Bloomberg Línea — A sinalização hawkish do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, de que a autoridade monetária poderá estender o ciclo de aperto monetário, levou a um forte ajuste no mercado doméstico nesta terça-feira (6), véspera de feriado de Dia da Independência, em que a bolsa brasileira estará fechada.
Por aqui, o Ibovespa (IBOV) encerrou o pregão em baixa de 2,17%, na casa dos 109 mil pontos, enquanto os contratos de juros futuros dispararam e o dólar subiu, sendo negociado a R$ 5,24 próximo do fechamento do pregão.
Campos Neto afirmou que o BC ainda precisa transmitir uma “mensagem dura” apesar da melhora na inflação e que continua valendo a análise de ajuste terminal na Selic neste mês. Os contratos de DI, que embutiam 2,9 pontos de corte ao longo do ano que vem, implicam neste momento uma redução mais modesta, de 2,4 pontos, da taxa básica de juros.
Operadores financeiros também passaram a embutir um aperto residual da ordem de 20 pontos na curva de juros até o fim de 2022, o que poderia levar a Selic para 14% ao ano.
Na bolsa brasileira, os setores de varejo, consumo e construção civil lideraram as perdas no dia, por serem mais sensíveis a juros elevados. A sessão também foi marcada pela forte queda das blue chips Vale (VALE3), com baixa de 2,38%, e Petrobras (PETR3; PETR4), com quedas de 3,52% (ON) e 3,69% (PN).
Confira como fecharam os mercados nesta terça-feira (6):
Cena externa
O sentimento negativo nesta terça em torno do aumento dos juros não foi exclusivo do Brasil. Em Wall Street, as ações caíram para o nível mais baixo desde meados de julho, com a visão de que o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, permanecerá agressivo ao enfrentar a inflação mais alta em quatro décadas.
As ações dos EUA cederam cerca de metade de um rali em relação às mínimas de junho, depois que uma série de oradores do Fed sinalizou que o banco central manterá a política rígida. Dados mostrando que o setor de serviços dos EUA expandiu no ritmo mais rápido em quatro meses apenas reforçaram as apostas dos traders em um Fed ainda agressivo.
-- Com informações da Bloomberg News
Leia também:
Gestoras começam a se posicionar para risco de desfecho ‘à la Trump’ na eleição