Mercados operam voláteis, no aguardo de indicações sobre juros por BCE e Fed

Futuros de índices nos EUA oscilam entre o positivo e o negativo; na Europa, bolsas tentam firmar-se no azul, mas tom é de cautela

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Barcelona, Espanha — (Esta é a atualização da nota publicada originalmente às 6h30)

Os eventos mais esperados da semana acontecem hoje e são protagonizados pelo Banco Central Europeu (BCE), que decide hoje sobre os juros do bloco, e pelo Federal Reserve (Fed), cujo presidente Jerome Powell fala em um evento.

💥 Alta turbinada por aí? A maioria dos investidores se prepara para um aperto monetário sem precedentes por parte do banco central da Europa. Dados compilados pela Bloomberg Economics apontam para uma maior probabilidade de um aumento de 0,75 ponto percentual. Caso uma subida dessa magnitude se confirme, o continente terá o grande desafio de driblar a recessão, sobretudo em um cenário de crise energética. O veredito do BCE sobre a taxa de juros sai às 9h15 de Brasília.

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🪵 Lenha na fogueira. Mas não é só o BCE que vai agitar o mercado. É grande a expectativa em torno da declaração do presidente do Fed, que dentro de duas semanas arbitrará sobre o custo do dinheiro nos EUA. Nessa miscelânea de bancos centrais também se encaixa o governador Philip Lowe, do Banco Central da Austrália. Ele deu uma declaração polêmica e atípica entre os países do G-10: assinalou um possível fim dos aumentos desmesurados das taxas de juros. Esta autoridade monetária elevou seus juros por cinco meses consecutivos, o último aumento aplicado esta semana.

⛈️ Pessimismo na Europa. Na Alemanha, o IfW (Instituto de Economia da Universidade de Kiel) reduziu fortemente as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) da principal economia europeia, de +2,1% para +1,4% em 2022. Para 2023, espera agora um retração de -0,7%, contra a alta de +3,3% projetada em junho. O IfW, que é um dos assessores do governo alemão, também espera uma inflação ao consumidor mais elevada: de +8,0% em 2022, em vez dos +7,4% calculados antes. E de nada menos que +8,7% em 2023, bem acima da estimativa de +4,2% feita há três meses.

O encarecimento do gás e da eletricidade será o responsável por erosionar o poder aquisitivo e frear o consumo privado, indicou o instituto alemão.

→ Assim se movimentam os mercados esta manhã:

Os futuros do índice norte-americanos e as ações europeias movem-se cautelosamente, esperando para ver o quão agressivo será o BCE na luta contra a inflação. Mais tarde, o banco central anuncia o novo patamar dos juros para o bloc. Os contratos de Wall Street flutuam entre os campos negativo e positivo.

O índice europeu Stoxx 600 da Europa diminuiu os ganhos do começo da manhã após um aviso de receitas menores pela Associated British Foods Plc, proprietária da Primark.

A libra se depreciava depois de ter caído na quarta-feira para o nível mais baixo em relação ao dólar desde 1985. Os operadores de títulos do Reino Unido estão se preparando para ouvir detalhes do plano de resgate da primeira-ministra Liz Truss em meio à especulação generalizada de que mais vendas de dívida para financiar o plano poderiam empurrar os rendimentos para cima.

O dólar subia à medida que os players avaliavam os comentários dos funcionários do Fed sobre seu compromisso de combater a inflação. Os bônus do Tesouro dos EUA operam estáveis, ajudados por comentários do presidente do banco central da Austrália sobre um possível fim da subida excessiva das taxas.

O petróleo, que abriu em alta e depois inverteu o sinal, voltou a subir.

🟢 As bolsas ontem: Dow Jones Industrials (+1,40%), S&P 500 (+1,83%), Nasdaq Composite (+2,14%), Stoxx 600 (-0,57%), Ibovespa (Fechada por feriado)

As bolsas norte-americanas fecharam em alta depois que os investidores deram uma trégua à venda massiva de bônus do Tesouro. Entretanto, o mercado permanece volátil, com os operadores aguardando decisões-chave dos bancos centrais do mundo. Os preços do petróleo caíram, arrastados pelos contínuos lockdowns da China para zerar os contágios de Covid-19.

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Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

EUA: Pedidos Iniciais de Seguro-Desemprego; Estoque de Gás Natural; Atividade das refinarias de Petróleo - EIA; Crédito ao Consumidor/Jul

Europa: França (Folha de Pagamentos Não Agrícola/2T22; Balança Comercial/Jul); Espanha (Confiança do Consumidor)

Ásia: Japão (Índice Economy Watchers/Ago); China (IPC/Ago)

América Latina: Brasil (IGP-DI/Ago; IPCA/Ago); México (IPC/Ago); Chile (IPC/Ago); Peru (Reunião de Política Monetaria)

Bancos Centrais: Decisão sobre as taxas do Banco Central Europeu e entrevista da presidente Christine Lagarde. O presidente do Fed Jerome Powell participa de conferência do Instituto Cato em Washington. O governador Philip Lowe, do Banco Central da Austrália, fala em evento

📌 Para amanhã:

• China (PPI, oferta de moeda, novos empréstimos em yuan). Reunião extraordinária dos ministros de energia da UE sobre intervenção de emergência nos mercados de eletricidade

(Com informações da Bloomberg News)