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O recado que o mercado tem transmitido ao governo sobre a nova gestão do Banco Central (BC) tem se tornado cada vez mais contundente. Primeiro foi Henrique Meirelles, que comandou o BC por quase uma década, aconselhando seu ex-chefe, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a parar de falar sobre juros.
Agora é a vez do economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor do BC. Segundo ele, a expansão fiscal prevista na PEC da Transição, com o aumento das despesas em R$ 170 bilhões, vai na contramão do trabalho do BC para reduzir a inflação.
Muitos especialistas coincidem que no final do ano passado estavam dadas as condições para o BC começar a flexibilizar a política monetária - com expectativas de que um corte nas taxas poderia ocorrer já em março. A situação mudou desde então.
Por semanas, economistas aumentaram constantemente as previsões de inflação para se ajustar aos planos do governo de elevar os gastos sociais. E o clima azedou de vez depois que o presidente sugeriu que a meta de inflação deveria ser maior para não impedir o crescimento econômico.
“A inflação subjacente está rodando na casa dos 9% nos últimos 12 meses. É muito alta. O Banco Central ainda está fazendo força para desacelerar a economia. E o governo está atuando exatamente no sentido inverso”, disse o economista, que foi diretor de Assuntos Internacionais da autoridade monetária entre 2003 e 2006, na gestão de Meirelles.
⇒ Leia mais: Governo Lula trabalha na contramão do Banco Central, diz Schwartsman
No Radar
Apesar dos avisos de que novos aumentos de juros estão por vir, o mercado continua aberto a ativos de risco. Os investidores se apoiam na parte mais suave do discurso de Jerome Powell, presidente do Fed, segundo quem “o processo de desinflação começou”. Resta saber se o humor resistirá aos resultados de Apple, Amazon e Alphabet, previstos para hoje.
🏦 Mais aperto. Depois do Fed, hoje é a vez de o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco da Inglaterra (BoE) elevarem a taxa de juros, possivelmente em 0,50 ponto percentual, conforme o consenso das previsões. A atenção estará nas projeções de Andrew Bailey, presidente do BoE, e de Christine Lagarde, presidente do BCE, para o cenário de inflação.
🌪️ Escalada de perdas. O império Gautam Adani já ruiu mais de US$ 100 bilhões e os títulos da empresa caíram para níveis críticos no mercado dos EUA, levando a Adani Enterprise a suspender uma oferta de ações de US$ 2,4 bilhões.
❗Sem conversa. A Coreia do Norte não pretende negociar com os EUA sobre seu arsenal atômico, de acordo com seu ministério de Relações Exteriores, que prometeu responder ao que classifica como ameaças de Washington. EUA e a Coreia do Sul realizaram um exercício aéreo conjunto na quarta-feira para “mostrar a capacidade contra as ameaças da Coreia do Norte”, segundo Seul.
🟢 As bolsas ontem (01/02): Dow Jones Industrials (+0,02%), S&P 500 (+1,05%), Nasdaq Composite (+2,00%), Stoxx 600 (-0,03%), Ibovespa (-1,20%)
As bolsas norte-americanas reagiram ao aumento da confiança dos investidores após o Fed reduzir o ritmo de alta dos juros de 0,5 ponto para 0,25 ponto percentual na reunião de ontem. Aumentam as apostas de que o fim do ciclo de aperto ocorra antes de a taxa chegar a 5%: Jerome Powell disse que o “processo de desinflação começou”.
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Agenda
Esta é a agenda prevista para hoje:
• Banco centrais: Decisão de Política Monetária do BoE e do BCE, Discursos de Andrew Bailey (BoE) e Christine Lagarde (BCE)
• EUA: Pedidos de Iniciais de Seguro Desemprego, Demissões Anunciadas Challenger/Jan, Pedidos de Bens Duráveis/Dez, Encomendas à Indústria/Dez
• Europa: Alemanha (Balança Comercial/Dez); França (Balanço Orçamentário/Dez)
• Ásia: China (PMI de Serviços Caixin/Jan); Hong Kong (PMI Industrial/Jan); Japão (PMI Setor de Serviços)
• América Latina: Brasil (IPC-Fipe/Jan)
• Balanços: Alphabet, Apple, Amazon, Qualcomm, Eli Lilly, Roche, Merck, Sheel, Deutsche Bank e Santander
📌 Para amanhã:
• PMI Global Composto e de Serviços; EUA (Relatório de Emprego-Payroll/Dez, Taxa de Desemprego/Jan, ISM Não-Manufatureiro); Zona do Euro (IPP/Dez); Brasil (Produção Industrial/Dez); Bancos centrais (Discurso de Huw Pill-BoE, Frank Elderson (BCE). Balanço: Sanofi
Destaques da Bloomberg Línea:
• Copom mantém Selic em 13,75% ao ano e diz que pode ajustar passos futuros
• Americanas estuda empréstimo de R$ 1 bi com Lemann para manter operação
• Zuckerberg diz que Meta vai cortar níveis gerenciais e projetos não cruciais
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• Também é importante: Fim do almoço grátis? ChatGPT terá assinatura premium por US$ 20 | Rodrigo Pacheco, do PSD, é reeleito presidente do Senado com endosso de Lula | Powell diz que política monetária seguirá restritiva ‘por algum tempo’
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