Microsoft adquire participação de 4% na empresa dona da Bolsa de Londres

Negócio faz parte de um acordo de 10 anos para ajudar o London Stock Exchange Group (LSEG) a melhorar análise de dados e a infraestrutura de nuvem

Microsoft
Por Amy Thomson e William Shaw
12 de Dezembro, 2022 | 04:41 PM

Bloomberg — A Microsoft (MSFT) concordou em comprar uma participação no London Stock Exchange Group (LSEG) que dará à empresa de software uma participação acionária de 4% no grupo, um acordo que destaca a posição crucial de dados, análises e tecnologia em mercados financeiros cada vez mais digitalizados.

A Microsoft adquirirá as ações como parte de uma nova parceria estratégica de longo prazo que fornecerá serviços de computação em nuvem para a bolsa, disse a LSEG em comunicado nesta segunda-feira (12). No preço de fechamento de sexta-feira (9), uma participação de 4% na bolsa foi avaliada em cerca de 1,6 bilhão de libras esterlinas (US$ 2 bilhões).

A participação faz parte de um acordo mais amplo de 10 anos para ajudar o proprietário da Bolsa de Valores de Londres a melhorar sua análise de dados e infraestrutura de nuvem usando os produtos da Microsoft. Scott Guthrie, vice-presidente executivo de nuvem e inteligência artificial da companhia de tecnologia, será nomeado diretor.

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O acordo é o mais recente sinal da crescente demanda dos investidores por informações que lhes deem uma vantagem em mercados eletrônicos cada vez mais rápidos. Os gastos globais com dados e notícias do mercado financeiro aumentaram 7,4%, para um recorde de US$ 35,6 bilhões em 2021, de acordo com um relatório de abril da Burton-Taylor International Consulting.

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“Estaremos gerando um crescimento de receita significativo nos próximos anos, acessando novos produtos e aprimorando nossas capacidades de produtos existentes”, disse o CEO da LSEG, David Schwimmer, em entrevista por telefone

A Microsoft comprará sua participação de um consórcio formado pela Blackstone, Thomson Reuters e afiliadas do Canada Pension Plan Investment Board e do GIC de Singapura, segundo o comunicado.

Gasto Mínimo

O acordo destaca o foco crescente da LSEG em dados e análises. A empresa concluiu a compra da Refinitiv por US$ 27 bilhões no ano passado, dando início a uma nova era em que a maior parte de sua receita vem de dados. A empresa controladora da Bloomberg News compete com a Refinitiv para fornecer notícias, dados e informações financeiras.

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Espera-se que o acordo custe à LSEG entre 250 milhões de libras esterlinas (US$ 306 milhões) a 300 milhões de libras esterlinas entre 2023 e 2025, incluindo cerca de 100 milhões de libras esterlinas em gastos de capital. O grupo disse que fez um compromisso contratual com a Microsoft para gastar um mínimo de US$ 2,8 bilhões em serviços relacionados à nuvem e suporte nos próximos 10 anos.

Gastos adicionais dependem do “sucesso da parceria estratégica” e da demanda pela plataforma de dados e serviços profissionais da LSEG, segundo a empresa britânica. A Microsoft estimou em um comunicado separado que a “parceria e uma oportunidade de mercado mais ampla podem gerar uma receita adicional de US$ 5 bilhões para a empresa nos próximos 10 anos”.

Plataforma Azure

De acordo com o acordo, a plataforma de dados da LSEG e outras infraestruturas de tecnologia importantes migrarão para o ambiente de nuvem Azure da Microsoft, enquanto seus dados e análises farão interface com determinados aplicativos da Microsoft.

Nos últimos anos, houve consolidação entre os maiores provedores de dados do setor financeiro. No ano passado, a S&P Global concordou em comprar a IHS Markit, enquanto a Deutsche Boerse, maior rival europeia da LSE, adquiriu uma participação majoritária na Institutional Shareholder Services, consultora de governança corporativa.

Não é a primeira vez que a Microsoft fecha um acordo na área de gerenciamento em nuvem. Em 2018, investiu na Grab, com a empresa de carona concordando em adotar o Azure como plataforma principal para guardar os dados.

Esses acordos de venda cruzada nem sempre terminam em sucesso. Em 2012, a empresa de tecnologia dos Estados Unidos gastou US$ 300 milhões em uma participação na divisão de livros eletrônicos da Barnes & Noble, então em dificuldades, Nook.

Como parte do acordo, a Barnes & Noble concordou em produzir conteúdo de leitura eletrônica para a Microsoft. Dois anos depois, a Barnes & Noble comprou a participação da Microsoft por cerca de US$ 125 milhões, depois que a Nook lutou para conquistar clientes.

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