Holding do Mercado Bitcoin corta 15% e culpa ‘ambiente competitivo desleal’

Exchange do grupo unicórnio 2TM disse que a “adversidade na economia” está entre os motivos das demissões

2TM, a holding unicórnio do Mercado Bitcoin
02 de Setembro, 2022 | 11:57 AM

Bloomberg Línea — A holding unicórnio 2TM, da exchange de criptomoedas brasileira Mercado Bitcoin, demitiu 15% de sua equipe na quinta-feira (1°). É a segunda rodada de cortes da 2TM, que em junho já havia demitido 12% (90 pessoas) devido “à mudança no cenário financeiro global, às altas taxas de juros e à inflação, que teve grande impacto nas empresas de tecnologia de alto crescimento”.

Desta vez, o grupo 2TM disse que os desafios impostos pela economia global vêm afetando os segmentos de inovação em todo o mundo. Mas não culpa apenas a adversidade econômica: segundo a 2TM, há um ambiente competitivo “deteriorado e desleal”.

“Sem a aprovação do marco legal dos criptoativos, os players que seguem as leis são penalizados frente às empresas que ignoram as regras locais”, disse a 2TM, por meio de nota. O Mercado Bitcoin e seu CEO, Reinaldo Rabelo, há tempo criticam nas mídias as empresas estrangeiras de criptomoedas que operam no Brasil.

Conforme a Bloomberg Línea mostrou em maio, o projeto de lei que regulamenta as operações com criptoativos no Brasil cria regras para todas as empresas que negociam “ativos virtuais” e pretende oferecer segurança jurídica a players do setor, o que deve se traduzir em maior atratividade para os investidores.

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Rabelo disse, na ocasião, que a holding do Mercado Bitcoin, a 2TM, levantou US$ 250 milhões com o SoftBank em 2021, “o que nos permite olhar para os próximos três anos”. Mas agora a empresa afirma que além da reordenação do portfólio, unificando as marcas da 2TM e concluindo a integração das companhias compradas no ano passado, a empresa precisou otimizar custos e reduzir o quadro de funcionários.

Em novembro de 2021, a 2TM recebeu investimentos de US$ 50 milhões da 10THoldings.

Em maio, a Bloomberg News reportou que a 2TM e a Coinbase (COIN) desistiram das conversas para uma fusão. Em junho, o CEO da Coinbase postou no blog da empresa que estava demitindo 18% da equipe “para garantir que fiquemos saudáveis durante essa recessão”.

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O unicórnio mexicano Bitso, investida da Coatue e da Tiger Global, demitiu 80 funcionários também em maio. No mesmo mês, a argentina Buenbit disse que mandaria embora metade de sua equipe.

Por meio de nota, a 2TM afirmou que “lamentamos a perda de cada profissional, e, para tentar reduzir o impacto, vamos oferecer àqueles que nos deixam um pacote que contempla desde a extensão do plano de saúde e auxílio-creche até assistência para recolocação”.

No fim do ano passado - antes, portanto, da queda dos preços - o mercado de criptomoedas no Brasil foi estimado em US$ 50 bilhões.

Conforme a Bloomberg News, a chinesa Binance foi responsável por uma média de 74% das negociações de criptomoedas em reais nos primeiros cinco meses do ano, segundo dados compilados pela Livecoins, que não incluem fundos negociados em bolsa, os chamados ETFs, e são baseados em informações fornecidas por corretoras. O Mercado Bitcoin responde por quase 5%.

Mesmo com a recente queda das criptomoedas - refletindo o cenário do mercado de capitais - e o colapso de criptos como a Terra e a Luna, grandes empresas do setor estão apostando no criptoativo: o Mercado Livre (MELI) lançou no mês passado a Mercado Coin, sua criptomoeda própria, que funcionará na rede Ethereum.

O principal alvo da regulamentação em debate no Brasil são as corretoras que transacionam criptomoedas. De acordo com a proposta, as empresas do setor vão precisar de uma autorização de um “órgão ou entidade da administração pública federal” para atuar, além de um CNPJ na Receita Federal e de cadastro no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

-- Com informações da Bloomberg News

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Isabela  Fleischmann

Jornalista brasileira especializada na cobertura de tecnologia, inovação e startups