Bloomberg Línea — A sexta-feira (3) é mais um dia intenso para os investidores globais. Por aqui, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar o Banco Central (BC).
No cenário corporativo, os principais acionistas da Americanas (AMER3) estão oferecendo informalmente uma injeção de R$ 10 bilhões na varejista para acalmar os ânimos dos credores.
A Oi (OIBR3), que anunciou estar em uma segunda recuperação judicial, agora está em negociações finais para levantar cerca de US$ 300 milhões em um financiamento DIP com credores, disseram pessoas familiarizadas com o assunto à Bloomberg News.
Em exclusividade à Bloomberg Línea, pessoas com conhecimento do assunto afirmaram que o governo da Argentina tem atrasado desde o fim do ano passado os pagamentos à Casa da Moeda do Brasil (CMB) e a fornecedores pela produção de notas de pesos argentinos que foram fabricadas no Brasil.
Nos Estados Unidos, os investidores seguem à espera de sinais que possam indicar os próximos passos do Federal Reserve (Fed), com o discurso de membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês).
Confira as notícias que devem movimentar os mercados nesta sexta-feira (3):
1. Lula volta a criticar o Banco Central
O presidente Lula voltou a criticar o Banco Central em entrevista à BandNews FM na quinta-feira (2). Segundo Lula, ele tem “direito de criticar o BC”.
“Qual é a explicação de você ter juros de 13,75% ao ano num país que não está crescendo? Tem uma economia que não está crescendo, tem desemprego, crédito está escasseando. E eu queria apenas uma explicação de por que os juros estão a 13,75%”, disse ele.
Lula ainda afirmou que “o país não pode ser refém de um único homem”, se referindo ao presidente do BC, Roberto Campos Neto e que “não liga muito para essa coisa de autonomia”.
“Eu tenho que prestar contas ao Congresso Nacional, eu tenho que prestar contas à Câmara, ao Senado, ao Tribunal de Contas da União, à sociedade brasileira, tenho que prestar contas aos meios de comunicação, que vivem toda hora cobrando… Por que que esse cidadão, que não foi eleito para nada, ele acha que tem o poder de decidir as coisas e ainda ‘ah, eu vou pensar como eu posso ajudar o Brasil’. Não, você não tem que pensar como ajudar o Brasil. Você só tem que pensar como reduzir a taxa de juros para que esse país volte a ter crédito, para que esse país volte a funcionar”, continuou.
2. Injeção na Americanas
Os principais acionistas da Americanas estão oferecendo informalmente uma injeção de R$ 10 bilhões na varejista, o que começa a acalmar os bancos credores, disseram pessoas com conhecimento direto do assunto.
A última oferta oficial feita pelos bilionários Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, de injeção de R$ 7 bilhões, foi considerada muito baixa pelos credores, mas agora, com os R$ 10 bilhões, uma negociação pode começar, disseram as pessoas, pedindo para não serem identificadas citando informações que não são públicas.
Uma nova reunião entre a Americanas e os bancos, que agora reduziram o valor exigido de R$ 15 bilhões para R$ 13 bilhões, deve acontecer, disseram as pessoas.
3. Mercados
As ações europeias sobem nesta quinta, com os investidores se confortando com a força econômica e começando o mês de março em alta. Os títulos interromperam as quedas.
Um indicador de ações europeias subiu 0,6% e agora caminha para um ganho semanal. Os futuros do S&P 500 subiram depois que o benchmark recuperou uma perda semanal na quinta-feira (2). Na Ásia, as ações subiram cerca de 1%, lideradas pelos ganhos em Hong Kong e Tóquio.
4. Manchetes do dia
Estadão: EUA: decisão do Brasil de acolher navios de guerra iranianos é ‘errada’ e única na região
Folha de S. Paulo: Receita não informou TCU sobre devassa em dados de adversários de Bolsonaro
O Globo: Malu Gaspar: ‘Só não estou mais entrosado com o Lula do que a Janja’, diz ministro de Minas e Energia
Valor Econômico: Caso do mal da vaca louca no Pará é atípico, confirma exame realizado no Canadá
5. Agenda
A sexta é novamente cheia nos Estados Unidos, a começar pela divulgação do PMI Composto S&P Global e do PMI do setor de serviços, ambos divulgados às 11h45 (horário de Brasília). Ao meio-dia é publicado o ISM não-manufatura e o PMI ISM não-manufatura.
Às 13h45, Bostic, do Fomc, discursa. Depois, às 15h, acontece a contagem de sondas Baker Hughes. Às 17h, é a vez de Bowman, também do Fomc, discursar. Para fechar o dia, às 17h30 são publicadas as posições líquidas de especuladores no relatório da CFTC de petróleo, ouro, Nasdaq e S&P.
No Brasil, no mesmo horário, são publicadas as posições líquidas de especuladores no relatório da CFTC referentes ao real e na Zona do Euro as posições líquidas referentes ao euro.
-- Com informações da Bloomberg News
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