Estrangeiro de volta ao Brasil? Banco suíço explica por que prefere esperar

CIO do Lombard Odier, que tem cerca de US$ 370 bilhões sob gestão, comenta em relatório sobre os desafios de Lula após a eleição

Com sede em Genebra, na Suíça, o Lombard Odier tem cerca de 360 bilhões de francos suíços
03 de Novembro, 2022 | 02:04 PM

Bloomberg Línea — Apesar da perspectiva otimista para o crescimento do Brasil este ano – apoiado pelo alto preço das commodities – e de um corte dos juros em 2023, as incertezas políticas de curto prazo e as preocupações com a disciplina fiscal fazem com que o banco suíço Lombard Odier mantenha uma posição neutra nos ativos brasileiros.

Em relatório divulgado com exclusividade à Bloomberg Línea, o banco escreve que possui uma posição neutra em dívidas em moeda forte de mercados emergentes de forma geral, e também na América Latina, onde prefere títulos corporativos a títulos soberanos.

“Com a situação política do Brasil ainda polarizada e com menos espaço para mudanças radicais nos gastos fiscais, estamos esperando para ver se as perspectivas para a dívida do governo brasileiro melhoram, o que depende em grande parte dos movimentos dos preços das commodities”, escreve Stéphane Monier, CIO do Lombard Odier Private Bank, que assina o relatório.

Com sede em Genebra, na Suíça, o Lombard Odier tem cerca de 360 bilhões de francos suíços (aproximadamente US$ 370 bilhões) em ativos sob gestão. A instituição financeira é especializada na gestão de patrimônio e de ativos e oferece serviços bancários privados e tecnologia para bancos.

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No relatório, Monier avalia que o real permanece apoiado por saldos externos ainda saudáveis, valuations ainda atraentes e por um bom momento econômico. “No entanto, a demanda chinesa por commodities brasileiras continua fundamental”, destaca. O banco vê o dólar negociado entre R$ 5,10 e R$ 5,40 nos próximos três meses.

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Desafios para Lula

Após a vitória de Lula (PT) nas eleições presidenciais, no domingo (30), o banco suíço destaca os desafios que o novo governo terá diante de um Congresso mais dividido. “Lula terá que buscar apoio do influente bloco centrista para rechaçar qualquer processo de impeachment e aprovar leis. A emenda constitucional será ainda mais difícil no novo Congresso para Lula e seus aliados, pois vai exigir o apoio de alguns dos partidos de direita que apoiaram Bolsonaro”, escreve Monier.

Apesar de um segundo ano consecutivo de crescimento acima de 2% para o Brasil em 2022, graças ao boom global de commodities e a um setor de consumo sólido, o Lombard diz que o tom será diferente em 2023.

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Com uma desaceleração da economia e com o aumento dos gastos do governo em um cenário de menor receita com commodities, o país poderá ver um aumento da dívida em 2023, destaca o Lombard Odier. “Vemos a dívida pública em relação ao PIB, que atingiu quase 99% em 2020, chegando ao fundo do poço em 2022 antes de aumentar gradualmente a partir de 2023.”

O impacto também será visto no crescimento. “Com o impacto negativo das altas taxas reais se infiltrando na economia e a desaceleração da demanda global por matérias-primas, o Brasil provavelmente verá sua taxa de crescimento cair abaixo de 1% em 2023″, destaca o executivo, ressaltando os novos desafios para Lula no horizonte.

O cenário faz com que o banco permaneça cauteloso em relação à rapidez com que o Banco Central reduzirá a taxa Selic no próximo ano. Segundo Monier, os cortes graduais a partir do segundo trimestre de 2023 estariam alinhados ao consenso do mercado, principalmente se o Congresso concordar em continuar distribuindo cheques do Auxílio Brasil.

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Mariana d'Ávila

Editora assistente na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero, especializada em investimentos e finanças pessoais e com passagem pela redação do InfoMoney.