Bolsas derretem após aviso do Fed de que país ‘vai sofrer’ para conter inflação

After Hours: Sentimento de aversão ao risco derrubou as bolsas globais; índice S&P 500 teve seu pior pregão desde junho, com baixa de 3,4%

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Bloomberg Línea — O sentimento de cautela e aversão ao risco ditou o rumo dos mercados nesta sexta-feira (26), após o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, deixar uma mensagem curta e direta de que os juros permanecerão altos por mais tempo.

As afirmações, feitas durante o simpósio anual de Jackson Hole, contrariaram a ideia de um “pivô” do Fed que poderia complicar sua luta contra a inflação e contribuíram para uma derrocada das bolsas.

No Brasil, o Ibovespa (IBOV) encerrou o pregão em queda de 1,09%, aos 112.298 pontos, enquanto o dólar recuou, negociado a R$ 5,08 próximo do fechamento.

Em Wall Street, as bolsas chegaram a cair quase 4%, caso da Nasdaq, com peso em ações de tecnologia, enquanto o S&P 500 teve seu pior pregão desde junho, com baixa de 3,4%.

A reação do mercado foi considerada por alguns como um tipo de reação de “comprar-no-fato-vender-no-boato”, uma vez que os mercados já estavam se preparando para um tom agressivo do presidente do Fed.

Outro motivo citado pelos traders para a derrocada das ações nesta sexta foi a preocupação de que uma política restritiva aumente as chances de uma recessão em 2023.

Confira como fecharam os mercados nesta sexta-feira (26):

Contexto

Em Jackson Hole, Powell declarou que restaurar a estabilidade de preços “provavelmente vai exigir manter uma postura monetária apertada por algum tempo” e que a atual taxa de juros entre 2,25% e 2,50% não é o lugar para estacionar.

“Esses são os custos infelizes de reduzir para inflação, mas não restaurar a estabilidade dos preços significaria um sofrimento muito maior”, disse durante curta fala na abertura do simpósio de hoje.

Os novos dados de inflação, divulgados mais cedo nesta sexta, mostraram que o pico de preços parece ter ficado para trás, enquanto a economia do país desacelera. O índice de preços ao consumidor (PCE), amplamente observado pelo Fed, teve alta de 0,1% em julho, menor que o mês anterior e abaixo das expectativas.

Ontem, em outra divulgação, o PIB ajustado pela inflação do país, ou o valor total de todos os bens e serviços produzidos na economia americana, mostrou uma queda a uma taxa anualizada de 0,6% no período de abril a junho. Isso reflete uma revisão para cima nos gastos do consumidor e se compara a uma contração de 0,9% relatada anteriormente.

-- Com informações da Bloomberg News

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