem elevar o limite da dívida, batalha legislativa sobre a qual ainda não há acordo.

🟢 As bolsas ontem (26/04): Dow Jones Industrials (-0,68%), S&P 500 (-0,38%), Nasdaq Composite (+0,47%), Stoxx 600 (-0,83%), Ibovespa (-0,88%)

O aumento da cautela com o setor bancário e a queda das ações desse segmento, especialmente do First Republic Bank, eclipsaram parte dos ganhos de empresas do setor de tecnologia após balanços melhores do que o previsto, como os do Google e da Microsoft, que encerraram em alta.

Saiba mais sobre o vaivém dos Mercados e se inscreva no After Hours, a newsletter vespertina da Bloomberg Línea com o resumo do fechamento dos mercados.

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

• EUA: PIB/1T23, Gastos do Consumidor/1T23, Vendas Pendentes de Moradia/Mar, Índice de Atividade Industrial-Fed Kansas, Pedidos Iniciais de Seguro Desemprego/Fev

• Europa: Zona do Euro (Confiança do Consumidor e Empresarial/Abr, Expectativa de Inflação/Abr); Espanha (Vendas no Varejo/Mar, Taxa de Desemprego/1T23); Itália, Espanha e Portugal (Confiança Empresarial/Abr);

• Ásia: Japão (Taxa de Desemprego/Mar, Vendas no Varejo/Mar, Produção Industrial/Mar)

• América Latina: Brasil (IGP-M/Abr, Crescimento do Setor de Serviços/Fev); México (Balança Comercial/Mar)

• Bancos centrais: Decisão sobre juros do Banco do Japão (BoJ)

• Balanços: Amazon, Mastercard, Eli Lilly, Merck&Co, AstraZeneca, Unilever, Intel, Caterpillar, Basf, Barclays, Deutsche Bank

🗓️ Os eventos de destaque na semana →

(Com informações da Bloomberg News)

Leia também:

CEO do UBS aponta impactos iniciais com integração do Credit Suisse