Mercados

Promessas de campanha de Lula têm custo estimado de 3% do PIB, estima SPX

Gestora chama a atenção ainda para a cena externa desafiadora, com crescimento potencial mais baixo no longo prazo na China

No mês de outubro, o fundo carro-chefe da casa, o SPX Nimitz, teve perdas de 0,90%, ante variação de 1,02% do CDI no período
08 de Novembro, 2022 | 01:07 PM

Bloomberg Línea — O grande desafio do novo governo será equilibrar as contas fiscais. Isso porque, apesar do boom das commodities que permitiu números melhores na arrecadação, o cenário à frente exige cautela. A avaliação é da renomada gestora SPX Capital.

Em carta enviada aos cotistas referente ao desempenho de outubro, a gestora de Rogério Xavier estima que as promessas de campanha do presidente eleito Lula (PT) em sua “Carta para o Brasil do Amanhãterão um custo estimado de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) ao ano.

“Essas promessas, somadas às medidas fiscais estimulativas anunciadas pelo governo Bolsonaro ao longo de 2022, em um contexto de forte desaceleração global, tornam necessária a discussão de um novo arcabouço fiscal crível que consiga estabilizar a dívida pública no longo prazo”, escreve o gestor Ylan Adler, que assina o relatório.

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“Ao presidente Lula e ao novo governo, fica a nossa expectativa de que eles entendam que foram eleitos com a ajuda de forças de centro-esquerda e que façam esse movimento em direção ao centro, inicialmente com o anúncio de bons nomes para a formação do novo governo.”

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No comunicado, o time chama a atenção ainda para a cena externa desafiadora, com crescimento potencial mais baixo no longo prazo na China, déficit de conta corrente e baixa produtividade na Inglaterra, além de uma proximidade de recessão na Europa e na maior economia do mundo.

“A economia europeia perderá força no quarto trimestre de 2022 e entrará em recessão na virada do ano”, escreve o gestor. E completa: “Nesse ambiente, a tarefa do Banco Central Europeu (BCE) se torna extremamente difícil e, embora na última reunião tenham manifestado o desejo de desacelerar o passo, não vai conseguir parar de subir os juros, levando a taxa para acima do juro neutro de 2%.”

Com relação aos Estados Unidos, Adler também vê o Federal Reserve precisando manter uma política contracionista por certo tempo de forma a enfraquecer substancialmente o mercado de trabalho. “Com os juros reais nos EUA perto de 2% no próximo ano, nível historicamente elevado se comparado, por exemplo, aos níveis de 1994, deveremos ver a economia americana entrando em recessão em 2023.”

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Alocação e desempenho

No mês de outubro, o fundo carro-chefe da casa, o SPX Nimitz, teve perdas de 0,90%, ante variação de 1,02% do CDI no período. As contribuições negativas, segundo a casa, vieram dos mercados de juros, moedas e crédito.

Para novembro, o multimercado tem posições aplicadas em juros, para se beneficiar de uma queda das taxas, bem como comprada (aposta na alta) no dólar. Em ações, o fundo está com posição vendida (aposta na queda) nos Estados Unidos e com posição relativa em Brasil.

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Mariana d'Ávila

Mariana d'Ávila

Editora assistente na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero, especializada em investimentos e finanças pessoais e com passagem pela redação do InfoMoney.