Bancos de Wall St estão financiando mais startups na América Latina. Entenda

Chilena Xepelin obteve linha de crédito de US$ 140 milhões com o Goldman Sachs, em movimento de captação semelhante ao de outros unicórnios da região

Xepelin entra no grupo de startups que receberam linhas de crédito recentemente, ao lado de Clara, Mercado Livre, Nubank e Konfio
Por Cristiane Lucchesi e Isabela Fleischmann
07 de Setembro, 2022 | 12:27 PM

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Bloomberg — O banco americano Goldman Sachs (GS) concedeu uma linha de crédito de US$ 140 milhões à fintech chilena Xepelin, em mais um caso de fintechs da América Latina que têm conseguido financiamento de dívida com linhas de crédito, em vez de investimento em participação acionária (equity, em inglês).

As linhas de crédito com os bancos permitem que as empresas se capitalizem sem diluir a participação acionária, como acontece com as rodadas de venture capital.

Dados da LAVCA (Associação para Investimento em Capital Privado na América Latina) mostram que os investimentos de capital de risco para startups da América Latina caíram cerca de 19% no primeiro semestre de 2022 em relação ao mesmo período do ano recorde de 2021.

Se antes o venture capital era praticamente a única opção para startups obterem dinheiro, agora bancos tradicionais, incluindo os de Wall Street, estão concedendo empréstimos.

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Além da fintech chilena, que oferece serviços como pagamentos e crédito para pequenas e médias empresas, na terça-feira (6), a mexicana Clip, de maquininhas, obteve uma linha de crédito rotativo sem garantia de três anos de US$ 50 milhões com Morgan Stanley (MS), J.P.Morgan (JPM) e HSBC (HSBC).

No mês passado, o Goldman Sachs forneceu uma linha de crédito colateralizado de US$ 150 milhões para a mexicana Clara, de empréstimos e gerenciamento de gastos. O banco americano também emprestou US$ 233 milhões ao Mercado Livre em julho, participou da linha de crédito de US$ 650 milhões do Nubank (NU) no início deste ano e forneceu US$ 160 milhões para apoiar a Konfio, do México, no ano passado.

Nicolás de Camino, cofundador e co-CEO da Xepelin, disse por meio de entrevista em vídeo à Bloomberg News que a linha de crédito é a maior recebida pela empresa até hoje, denominada em pesos mexicanos. “E é apenas o começo do que esperamos que seja um relacionamento de longo prazo”, afirmou o empreendedor. “Esperamos poder aumentar essa linha no futuro.”

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O empréstimo da Xepelin, lastreado em ativos, será usado para expansão para o México. A linha tem prazo de cerca de três anos e o dinheiro será liberado em duas etapas: a primeira de US$ 40 milhões e a segunda de US$ 100 milhões. A empresa quer atingir um milhão de clientes até 2025, acima dos atuais 15 mil, disse Camino, ex-chefe de ativos alternativos do BTG Pactual (BPAC11) no Chile.

A Xepelin é especializada em transações B2B, incluindo financiamento da cadeia de suprimentos. Seu sistema ajuda os usuários a organizar contas e automatizar pagamentos a fornecedores. Segundo estimativas da companhia, o mercado de serviços de pagamento entre empresas na América Latina chega a US$ 8 bilhões.

Oportunidades no mercado

Sebastián Kreis, cofundador e co-CEO da Xepelin, destacou que antes da fundação da empresa, percebeu a importância do capital de giro e dos serviços financeiros para o sucesso das empresas quando trabalhou com outras pequenas e médias empresas no Chile e México como banqueiro, fazendo fusões e aquisições, ou mesmo no desenvolvimento de startups.

“As pequenas empresas geralmente não têm um CFO”, disse Kreis, que já foi banqueiro de investimentos da Creditcorp Capital no Chile. “O proprietário é o CEO e o CFO e, como ele precisa se concentrar nas operações, deveria ter um meio fácil para gerenciar as contas.”

Desde a fundação da companhia, em 2019, Camino e Kreis levantaram US$ 230 milhões em meados de 2021, incluindo dívida e patrimônio, e US$ 111 milhões adicionais em uma rodada de ações liderada por Avenir e Kaszek no início deste ano. A empresa gerou mais de US$ 1,2 bilhão em financiamento.

-- Com informações da Bloomberg News e da Bloomberg Línea

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Isabela  Fleischmann

Jornalista brasileira especializada na cobertura de tecnologia, inovação e startups