Private equity tornou-se o favorito das famílias bilionárias, com cerca de 75% acreditando que essa classe de ativos continuará superando o desempenho dos mercados abertos ao varejo
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Bloomberg Opinion — Após um ano recorde de captação de recursos, há preocupações de que a era de ouro do private equity tenha acabado.

O sentimento ruim dos bancos em relação a empréstimos para compra e uma seca de ofertas públicas iniciais estão pressionando ambas as pontas da máquina de negociação do private equity: a compra e venda de empresas.

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Para piorar, os fundos de pensão e patrimoniais – os investidores tradicionais do setor – podem não ter mais dinheiro novo para seus velhos amigos. A culpa é das regras de alocação de ativos nos Estados Unidos. Ao longo dos anos, os fundos de pensão vêm aumentando suas participações em private equity para aumentar os retornos e pagar as contas dos aposentados. Mas após um selloff global de títulos e ativos, a alocação em private equity pode estar chegando ao limite.

Um exemplo é o Sistema de Aposentadoria dos Funcionários Públicos da Califórnia, ou Calpers, no valor de US$ 477 bilhões. Em novembro, o Calpers elevou sua meta de alocação de 8% para 13%. Mas uma vez que contabilizamos as perdas potenciais de suas holdings públicas, a mudança não parece ser tão devastadora. Um cálculo rápido mostra que a carteira de private equity do Calpers poderia ter atingido 9,5% sem a utilização de um dólar a mais para gerentes de ativos alternativos.

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Mas não se preocupe. O private equity está atraindo uma nova onda de investidores, na forma de escritórios familiares bilionários e dinheiro de varejo de pessoas de alta renda. Os bancos de Wall Street têm feito sua parte, comercializando entusiasticamente fundos de private equity para seus clientes privados. Por exemplo, os clientes do JPMorgan (JPM) contribuíram com US$ 1,9 bilhão para o mais recente fundo de venture capital de US$ 12,7 bilhões da Tiger Global Management, de Chase Coleman. O banco conseguiu um conjunto semelhante de clientes para acumular US$ 2,9 bilhões para um novo fundo de venture capital para a Coatue Management de Philippe Laffont.

Enquanto isso, os ultra-ricos também não se cansam de private equity, segundo uma pesquisa recente do UBS, que incluiu os 221 maiores escritórios familiares que, em média, geriam US$ 1,2 bilhões de ativos cada. Em 2021, esses escritórios bilionários já estavam alocando 21% de seu dinheiro em private equity através de investimentos diretos ou fundos. E mesmo assim, planejam em massa aumentar suas participações à medida que se afastam do tedioso investimento em dinheiro e títulos.

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É claro que o valuation é preocupante. As empresas de private equity vêm pagando bem por seus investimentos. No primeiro trimestre, o preço médio de compra foi de 14,6 vezes o VE/EBITDA – a relação entre o valor da empresa e o lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização – ante 11,9 vezes quatro anos antes, de acordo com o PitchBook. Em comparação, o múltiplo de valuation do S&P 500 (SPX) caiu para apenas 12,8.

Mas os ricos parecem incansáveis. Das pessoas pesquisadas pelo UBS, 85% disseram que provavelmente investirão em empresas em fase inicial este ano, ante 74% em 2021. É bem o percentual estabelecido pela Tiger e pela Coatue. O mais recente fundo de risco da Tiger focae mais em empresas em estágios iniciais de qualquer forma, ao passo que a Coatue também reduziu os negócios em estágio avançado este ano.

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Até agora, o private equity tornou-se o favorito das famílias bilionárias, com cerca de 75% acreditando que essa classe de ativos continuará superando o desempenho dos mercados abertos ao varejo. Mas, infelizmente, a única categoria de investidores que tem ficado de fora são os investidores de varejo. Assim, os ricos apenas ficarão mais ricos, e todos os outros que procuram melhorar ficarão presos atrás de meme stocks e tokens de criptoativos.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e de seus proprietários.

Shuli Ren é colunista da Bloomberg Opinion e cobre mercados asiáticos. Ex-banqueira de investimentos, ela foi repórter de mercados para a Barron’s. Também é analista financeira com certificação CFA.

--Este texto foi traduzido por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.

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