Ibovespa tem queda de 2% com peso da Vale e exterior

Papéis da mineradora caíam cerca de 7% depois que o minério de ferro recuou para cerca de US$ 100 a tonelada em Singapura

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Bloomberg Línea — O Ibovespa (IBOV) recuava com força na tarde desta quinta-feira (14), seguindo a maior aversão ao risco vinda do exterior no dia de estreia dos balanços dos maiores bancos de Wall Street, que já começaram a sentir o peso dos temores com uma recessão nos Estados Unidos desencadeada pela alta inflação e juros.

O recuo dos papéis da Vale (VALE3) era o que mais pesava no principal índice da bolsa de São Paulo, depois que o minério de ferro recuou para cerca de US$ 100 a tonelada em Singapura. A ação da mineradora recuava 7,09% perto das 14h40.

A Vale divulgará seu relatório de produção do segundo trimestre em 19 de julho; a empresa é um importante fator de oscilação para o fornecimento de minério de ferro, uma vez que continua tentando aumentar a produção após o desastre de barragem de rejeitos em Brumadinho em 2019.

A questão fiscal doméstica também está no radar. A equipe econômica está discutindo propostas para mudar a regra fiscal mais importante do país, potencialmente permitindo que o próximo governo que assumir em janeiro de 2023 aumente os gastos públicos.

Atualmente, a principal âncora fiscal do país é a regra do teto de gastos, que limita o crescimento das despesas à taxa de inflação do ano anterior. Mas é de amplo consenso entre economistas e políticos que a regra está condenada em sua forma atual, e quem vencer a eleição de outubro terá que propor uma nova forma de ancorar as contas públicas.

  • Perto das 14h40, o Ibovespa recuava 1,93%, a 95.989 pontos
  • O dólar futuro era negociado a R$ 5.43, com alta de 0,67%
  • Nos EUA, o Dow Jones caía 1,05%, o S&P 500, 0,90% e o Nasdaq, 0,56%

Contexto

O caos no mercado imobiliário chinês, um dos maiores compradores dos produtos brasileiros, também impacta fortemente no sentimento, agora com moradores de ao menos 22 cidades do país se recusando a pagar hipotecas por construções atrasadas.

Os dados de inflação acima do esperado nos Estados Unidos, divulgados ontem (13), seguem pressionando as bolsas globais diante da renovação dos temores de uma recessão. Os investidores esperam agora uma alta de 1 ponto percentual na próxima reunião do Federal Reserve, no final do mês - alimentando os temores de que a alta de juros na economia americana possa estrangular o crescimento no final do ano.

Comentários após os dados de inflação de quarta-feira dos chefes do Fed de Atlanta Raphael Bostic e de Cleveland Loretta Mester, que não descartaram explicitamente um movimento maior do que uma alta de 0,75 que já era sinalizada como possibilidade, ajudaram a reforçar a impressão de que 1 ponto percentual pode estar em jogo na reunião.

Enquanto isso, o JPMorgan suspendeu temporariamente as recompras de ações e divulgou resultados do segundo trimestre que ficaram aquém das estimativas de analistas de mercado. As ações do banco americano caíam cerca de 3,77% perto das 11h30 (horário de Brasília).

Já a receita do Morgan Stanley com bancos de investimento despencou por conta da paralisação dos mercados de capitais, registrando US$ 1,07 bilhão em receita, uma queda de 55% em relação ao ano anterior, um declínio maior do que a queda de 47% prevista pelos analistas.

Os resultados oferecem uma primeira visão de como Wall Street se saiu em três meses tumultuados, caracterizados por mudanças nas perspectivas sobre as perspectivas para a economia. Dimon, do JPMorgan, alertou para um “furacão” econômico no mês passado, citando os desafios que o Federal Reserve enfrenta ao tentar conter a inflação.

--Com informações da Bloomberg News

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