Vagas de emprego nos EUA caem abaixo de 10 milhões pela 1ª vez desde 2021

Resultado do relatório JOLTS sugere um desaquecimento da demanda por mão de obra, embora o mercado de trabalho continue apertado para o Fed

A força do mercado de trabalho continua sendo um obstáculo importante para o Fed, que busca reduzir a inflação para sua meta de 2%
Por Reade Pickert
04 de Abril, 2023 | 01:08 PM

Bloomberg — O número de vagas de emprego nos Estados Unidos caiu em fevereiro para o nível mais baixo desde maio de 2021, sugerindo um arrefecimento na demanda por mão de obra em alguns setores. No entanto, o resultado ainda indica um mercado de trabalho muito apertado para o Federal Reserve (Fed).

O número de vagas disponíveis caiu para 9,9 milhões em fevereiro, ante 10,6 milhões no mês anterior, mostraram os dados revisados da Pesquisa de Vagas de Emprego e Rotatividade de Trabalho do Departamento do Trabalho, ou JOLTS, divulgados nesta terça-feira (4). As vagas ficaram abaixo de todas as estimativas em uma pesquisa da Bloomberg com economistas.

Os números, que podem ser voláteis mensalmente, sugerem que a oferta e a demanda de trabalho estão atingindo um equilíbrio. Ainda assim, é necessário mais avanço – particularmente no setor de serviços – para ajudar a aliviar as pressões salariais. A força do mercado de trabalho continua sendo um obstáculo importante para o Fed, que busca reduzir a inflação para sua meta de 2%.

O rendimento do título do Tesouro de dois anos, o mais sensível às taxas de juros, caiu após a divulgação dos dados.

PUBLICIDADE

O relatório JOLTS mostrou que a chamada taxa de demissões, que mede os desempregados voluntários como uma parcela do emprego total, subiu para 2,6%. Isso equivale a cerca de 4 milhões de americanos. As demissões aumentaram nos serviços prestados às empresas, nos serviços de hospedagem e alimentação e no comércio.

A proporção de vagas para desempregados caiu para 1,67 em fevereiro, a menor desde novembro de 2021, de quase 1,9 no mês anterior. Antes da pandemia, essa relação era de cerca de 1,2.

O que diz a Bloomberg Economics:

“O relatório JOLTS de fevereiro mostra que o mercado de trabalho está esfriando de forma inequívoca, com a demanda por mão de obra se movendo mais de acordo com a oferta. A maior parte do afrouxamento ocorreu por meio de um declínio nas vagas de emprego, o que deve ajudar a aliviar as preocupações do Fed com uma potencial espiral de salários e preços”.

Stuart Paul, economista

As autoridades do Fed acompanham de perto a relação entre vagas abertas e o número de desempregados. O elevado número de vagas de emprego é uma das razões pelas quais o banco central pode ser capaz de esfriar o mercado de trabalho - e, portanto, a inflação - sem um consequente aumento do desemprego.

As maiores quedas nas vagas foram em serviços empresariais, saúde e assistência social e transporte, armazenamento e serviços públicos. As vagas aumentaram em construção, recreação e entretenimento. Embora as contratações tenham diminuído, as demissões também diminuíram.

As empresas com menos de 10 funcionários experimentaram o maior declínio nas vagas de emprego em termos percentuais. As vagas caíram em todas as quatro regiões dos Estados Unidos.

Queda das vagas de emprego

Olhando para o futuro, espera-se que a recente turbulência no setor bancário leve os credores a apertar ainda mais as condições de crédito, algo que deve reduzir os gastos do consumidor, bem como sufocar o investimento empresarial. Dado que as empresas tendem a congelar as contratações antes de iniciar demissões, o relatório JOLTS será um indicador-chave da força do mercado de trabalho nos próximos meses.

PUBLICIDADE

Os dados precedem o relatório mensal de empregos de sexta-feira. A expectativa é de que o um aumento de quase 250 mil novos empregos em março. Os economistas esperam que a taxa de desemprego se mantenha em um nível historicamente baixo de 3,6% e que o salário médio por hora suba firmemente.

Alguns economistas questionaram a confiabilidade das estatísticas do JOLTS, dada a baixa taxa de resposta da pesquisa. No final do ano, a taxa de resposta do JOLTS caiu para cerca de 31%, aproximadamente metade da taxa de apenas três anos antes.

-- Com a colaboração de Jordan Yadoo e Augusta Saraiva.

Veja mais em Bloomberg.com

Leia também

Crise bancária ainda não acabou e será sentida por anos, diz CEO do JPMorgan

Estrategista mais otimista de Wall St diz: ‘é a calmaria antes da tempestade’

Petróleo amplia rali após corte surpresa da Opep+ e maior otimismo de traders