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Nasdaq caminha para pior ano com fim da era de juro baixo; veja o que esperar

O índice de ações de tecnologia já apagou cerca de US$ 5,4 trilhões neste ano; queda foi de 29,5% no primeiro semestre

Acciones
Por Ryan Vlastelica e Subrat Patnaik
30 de Junho, 2022 | 04:14 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Os céticos há muito tempo vêm dizendo que o rali de uma década das ações de tecnologia estava destinado a se reverter. No meio do caminho de 2022, parece que este é o ano em que ficará provado que eles tinham razão. A queda no primeiro semestre foi de 29,5%, a maior de sua história.

O índice Nasdaq 100 já perdeu quase um terço de seu valor neste ano, apagando cerca de US$ 5,4 trilhões em uma liquidação que deixou poucas ações ilesas. O índice, que obtém metade de seu valor de ações de tecnologia, está a caminho de seu pior ano de todos os tempos.

E ficou difícil apresentar argumentos convincentes para uma recuperação do mercado no segundo semestre: os investidores precificam mais aumentos de juros do Federal Reserve e se preocupam com uma recessão global. Os analistas começam a cortar as estimativas de lucro das companhias.

“A questão é que não vemos inflação assim há décadas”, disse Michael Nell, analista de investimentos sênior e gerente de portfólio da UBS Asset Management. “Desde 2009, mais ou menos, tivemos juros muito baixos que contribuíram para os anos de força que vimos. No entanto, essas taxas baixas não iriam durar para sempre.”

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papéis que foram vencedores em 2020 acumulam perdas acima de 50% neste anodfd

Alguns dos maiores vencedores dos anos de pandemia se transformaram nos piores desempenhos em 2022, entre eles a Netflix (NFLX), a empresa de telemedicina Teledoc Health e empresas como Zoom (ZM) e DocuSign (DOCU), que se beneficiaram do aumento de trabalho remoto.

No ritmo vigente, o Nasdaq 100 terminaria o ano em queda de 49%, o maior colapso anual nas quase quatro décadas em que a Bloomberg acompanhou o índice.

A última vez que houve queda anual foi em 2018, quando perdeu 1%, e seu último declínio mais significativo foi em 2008, ano da crise financeira global. Houve quedas maiores entre máximas e mínimas após a bolha da internet no final dos anos 90, com tombo de 83% - e na crise de 2007-2008, quando caiu pela metade.

A onda de liquidação neste ano se espalhou por todos os setores, com o colapso de líderes de mercado de longa data. Apple (AAPL), Microsoft (MSFT) e Alphabet (GOOG) perderam mais de 20%, a Amazon (AMZN) teve queda de 36%, a Nvidia deslizou quase 50% e a Meta (FB) perdeu mais da metade de seu valor. Índices de ações de semicondutores e software caíram cerca de um terço.

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O Nasdaq 100 agora tem apenas 21 membros com valor de mercado de US$ 100 bilhões ou mais, abaixo dos 33 no final do ano passado.

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