Bloomberg — O rali das ações em Wall Street já foi longe demais e os investidores podem enfrentar quedas brutais se o crescimento econômico desabar no segundo semestre. É o que avaliam estrategistas do Bank of America (BAC).
Desde a mínima de outubro, o índice S&P 500 já acumula ganhos de 16,6% até esta sexta-feira (3). Apesar da queda de hoje, o benchmark tem alta de 8,7% no ano.
“Apocalipse adiado”. Foi assim que a equipa liderada por Michael Hartnett se referiu à forte tendência de alta deste início de ano e aos fluxos positivos para os fundos de renda variável.
Segundo o BofA, o risco é que a inflação volte a subir nos próximos meses e que a economia dos Estados Unidos enfrente uma recessão mais profunda no segundo semestre de 2023.
Os fundos globais de renda variável tiveram entradas líquidas (aportes menos resgates) de US$ 44,7 bilhões nas últimas quatro semanas, segundo o relatório do BofA, com base em dados da EPFR.
As ações vêm subindo desde o início do ano com sinais de arrefecimento da inflação, otimismo com a reabertura da China e esperanças de que a desaceleração econômica forçará os principais bancos centrais a interromperem o aperto monetário.
Hartnett recomenda que os investidores comecem a embolsar lucro quando o índice S&P 500 ultrapassar o patamar dos 4.200 pontos – apenas 0,5% acima do fechamento mais recente. Ele espera que o índice de referência americano atinja seu pico do primeiro trimestre antes de 14 de fevereiro.
Vários estrategistas compartilham a visão de Hartnett.
Michael Wilson, do Morgan Stanley (MS), disse que os investidores empolgados com o rali das ações americanas vão se decepcionar, porque estão desafiando o Federal Reserve diretamente.
Marko Kolanovic, do JPMorgan (JPM), disse que a economia caminha para uma desaceleração bem no momento em que as ações sobem, preparando o terreno para um “crash”.
-- Com a colaboração de Sagarika Jaisinghani e Michael Msika.
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